Doenças infectocontagiosas no Brasil: especialista alerta para o avanço da sífilis
#DezembroVermelho
O Brasil vive um cenário de alerta em relação às doenças infectocontagiosas, com destaque para a sífilis e o HIV/AIDS, que representam desafios importantes para a saúde pública. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde, em outubro de 2025, apontam que a sífilis segue em ritmo acelerado de crescimento, acompanhando uma tendência mundial. Em 2022, mais de 1 milhão de novos casos foram registrados globalmente, totalizando cerca de 8 milhões de pessoas infectadas.
O documento apresenta dados preocupantes em relação às gestantes. Entre 2005 e junho de 2025, o país registrou 810.246 casos de sífilis em gestantes, com 45,7% dos diagnósticos na Região Sudeste, 21,1% no Nordeste, 14,4% no Sul, 10,2% no Norte e 8,6% no Centro-Oeste. A taxa nacional de detecção atingiu 35,4 casos por 1.000 nascidos vivos em 2024, o que revela o avanço da transmissão vertical, quando a infecção passa da mãe para o bebê.
Segundo a ginecologista Dra. Helaine Maria Besteti Pires Mayer Milanez, membro da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), o aumento de casos está ligado a múltiplos fatores sociais e epidemiológicos. “A sífilis é uma infecção bacteriana de transmissão sexual, passível de prevenção e com tratamento disponível e eficaz. O crescimento da doença está associado à baixa percepção de risco, ao desconhecimento da população e às desigualdades no acesso ao diagnóstico e ao tratamento”, explica.
A especialista reforça que muitas mulheres descobrem a infecção apenas por meio de exames de rastreamento, já que a apresentação clínica pode ser discreta ou passar despercebida. “Na fase primária, a sífilis costuma manifestar-se por uma úlcera única, indolor e de bordas elevadas, conhecida como cancro sifilítico. Nas mulheres, essa lesão pode ficar escondida no fundo da vagina ou no colo do útero, o que dificulta o reconhecimento. Já nos homens, costuma ser mais evidente”, afirma.
Sem tratamento, a infecção pode evoluir para a fase secundária, caracterizada por um exantema difuso (manchas na pele), que atinge inclusive as palmas das mãos e as plantas dos pés. A doença também pode provocar alopecia em “caminho de rato” e condiloma plano (lesão genital). “A fase secundária apresenta grande quantidade de treponemas circulantes (altos níveis da bactéria no sangue). Em gestantes, a chance de acometimento fetal chega a 100% quando a gestante apresenta a sífilis recente, o que torna o diagnóstico e o tratamento ainda mais urgentes”, destaca a médica.
A sífilis pode permanecer assintomática por longos períodos, o que facilita a transmissão e dificulta a contenção dos casos. Por isso, a orientação é que mulheres sexualmente ativas se protejam contra a infecção por meio do uso de métodos de barreira e da realização regular de triagens sorológicas”, explica a Dra. Helaine.