Notícias

×

Atenção

JUser: :_load: Não foi possível carregar usuário com ID: 257

Teste Rápido da Gravidez e suas Implicações

Quarta, 21 Junho 2017 19:53
Em 2014, o Ministério da Saúde lançou o Guia Técnico Teste Rápido de Gravidez na Atenção Básica. No entanto, este importante iniciativa foi pouco difundida entre os tocoginecologistas brasileiros.

O objetivo da implantação dessa tecnologia é oferecer o acesso à detecção precoce da gestação e acolhimento das necessidades singulares de cada usuária.

O TRG é indicado para mulheres em idade fértil que apresentem atraso menstrual. O tempo de atraso para realização do teste deve observar a indicação do insumo disponível, sendo em sua maioria igual ou superior a sete dias.

A entrega do insumo TRG pode ser feita à mulher adulta, jovem, adolescente ou à parceria sexual. O teste pode ser realizado dentro ou fora da unidade de saúde, respeitando o direito de autonomia e sigilo. Em qualquer das circunstâncias, o acolhimento deve ser realizado pelo profissional de saúde no sentido de garantir informação qualificada e fortalecer o vínculo com a usuária.

Considerações para o acolhimento
Nem sempre a mulher adulta, jovem ou adolescente está aguardando a confirmação da gravidez como um motivo de comemoração, pois em algumas situações não desejaria estar grávida. Muitas vezes, a confirmação da gravidez provoca medo, preocupação e sofrimento. Por isso, é essencial que o profissional atente para a expectativa da mulher, especialmente das adolescentes, as quais requerem maior atenção no trato de questões individuais e familiares, no que diz respeito ao exercício de sua sexualidade. O possível julgamento do profissional de saúde acerca do início da vida sexual das adolescentes pode constituir uma barreira no acesso aos serviços de saúde. As mulheres que já têm filhos podem pensar que serão criticadas por uma nova gravidez. A maneira como cada mulher recebe a notícia de que está grávida é muito subjetiva e pode variar dependendo do momento de vida de cada uma, da maneira como acha que sua parceria sexual irá reagir à notícia, do apoio ou rechaço que irá receber da família e amigos, de questões relacionadas ao trabalho e estudos, entre outros fatores. Portanto, sigilo, acolhimento e confidencialidade são fatores-chaves para que as mulheres adultas, jovens e adolescentes se sintam confortáveis em realizar o TRG e seguir o acompanhamento com a equipe profissional da Unidade de Saúde.

No caso de adolescentes, principalmente com idade entre 10 e 14 anos incompletos ou pessoa com deficiência, é necessário que o profissional esteja atento para uma abordagem adequada que considere a possibilidade de violência sexual. Se for o caso, seguir as normas técnicas e legais na condução da situação, conforme a Norma Técnica Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes e Aspectos Jurídicos do Atendimento às Vítimas de Violência Sexual, do Ministério da Saúde. Orientação Pós-Teste A orientação pós-teste deve ser ofertada no momento da entrega do insumo (TRG) e realizada, caso a mulher deseje, após a realização do exame. O profissional de saúde deverá colocar-se disponível para continuar o diálogo conforme o resultado e buscar a abordagem apropriada, de acordo com cada situação descrita a seguir, no sentido de assegurar a saúde da mulher. De acordo com o resulto o TRG, o profissional de saúde estará à frente de quatro cenários, que são os seguintes:


1º CENÁRIO: TRG Negativo – não deseja a gravidez
  •  Realizar orientação imediata de planejamento reprodutivo, inclusive com a entrega imediata de insumos/medicamentos. Ofertar testes rápidos (sífilis, HIV e hepatites virais) disponíveis na unidade.

2º CENÁRIO: TRG Negativo – deseja a gravidez
  •  Encaminhar, dependendo do caso, para consulta de planejamento reprodutivo.
  •  Ofertar testes rápidos (sífilis, HIV e hepatites virais) disponíveis na unidade.
  •  Prescrever e orientar sobre o uso do ácido fólico.


3º CENÁRIO: TRG Positivo – deseja a gravidez
  •  O teste é de triagem, porém, a partir dele, a mulher já pode ser vinculada ao pré-natal, se ela assim o desejar. O beta HCG, quando indicado, poderá ser realizado posteriormente, com os demais exames.
  •  Iniciar a rotina de pré-natal e reforçar o convite para participação da parceria sexual durante as consultas, favorecendo o engajamento do parceiro(a) em ações educativas e preventivas.


4º CENÁRIO: TRG Positivo – não deseja a gravidez
  •  Orientar sobre os direitos acerca da gestação: atenção ao pré-natal, assistência ao parto e ao nascimento, rede de proteção social com condições diferenciadas para continuidade dos estudos, licençamaternidade, programas específicos para famílias de baixa renda, utilização de creche e encaminhar para orientações com assistente social da rede de saúde local, se for o caso.
  •  Ofertar mediação de conflitos familiares decorrentes da gravidez não planejada, em que o fator familiar é determinante para a não aceitação da gravidez.
  •  Orientar sobre possibilidades de adoção, caso opte(m) pela continuidade da gestação e não haja desejo ou condições de permanecer com a criança.
  •  Informar que a legislação brasileira permite a interrupção da gestação para os casos previstos em lei (violência sexual, risco de morte para a mulher, anencefalia fetal).
  •  Informar acerca do risco de práticas caseiras para a interrupção da gravidez.
  •  Orientar sinais e sintomas de alerta, caso haja interrupção da gravidez de modo inseguro: febre, calafrios, hemorragia, dor abdominal, dor no baixo ventre, secreção vaginal com odor fétido, dor ao urinar. Ressaltar a importância de procurar o hospital mais próximo caso apresente quaisquer desses sintomas.


Acreditamos que as orientações acima mencionadas são importantes para diminuir as elevadas taxas de morbidade e mortalidade materna vigente no Brasil.



Mais informações no próprio Manual Técnico do Ministério da Saúde disponível no site: bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/teste_rapido_gravidez_guia_tecnico.pdf












Deixe um comentário