Por que o Ginecologista deve se envolver no rastreamento, prevenção e tratamento da Osteoporose?

Compartilhe a publicação
Por que o Ginecologista deve se envolver no rastreamento, prevenção e tratamento da Osteoporose?

22 jun. de 2017

A osteoporose é uma doença esquelética sistêmica caracterizada por uma diminuição da resistência óssea (integração entre quantidade e qualidade ósseas) que predispõe a um risco aumentado de fraturas1 . As complicações clínicas da osteoporose incluem não só fraturas, mas também dor crônica, depressão, deformidade, perda da independência e aumento da mortalidade2 . Esta condição se tornou um importante problema de saúde pública em função da elevada morbidade e mortalidade decorrentes das fraturas osteoporóticas e porque sua prevalência e incidência aumentam dramaticamente à medida que experimentamos um aumento da expectativa de vida em todo o mundo3 .

Estimativas revelam que a população brasileira propensa a desenvolver osteoporose aumentou de 7,5 milhões, em 1980, para 15 milhões, em 20004. O ônus para os sistemas de saúde, à economia e à sociedade também é enorme e vem aumentando progressivamente nos últimos anos. No mundo inteiro, 40% das fraturas osteoporóticas ocorrem em indivíduos em idade economicamente ativa. Portanto, além do custo direto com as fraturas relacionadas à osteoporose, devem-se acrescentar os grandes custos indiretos para a economia, tais como os ocasionados pela incapacidade e pela perda de produtividade. Assim sendo, a abordagem desta condição tornou-se um sério problema de saúde pública e uma prioridade na assistência médica atual5, 6 .

Partindo de um ponto de vista epidemiológico, a ocorrência da osteoporose é mais comum nas mulheres e estima-se que 50% daquelas com mais de 50 anos apresentarão uma fratura por osteoporose a partir desta idade6 . Em vários estudos epidemiológicos demonstrou-se que a incapacidade devida às fraturas osteoporóticas em mulheres é maior do que a causada pelo câncer (com exceção do câncer de pulmão) e é comparável àquela da doença cardiovascular7 .

O estrogênio é um fator crítico para a saúde esquelética feminina, desempenhado um papel importante no crescimento e maturação do osso (obtenção do pico de massa óssea), bem como na regulação da remodelação óssea no esqueleto adulto8 . Por outro lado, a deficiência estrogênica a partir do climatério representa a base da fisiopatologia da osteoporose pósmenopáusica9 .

A fim de otimizar a saúde óssea na população feminina e minimizar a incidência de fraturas de fragilidade à medida que as mulheres envelhecem, uma abordagem ao longo da vida para construir e manter um esqueleto saudável é primordial. O ginecologista ocupa uma posição única entre os diversos especialistas que cuidam de mulheres com osteoporose exatamente porque o profissional talhado para executar aquela abordagem. Como generalista ou médico de atenção primária da mulher ao longo de todas as etapas de vida de suas pacientes (infância/adolescência, período reprodutivo, climatério/menopausa) o ginecologista é muitas vezes o primeiro médico a detectar fatores de risco, condições ou doenças associadas à baixa massa óssea ou osteoporose nestas mulheres10 . Como especialista, o ginecologista moderno tem profundo conhecimento sobre a osteoporose e está equipado para oportunas intervenções preventivas e terapêuticas nesta doença.

Portanto, no âmbito da prevenção da osteoporose e das fraturas dela decorrentes, o ginecologista é o profissional médico habilitado para supervisionar todos aqueles aspectos (status hormonal, estilo de vida, padrão nutricional e intercorrências clínicas) que podem influenciar o estado da saúde óssea em suas pacientes do sexo feminino e acompanhar essas mulheres ao longo do tempo. Assumamos, pois, nosso papel indelegável de liderança na promoção de saúde óssea e prevenção das fraturas osteoporóticas por toda a vida de nossas pacientes. Atualmente a Ginecologia e Obstetrícia representa a quarta maior especialidade em número de profissionais titulados, ou seja, aproximadamente 30.000 especialistas no Brasil11 , sendo muito maior que qualquer outra especialidade também capacitada na abordagem da osteoporose, portanto nós ginecologistas poderemos fazer a diferença para mudar o panorama desta grave doença no Brasil.

Referências
1. NIH Consensus Development Panel on Osteoporosis Prevention, Diagnosis and Therapy. Osteoporosis prevention, diagnosis, and therapy. JAMA 2001;285:785–95.
2. Kanis JA, Burlet N, Cooper C, Delmas PD, Reginster JY, Borgstrom F, et al. European guidance for the diagnosis and management of osteoporosis in postmenopausal women. Osteoporos Int. 2008; 19:399- 428.
3. Center JR, Bliuc D, Nguyen ND, Nguyen TV, Eisman JA. Osteoporosis medication and reduced mortality risk in elderly women and men. J Clin Endocrinol Metab. 2011; 96(4):1006-14.
4. de Carvalho CM, Fonseca CC, Pedrosa JI. Educação para a saúde em osteoporose com idosos de um programa universitário: repercussões. Cad Saude Publica. 2004; 20:719-726.)
5. National Osteoporosis Guideline Group. Osteoporosis: clinical guideline for prevention and treatment. 2016. https://www.shef.ac. uk/NOGG/NOGG_Executive_Summary.pdf. Accessed 4 Nov 2016.
6. http://www.nof.org/osteoporosis/diseasefacts.htm.
7. Johnell O and Kanis JA. An estimate of the worldwide prevalence and disability associated with osteoporotic fractures. Osteoporos Int 2006;17:1726.
8. Raisz LG. Pathogenesis of osteoporosis: concepts, conflicts, and prospects. J Clin Invest. 2005 Dec;115(12):3318-25.
9. Khosla, S., Melton, L.J., 3rd, Atkinson, E.J., and O’Fallon, W.M. Relationship of serum sex steroid levels to longitudinal changes in bone density in young versus elderly men. J. Clin. Endocrinol. Metab. 2001; 86:3555–3561.
10.Raglan G, Lawrence H, Schulkin J. Obstetrician/gynecologist care considerations: practice changes in disease management with an aging patient population. Future Medicine Women’s Health; 201410(2), 155– 160.
11.Scheffer, M. et al, Demografia Médica no Brasil 2015. Departamento de Medicina Preventiva, Faculdade de Medicina da USP. Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo. Conselho Federal de Medicina. São Paulo: 2015, 284 páginas. ISBN: 978-85-89656-22-1

Veja mais conteúdos

Congresso da SOGESP debate segurança obstétrica, autonomia profissional e enfrentamento da mortalidade materna

24 ago. de 2026

Contracepção na vida real é tema de destaque no segundo dia do SOGESP 2026

24 ago. de 2026

Terapia hormonal no centro das aulas do Congresso SOGESP 2026

21 ago. de 2026

31º Congresso SOGESP promete interatividade e vivência prática

20 ago. de 2026

Especialistas da FEBRASGO discutem terapia hormonal durante o congresso SOGESP

19 ago. de 2026

Agosto Lilás: como deve ser o atendimento à vítima de violência sexual

19 ago. de 2026

II Fórum FEBRASGO reforça importância da vacinação da mulher e amplia diálogo com Ministério da Saúde

18 ago. de 2026

FEBRASGO amplia internacionalização com parceria científica na área de câncer ginecológico

11 ago. de 2026

Primeiros 1.000 dias: FEBRASGO alerta que o cuidado com o bebê começa antes do nascimento

10 ago. de 2026

Especialista da FEBRASGO comenta causas de perda gestacional no primeiro trimestre

07 ago. de 2026

Dor, desejo e prazer: FEBRASGO reforça que saúde sexual também é saúde

05 ago. de 2026

Amamentação sem mitos: especialista da FEBRASGO esclarece seis dúvidas comuns

03 ago. de 2026