Hipertensão arterial e os impactos significativos na saúde da mulher em diferentes fases da vida

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Hipertensão arterial e os impactos significativos na saúde da mulher em diferentes fases da vida

26 abr. de 2024

FEBRASGO faz um alerta sobre a doença que pode permanecer silenciosa e sem sintomas evidentes

 

Em 26 de abril, destacamos a importância de enfrentar uma das principais ameaças à saúde cardiovascular: a hipertensão arterial. Este é um momento fundamental para conscientizar sobre a vital importância de reconhecer e tratar essa condição, que afeta aproximadamente 30% da população brasileira, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A doença pode permanecer silenciosa, sem manifestar sintomas evidentes em muitos casos.

 

A Dra. Gabriela Pravatta, membro da Comissão de Ginecologia Endócrina da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), esclarece que a hipertensão arterial é uma condição bastante comum, com impactos significativos na saúde da mulher em diferentes fases da vida. “Durante o período reprodutivo, conhecido como menacme, a hipertensão arterial representa uma contraindicação relativa ao uso de certos métodos contraceptivos, especialmente aqueles que contêm estrogênio, devido ao potencial de aumento do risco de picos de pressão e eventos tromboembólicos. Além disso, a hipertensão pode estar relacionada a condições como a Síndrome dos Ovários Policísticos, uma das endocrinopatias mais comuns em mulheres durante o menacme”, afirmou a ginecologista.

 

Na menopausa, a hipertensão pode surgir ou se agravar devido às mudanças nos níveis hormonais, especialmente à diminuição do estrogênio, que possui efeito vasoprotetor. Mulheres com hipertensão podem enfrentar uma menopausa mais sintomática ou apresentar um aumento do risco cardiovascular durante essa fase. Ao longo da vida, as mulheres hipertensas têm um risco aumentado de desenvolver doenças cardiovasculares em geral.

  

“Existem várias medidas que as mulheres podem adotar para melhorar o controle da pressão arterial e reduzir os riscos associados. Uma dieta saudável, rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras, e com restrição de sódio, gorduras saturadas e colesterol, é especialmente recomendada. Inclusive, há uma dieta específica para pessoas hipertensas, conhecida como DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension). Além disso, a prática regular de atividade física pode contribuir significativamente para o controle da pressão arterial”, enfatizou a Dra. Gabriela.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana. Outras medidas não farmacológicas importantes incluem parar de fumar, reduzir ou eliminar o consumo de álcool e monitorar regularmente a pressão arterial, tanto em casa quanto durante consultas médicas.

 

Hipertensão Gestacional

 

A Dra. Joeline Cerqueira, membro da Comissão de Pré-natal da FEBRASGO, alerta que a doença é uma das principais causas de mortalidade materna. “A condição tem alto índice de internações, principalmente no SUS, representando risco em todas as esferas para mãe e para o feto. A medida da pressão arterial deve ser feita em todas as consultas, independentemente de ter sintomas ou não”, frisa a médica.

 

Sintomas

 

A Dra. Gabriela explica que os sintomas mais frequentes são dores de cabeça, especialmente quando severas e persistentes, tontura, alterações visuais como visão turva ou embaçada, palpitações e fadiga. Devido à natureza inespecífica dos sintomas e à possibilidade de o quadro ser assintomático, o monitoramento da pressão arterial é fundamental para identificar a hipertensão. Portanto, é recomendado que a pressão arterial seja aferida pelo menos duas vezes ao dia. É importante que a pessoa esteja sentada e relaxada por pelo menos 5 minutos antes de realizar a medição, e que tente medir a pressão arterial sempre nas mesmas condições para obter resultados consistentes. É aconselhável anotar os valores pressóricos obtidos e levá-los ao médico para interpretação dos resultados.

 

Tratamento

 

A hipertensão arterial tem tratamento, que deve ser realizado de forma individualizada. Em algumas situações, medidas não farmacológicas isoladas podem ser adotadas, tais como controle da dieta, perda de peso e prática de exercícios regulares. Em outros casos, o uso de medicamentos é necessário, podendo incluir diuréticos, betabloqueadores, inibidores do canal de cálcio ou outras classes farmacológicas, dependendo de cada situação específica.

 

 Hipertensão arterial e o Ciclo Menstrual

 

A hipertensão arterial pode afetar o ciclo menstrual e a saúde relacionada à menstruação de várias maneiras, mesmo que não seja tão evidente quanto outras complicações de saúde. Alguns efeitos possíveis incluem:

  • Alterações hormonais: A hipertensão pode causar desequilíbrios hormonais que afetam o ciclo menstrual, como na síndrome do ovário policístico.
  • Uso de medicamentos: Alguns medicamentos para hipertensão podem ter efeitos colaterais que influenciam o ciclo menstrual, como os betabloqueadores.
  • Estresse e saúde vascular: A hipertensão está ligada ao estresse, que pode afetar os hormônios reguladores do ciclo menstrual, além de comprometer a saúde vascular, afetando a circulação sanguínea em órgãos reprodutivos.
  • Impacto na fertilidade: A hipertensão pode afetar a saúde dos vasos sanguíneos no útero, prejudicando a fertilidade.
  • Menopausa precoce: Mulheres com hipertensão podem ter maior probabilidade de entrar na menopausa mais cedo, aumentando o risco de outras condições de saúde.

“É importante que mulheres com hipertensão conversem com seus médicos sobre essas questões, para receber orientações personalizadas sobre o manejo da hipertensão e seus efeitos na saúde reprodutiva. Um controle eficaz da pressão arterial e uma abordagem holística para a saúde geral podem ajudar a minimizar esses impactos”, ressalta a Dra. Gabriela.

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