Mulheres são mais vulneráveis às infecções sexualmente transmissíveis por fatores biológicos, revela especialista

Compartilhe a publicação
Mulheres são mais vulneráveis às infecções sexualmente transmissíveis por fatores biológicos, revela especialista

12 jun. de 2026

  • 12 de junho é o Dia dos Namorados

 

As doenças infectocontagiosas continuam representando um importante desafio para a saúde da mulher. Infecções causadas por vírus, bactérias, fungos e parasitas podem comprometer não apenas a saúde ginecológica, mas também a fertilidade, a qualidade de vida e o bem-estar feminino. Entre as principais doenças estão HIV, hepatites virais, HPV, herpes genital, sífilis, gonorreia, clamídia, tricomoníase, vaginose bacteriana e candidíase, que podem apresentar manifestações variadas e, em muitos casos, evoluir de forma silenciosa.

Segundo a Dra. Iara Moreno Linhares, ginecologista, membro da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, as mulheres apresentam maior vulnerabilidade às infecções sexualmente transmissíveis devido a fatores biológicos. “A natureza dotou o sêmen de propriedades imunossupressoras para permitir a fecundação. Como consequência, ocorre uma redução temporária da imunidade local na vagina após a relação sexual, facilitando a instalação de agentes infecciosos”, conta.

Entre os sinais que merecem atenção estão feridas na região genital, corrimentos anormais, coceira, ardor ao urinar, irritação, verrugas, desconforto no baixo-ventre  e dor. No entanto, a especialista destaca que algumas infecções podem não apresentar sintomas, o que torna o acompanhamento médico ainda mais importante. “Doenças como clamídia e gonorreia podem ser totalmente silenciosas, mas causar complicações graves, como inflamação das trompas e infertilidade. Por isso, a consulta periódica com o ginecologista é fundamental, mesmo na ausência de sintomas”, ressalta a ginecologista.

A sífilis, por exemplo, costuma se manifestar inicialmente por uma ferida indolor que desaparece espontaneamente, levando muitas pacientes a acreditarem que o problema foi resolvido. Já o herpes genital geralmente provoca pequenas bolhas que evoluem para feridas dolorosas. A tricomoníase pode causar corrimento amarelado e irritação local, a vaginose bacteriana causa corrimento com odor desagradável enquanto a candidíase costuma provocar coceira intensa e corrimento característico. O HPV merece atenção especial por incluir tipos virais associados ao desenvolvimento de câncer do colo do útero, da vagina e da vulva.

A principal forma de prevenção continua sendo o uso correto e consistente do preservativo masculino ou feminino durante as relações sexuais. “Muitas mulheres ainda acreditam que a confiança no parceiro elimina os riscos de infecção, mas o uso da camisinha continua sendo a medida mais eficaz para reduzir a transmissão das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), afirma a médica.

A especialista explica que, durante as relações sexuais, o contato natural entre as mucosas do pênis e da vagina pode provocar pequenas microlesões, popularmente descritas como “cortinhos”, que geralmente passam despercebidas. Embora sejam imperceptíveis, essas lesões facilitam a entrada de vírus e outros agentes infecciosos, aumentando o risco de transmissão de infecções sexualmente transmissíveis, como o HIV. “A mulher apresenta uma área de mucosa genital mais extensa do que a do homem, o que amplia a superfície de exposição aos microrganismos e contribui para uma maior vulnerabilidade feminina à aquisição dessas infecções”, explica a Dra. Iara.

A relevância das infecções sexualmente transmissíveis para a saúde pública foi reforçada recentemente por uma Nota Técnica publicada pelo Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi), do Ministério da Saúde, em parceria com a FEBRASGO. O documento orienta profissionais de saúde sobre a ampliação da oferta da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) para mulheres, incluindo gestantes, puérperas e lactantes, com o objetivo de reduzir novas infecções por HIV, fortalecer a prevenção da transmissão vertical e ampliar o acesso a estratégias eficazes de prevenção.

O diagnóstico das doenças infectocontagiosas é realizado por meio da avaliação clínica, exame físico e exames laboratoriais, que podem incluir coleta de material do trato genital e exames de sangue. Quando identificadas precocemente, grande parte dessas infecções são tratadas de maneira eficaz,  reduzindo o risco de complicações futuras. “Sempre que houver qualquer alteração ou sintoma, a mulher deve procurar assistência médica. Mas é importante lembrar que muitas infecções não causam sinais evidentes. Por isso, o acompanhamento ginecológico regular é indispensável para a prevenção, o diagnóstico precoce e a preservação da saúde feminina”, conclui a Dra. Iara.

Veja mais conteúdos

Consulta jurídica realizada pela FEBRASGO recebe parecer técnico favorável do CFM

13 jul. de 2026

Consulta ginecológica na adolescência exige acolhimento, sigilo e atenção aos limites éticos

13 jul. de 2026

FEBRASGO participa de audiência pública sobre enfrentamento de doenças infectocontagiosas em mulheres vulnerabilizadas

07 jul. de 2026

FEBRASGO defende medicina baseada em evidências em audiência pública no Senado Federal Defesa e Valorização Ver notícia
FEBRASGO defende medicina baseada em evidências em audiência pública no Senado Federal

01 jul. de 2026

Casais LGBTQIA+ e o sonho da parentalidade: opções vão da reprodução assistida à adoção

26 jun. de 2026

Diabetes gestacional: condição afeta cerca de 14% das gestações e sintomas nem sempre são evidentes

26 jun. de 2026

Especialista da FEBRASGO explica sobre o fezolinetanto, remédio não hormonal para fogachos aprovado pela Anvisa

24 jun. de 2026

FEBRASGO leva cursos do CTS sobre câncer do colo do útero a diferentes regiões do país Educação Ver notícia
FEBRASGO leva cursos do CTS sobre câncer do colo do útero a diferentes regiões do país

24 jun. de 2026

Junho Laranja alerta para a prevenção da anemia e o diagnóstico precoce da leucemia durante a gestação

18 jun. de 2026

FEBRASGO destaca saúde da mulher ao longo da vida durante o 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral

15 jun. de 2026

Mulheres são mais vulneráveis às infecções sexualmente transmissíveis por fatores biológicos, revela especialista

12 jun. de 2026

Doação de sangue salva vidas na Ginecologia e Obstetrícia, alerta FEBRASGO

12 jun. de 2026