Estudo alerta para a prevenção e controle das hepatites virais, responsáveis por mais de 1,34 milhões de mortes por ano em todo o mundo

Compartilhe a publicação
Estudo alerta para a prevenção e controle das hepatites virais, responsáveis por mais de 1,34 milhões de mortes por ano em todo o mundo

28 jul. de 2021

Especialista também recomenda a necessidade de acompanhamento de gestantes portadoras destes vírus para prevenir a transmissão da mãe para o bebê

São Paulo, julho de 2021. Se as doenças infecciosas já são naturalmente motivo para preocupação, durante a gravidez elas tendem a trazer ainda mais tensão e as hepatites virais são importantes neste contexto. Um estudo realizado pelo médico tocoginecolgista Dr. Geraldo Duarte, presidente da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da FEBRASGO, revela que mulheres infectadas por hepatites virais têm risco aumentado de transmitirem estes vírus para o bebê durante a gravidez nos casos em que não há um acompanhamento médico adequado durante o pré-natal. “Estamos falando de infecções com elevadas taxas de morte, já que as hepatites virais A, B e C são responsáveis por mais de 1,34 milhão de óbitos anualmente em todo o mundo, dos quais 66% são decorrentes da hepatite B, 30% da hepatite C e 4% da hepatite A”. explica Dr. Geraldo.

O mês de julho, instituído como o de prevenção às hepatites virais – conhecido como “Julho Amarelo” – tem o objetivo de reforçar as ações de vigilância, prevenção e controle das infecções virais que acometem o fígado. Para chamar a atenção ao tema, o especialista enfatiza a necessidade de aguçar o olhar do cuidado para as gestantes, principalmente, durante o pré-natal. O tratamento das hepatites varia bastante, principalmente de acordo com o agente que a provoca (vírus, hepatite autoimune, tóxico). Independente da causa, o tratamento das hepatites deve sempre seguir orientações médicas.

A hepatite viral consiste na presença de inflamação das células do fígado. Pode apresentar várias etiologias associadas, nomeadamente vírus (Hepatite A, Hepatite B, Hepatite C, Hepatite D, Hepatite E), sendo que, no Brasil, os tipos A, B e C são os mais comuns.

Nos casos da gestante com hepatite viral o maior temor é que a infecção comprometa a saúde do bebê e, de acordo com o artigo, o risco de transmissão vertical pode chegar a 90% nos casos da hepatite B replicante se não houver acompanhamento e tratamento adequado. Na sua forma crônica, geralmente é assintomática, porém, corre o risco de evoluir para insuficiência hepática crônica, cirrose e hepatocarcinoma – tipo de câncer primário do fígado. “Uma das nossas preocupações é a mulher grávida portadora da hepatite B, visto que este vírus apresenta a taxa mais elevada de transmissão da mãe para o seu bebê”, ressalta o Dr. Geraldo Duarte. Na sequência ele complementa: “no entanto, a contaminação pode ser evitada se a mulher tomar a vacina contra a hepatite B antes de engravidar, ou o mais rápido possível após o diagnóstico da gravidez. Além disto, com carga viral elevada, o uso de medicamento adequado e receitado por um especialista consegue reduzir a carga viral”.

Segundo o estudo, em relação à hepatite causada pelo vírus C, foi observado que aproximadamente de 50% a 85% das pessoas evoluem para a forma crônica da doença. O risco de a mãe infectar o bebê varia de 3,8% a 7,8%, taxas que dependem da carga viral. Já a hepatite tipo A, que acomete mais crianças em regiões onde o vírus endêmico, é considerada uma das mais brandas e com elevadas taxas de cura. Sua taxa de transmissão vertical é muito baixa devido ao curto período de viremia e aos cuidados com o parto vaginal. Embora cada tipo viral apresente características diferentes, o especialista recomenda a amamentação em todos os casos de hepatite A, B e C.

 Os resultados do estudo estão descritos no artigo Protocolo Brasileiro para Infecções Sexualmente Transmissíveis 2020: hepatites virais, publicado pelo Dr. Geraldo Duarte e colaboradores.

Duarte G, Pezzuto P, Barros TD, Mosimann Junior G, Martínez-Espinosa FE. Protocolo Brasileiro para Infecções Sexualmente Transmissíveis 2020: hepatites virais [Brazilian Protocol for Sexually Transmitted Infections 2020: viral hepatitis]. Epidemiol Serv Saude. 2021;30(spe1):e2020834

 

Tipos de hepatites virais

Hepatite A: também chamada de hepatite infecciosa, causada por um vírus transmitido pela ingestão de alimentos ou água contaminados. Ela é autolimitada, não evolui para doença crônica e tem na vacina sua principal forma de controle. Seu período de incubação varia de 15 a 50 dias e é assintomática em 70% dos adultos.

Hepatite B: é a mais grave das três e pode se tornar crônica. Transmitida pela transfusão de sangue ou contato com agulhas contaminadas, ela aumenta os riscos de câncer no fígado. Na forma aguda, cerca de 70% dos casos apresentam a forma subclínica – que não produz manifestações ou efeitos detectáveis por meio de exames – e 30% a forma ictérica – evolução grave da doença.

Hepatite C: também é transmitida por agulhas contaminadas e transfusão de sangue.

 

Sintomas:

Os sinais e sintomas podem variar de acordo com o tipo de hepatite, da gravidade da doença e do seu tempo de evolução. No entanto, os sintomas mais comuns são:

  • Cansaço
  • Náuseas
  • Falta de apetite
  • Icterícia (coloração amarelada da pele ou na parte branca dos olhos
  • Febre, em alguns casos
  • Urina de cor escura
  • Fezes de cor clara

Veja mais conteúdos

Gestrinona: o anabolizante vendido com falsas promessas

03 jun. de 2026

Nota de Falecimento – Professor Hans Wolfgang Halbe

01 jun. de 2026

CBGO 2026: especialistas de países de língua portuguesa discutem desafios para reduzir o câncer do colo do útero e a mortalidade materna.

01 jun. de 2026

CBGO 2026: Fórum de Defesa Profissional debate uso da inteligência artificial na Ginecologia e Obstetrícia

01 jun. de 2026

CBGO2026: palestra do Dr. Frank Louwen reforça importância da capacitação em parto pélvico

01 jun. de 2026

CBGO 2026 encerra edição marcada por ciência, pactos pela saúde da mulher e integração entre sociedades

01 jun. de 2026

CBGO 2026 chega ao último dia com final do Febraquiz e programação científica intensa

01 jun. de 2026

Informação, movimento e inovação marcam a experiência dos congressistas no CBGO 2026

01 jun. de 2026

CBGO 2026 debate hormoniologia, terapias alternativas e avanços no tratamento da obesidade feminina

01 jun. de 2026

CBGO 2026: Fórum debate estratégias para reduzir mortalidade materna no Brasil

01 jun. de 2026

CBGO 2026: Dr. Gian Carlo Di Renzo fala sobre a progesterona para além da manutenção da gravidez

30 maio. de 2026

Iniciativa “FEBRASGO em Movimento” leva médicos às ruas em corrida inédita no CBGO 2026

30 maio. de 2026