Cerca de 18 milhões de mulheres sofreram alguma forma de violência no último ano

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Cerca de 18 milhões de mulheres sofreram alguma forma de violência no último ano

10 out. de 2023


FEBRASGO reforça que a educação e a conscientização desempenham um papel fundamental na prevenção da violência contra as mulheres e na promoção da saúde

Em 10 de outubro, no Dia Nacional de Combate à Violência contra a Mulher, uma data estabelecida em 1980 durante um movimento nacional ocorrido em São Paulo, a Federação Brasileira de Ginecologia Obstetrícia (FEBRASGO) faz um alerta sobre os altos índices de crimes contra as mulheres em todo o país e reforça a importância da educação e conscientização de todos para a construção de uma sociedade mais segura para as mulheres.

 

O estudo “Visível e Invisível: Vitimização de Mulheres no Brasil” do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela dados alarmantes sobre diversas formas de violência enfrentadas pelas mulheres brasileiras em 2022. O levantamento aponta que 28,9% das mulheres no Brasil foram vítimas de violência de gênero durante o ano, representando o índice mais alto registrado até o momento, com um aumento de 4,5 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. Essas estatísticas indicam que aproximadamente 18,6 milhões de mulheres no Brasil foram vítimas de violência no período.

 

O Dr. Robinson Dias, presidenta da Comissão de Violência Sexual e Interrupção Gestacional prevista em lei na Federação Brasileira de Ginecologia Obstetrícia (FEBRASGO), enfatiza que o machismo estrutural desempenha um papel significativo na perpetuação da violência em nossa sociedade. “Este machismo está profundamente enraizado em todos os aspectos das relações sociais e tem um impacto prejudicial no fortalecimento das mulheres. Além disso, a falta de educação e o aumento contínuo da violência também são fatores cruciais que contribuem para esse problema em nossa sociedade”, pontua.

Quando as mulheres são vítimas de violência, enfrentam consequências tanto físicas quanto mentais. No curto prazo, isso se traduz em problemas de saúde resultantes de agressões físicas e sexuais, como lesões corporais, estresse pós-traumático, síndrome do pânico, infecções transmitidas sexualmente e outros problemas relacionados. A longo prazo, estudos demonstram um maior risco de desenvolvimento de distúrbios psicológicos, incluindo transtornos mentais comuns, como ansiedade e depressão, disfunções sexuais e também efeitos negativos na saúde cardiovascular das mulheres.

“Para as mulheres, que se encontram presas em um ciclo de violência, é uma tarefa extremamente desafiadora romper com essa situação devido ao contexto de vulnerabilidade social que caracteriza o cenário brasileiro. Além disso, a dependência econômica, que frequentemente está nas mãos do agressor, e a falta de recursos educacionais e alternativas para cuidar de seus filhos agravam ainda mais essa problemática. Felizmente, existem diversas instituições que compõem uma rede de apoio, abrangendo desde as autoridades de segurança pública até instituições de saúde, assistência social e organizações não governamentais. Os sinais de alerta variam, desde evidências físicas de traumas até mudanças de comportamento e o surgimento de distúrbios psicológicos e pós-traumáticos”, destaca o Dr. Robinson.

Para o especialista, a educação e a conscientização desempenham um papel fundamental na prevenção da violência contra as mulheres e na promoção da saúde, ao ampliar a visibilidade desse problema. “Elas nos permitem destacar o impacto profundo dessa questão nas vidas das pessoas e fomentar discussões e reflexões sobre o tipo de sociedade que desejamos legar para as gerações futuras. Além disso, é fundamental refletir sobre o papel dos homens na vida e na promoção da saúde de meninas, adolescentes e mulheres, reconhecendo sua importância nesse processo”, finaliza.

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