Anticoncepção e Ginecologia Infanto-Puberal
13 set. de 2017
Como relatado acima, o melhor modo de iniciar um método contraceptivo é no mesmo dia da consulta, ao que se chama “quick start”. Esta abordagem diminui a taxa de esquecimento e de uso incorreto, já que as orientações ainda estão recentes, como no algoritmo abaixo:
MÉTODOS REVERSÍVEIS DE LONGA DURAÇÃO (larc)
Existem dois tipos de métodos reversíveis de longa duração (LARC, do inglês “long-acting reversible contraception”): o dispositivo intrauterino (DIU) e os implantes contraceptivos. Os LARC são os métodos mais eficazes de contracepção; uma vez inseridos, não necessitam de ações regulares da paciente, sendo consideradas opções de primeira linha para adolescentes pelo American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) e pela Academia Americana de Pediatria.
Previamente à inserção dos LARC, deve-se excluir gravidez e realizar rastreio de doenças sexualmente transmissíveis através de exame pélvico com inspeção adequada. No caso dos implantes contraceptivos, deve-se obter consentimento informado por escrito.
MEDROXIPROGESTERONA DE DEPÓSITO
A progesterona de depósito é um método contraceptivo injetável que fornece contracepção efetiva e reversível por três meses, além de proteger de câncer de ovário e endométrio, salpingite, gestação ectópica, doenças benignas da mama, acne e deficiência de ferro. A taxa de gestação é de aproximadamente 6% ao ano.
É importante informar às pacientes que há risco de amenorreia após o primeiro ano de uso em 70% das usuárias e que a tão temida perda de massa óssea não deve restringir nem início nem a continuidade do seu uso, caso este se faça necessário. Não há evidências no aumento de fraturas se a paciente mantiver hábitos de vida saudáveis, o que inclui a prática de atividade física regular, ingesta adequada de cálcio e níveis de vitamina D plasmáticos adequados.
PÍLULA ANTICONCEPCIONAL, ADESIVO E ANEL VAGINAL
São métodos hormonais combinados, cuja taxa de gravidez é de 9% ao ano em pacientes típicas. Os benefícios não relacionados à contracepção incluem melhora da densidade óssea e proteção contra cânceres de ovário e endométrio, salpingite, gravidez ectópica, doenças benignas da mama, acne e deficiência de ferro.
Pílulas orais combinadas
As pílulas orais combinadas necessitam de tomada diária, podendo ser usada para evitar menstruações mensais (que podem ser solicitadas por razões médicas ou por opção). Deve-se atentar à adolescente que este método pode ter sua eficácia reduzida pelo uso de algumas ervas, antibióticos e outras medicações (como anticonvulsivantes, terapia antiretroviral). Assim, caso necessite de algum tratamento entre esses medicamentos, deve-se orientar uso de preservativo conjuntamente à pílula.
Ao indicar este método, ajude a paciente a adotar rotinas que impeçam o esquecimento da tomada da medicação, com orientações por escrito, por exemplo. Estratégias como lembretes no telefone da paciente ou indicação de aplicativos ou sites confiáveis.
Patch TRANSDÉRMICO
O adesivo pode ser aplicado semanalmente (em locais diferentes do corpo) por três semanas, seguidos de uma semana sem o medicamento. Pode causar irritação cutânea e vermelhidão, o que pode ser resolvido mudando-o de lugar. Prurido intense com vermelhidão importante podem apontar para hipersensibilidade; neste caso, o adesivo deve ser removido e descartado.
Os cuidados para evitar o esquecimento são semelhantes ao da pílula oral combinada.
Anel Vaginal
O anel vaginal é inserido na vaginal pela paciente, devendo ser deixado por três semanas e removido por uma semana. Existe apenas um tamanho de anel vaginal, por isso a paciente deve se sentir confortável com este método. A adaptação costuma ser boa quando a paciente está acostumada a utilizar absorventes internos. Os cuidados para evitar esquecimento são os mesmos acima citados.
Outros métodos
Outros métodos contraceptivos são menos efetivos pois dependem da lembrança de utiliza-lo durante a relação sexual, como o preservative (feminine ou masculine) ou o diafragma, ou mesmo métodos comportamentais, tabelinha ou coito interrompido. Mesmo assim, deverão ser lembrados à paciente.
CONTRACEPÇÃO DE EMERGÊNCIA
A contracepção de emergência não deve ser utilizada rotineiramente e isto deve estar muito claro para a paciente e não é um método abortivo. No entanto, deixar de oferece-lo nas situações em que há indicações pode ser considerado uma violação do direito do paciente, pois trata-se de segurança individual.
Deve-se lembrar à paciente que quanto mais for adiada a tomada da medicação, menor a sua eficácia e que, após seu uso, os ciclos menstruais podem ser alterados.
O método deverá ser oferecido se a paciente estiver exposta ao risco iminente de gravidez, se:
- Não estiver utilizando qualquer método anticoncepcional;
- O método em uso atual tiver falha;
- Tenha havido violência sexual.
Seguimento
A paciente adolescente que inicia um método anticoncepcional deve ter um acompanhamento mais próximo, com retornos mais frequentes que o normal. Recomenda-se consultas a cada 3 meses e, caso o profissional perceba que há risco de abandono ou má adaptação, até antes (mensal ou até quinzenal, se necessário).