Anticoncepção durante a pandemia por COVID-19

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Anticoncepção durante a pandemia por COVID-19

09 abr. de 2020

Todas as informações abaixo, estão sujeitas a alterações.
Data da última atualização 09/04/2020 – 12h20

Posição da Comissão Nacional de Anticoncepção da Febrasgo

Relator – Rogério Bonassi Machado
 
As estratégias contraceptivas figuram como componentes essenciais na atenção a saúde reprodutiva. O acesso aos métodos contraceptivos propicia autonomia, reduzem gestações não planejadas e representam base sólida para o bem estar, particularmente em momentos de situações de instabilidade social.
 
Enquanto os sistemas de saúde se preparam para atender demandas sem precedentes de pessoas com COVID-19, os serviços de planejamento familiar requerem adaptações, incluindo alternativas para o atendimento sem prejuízo da continuidade do fornecimento de diferentes modalidades contraceptivas. Embora não existam evidencias da transmissão vertical, são motivos de preocupação as eventuais intercorrências médicas inerentes ao transcurso gestacional e que podem, por si próprias, independentes da COVID-19, demandar cuidados médicos e hospitalares em momento de absoluta pletora do sistema de saúde, em sua grande parte voltados ao atendimento das pessoas infectadas pelo Coronavírus. Recomenda-se, por estes motivos, sempre que possível, o adiamento de gestação neste momento. Em contrapartida, vale ressaltar, que segundo os atuais conhecimentos, não existem preocupações com as mulheres que engravidaram neste período. Tudo faz crer, que suas gestações evoluirão bem ainda que venham a ser infectadas pelo Coronavírus e que os seus recém-nascidos, consoante as evidências atualmente disponíveis, não sofrerão qualquer dano, mesmo nestas circunstâncias.
 
Nesse sentido, para o cenário atual, as seguintes estratégias podem ser consideradas: 

– Acesso ao aconselhamento e fornecimento do método contraceptivo: novas pacientes que solicitam contraceptivos devem ser orientadas por atenção médica presencial ou, onde disponível, por telemedicina, para que utilizem métodos contraceptivos eficazes, além dos preservativos.. A orientação inicial inclui a prescrição de um contraceptivo, seguida por facilitadores ao acesso, como entrega direta pelos agentes de saúde ou retirada em Unidades Básicas de Saúde. O gerenciamento de dúvidas ou eventos adversos pode ser realizado da mesma forma.

– Manutenção do método contraceptivo evitando a descontinuidade: a interrupção de um contraceptivo, como o oral combinado, além de relacionar-se a gestações não planejadas, pode aumentar o risco de eventos tromboembólicos no reinício do método. Assim, esforços devem ser dirigidos para a continuidade do uso desses métodos, por meio do rastreamento ativo de usuárias e fornecimento por agentes de saúde de contraceptivos. Da mesma forma, facilitadores de acesso são fundamentais. 

– Contracepção de Emergência: ações efetivas quanto à contracepção de emergência, incluindo opções de venda livre e prescrição podem ser realizadas por agentes de saúde ou à distancia. 

– Anticoncepcionais reversíveis de longa ação (LARC) e laqueadura tubárea: o fornecimento de LARC, bem como o agendamento das cirurgias de esterilização métodos tem sido postergados durante a pandemia. Entretanto, devem ser oferecidos métodos alternativos auto-administrados de alta eficácia, como contraceptivos orais, até que seja possível a inserção do método de longa ação ou a realização da cirurgia.

– Mulheres que utilizam dispositivos intrauterinos, de cobre ou hormonal, que necessitam de troca por final do prazo de vencimento devem ser orientadas e tranquilizadas, uma vez que estudos demonstram que a eficácia pode se manter por mais tempo que o prazo de vencimento, em geral até 1-2 anos. Ressalte-se ainda que, a critério médico e da própria usuária, método adicional auto-administrado pode ser prescrito concomitantemente.

Conteúdo Produzido pela Comissão Nacional de Anticoncepção da Febrasgo

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