Sangramento Uterino Anormal

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Sangramento Uterino Anormal

01 dez. de 2017

Liliane Diefenthaeler Herter:

Professora de Ginecologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Mestrado e Doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Chefe do Setor de Ginecologia Infantojuvenil do Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre. Membro da Comissão Nacional Especializada de Ginecologia Infantojuvenil da Febrasgo. Delegada da Sociedade Brasileira de Obstetrícia e Ginecologia da Infância e Adolescência (SOGIA-Br).

INTRODUÇÃO:

        A irregularidade menstrual é muito comum entre adolescentes e geralmente decorre de ciclos anovulatórios. Ambos são frequentes dentro dos dois primeiros anos após a menarca e vão progressivamente reduzindo em frequência. 1

Segundo Treloar et al 2, o intervalo menstrual entre o percentil 5 e 95 estão listados abaixo:

ANOS PÓS MENARCA

PERCENTIL 5

PERCENTIL 95

0

18,3

83,1

1

18,4

63,5

2

20,2

53,5

3

20,4

47,7

4

20,6

43,6

5

21,7

40,4

6

21,8

39,2

7

22

38,6

Após 5 anos da primeira menstruação, 90% das adolescentes apresentam ciclos menstruais entre 21 e 40 dias. 2 Ciclos maiores de 90 dias são raros, mesmo no primeiro ano pós-menarca 2 e anovulação pode persistir mesmo após 5 anos da primeira menstruação. 3

 

CAUSAS:

        Na adolescência, as causas mais comuns dos distúrbios menstruais estão listadas abaixo:

  • Sangramento irregular: anovulação 1, 4
  • Sangramento excessivo: anovulação, discrasia sanguínea. 4
  • Hiperandrogenismo + sangramento irregular: SOP, hiperplasia adrenal 4
  • Amenorreia primária: disgenesia gonadal, Sínd.de Rokitansky e atraso puberal constitucional 5
  • Amenorreia secundária: gravidez, SOP, amenorreia hipotalâmica disfuncional 4

 

 

CLASSIFICAÇÃO:

        Segundo a FIGO (2011) 6 o sangramento uterino anormal em mulheres não grávidas na menacme pode ser classificada de acordo com a nova nomenclatura denominada  PALM-COEIN, o qual separa em causas estruturais e não estruturais. Em adolescentes, na grande maioria das vezes, as causas são não estruturais.

CAUSAS ESTRUTURAIS

CAUSAS NÃO ESTRUTURAIS

P=  Pólipos

A=  Adenomiose

L=  Leiomiomas

M= Malignidade/ hiperplasia endometrial

C=  Coagulopatias

O=  Disfunção Ovulatória

E=  Fator Endometrial

I=   Causas Iatrogênicas

N=  Causas não classificadas ainda

AVALIAÇÃO:

        A avaliação laboratorial está indicada nos casos de: 7

  • Ausência de menarca após os 15 anos de idade ou 3 anos após a telarca
  • Ciclos menstruais > 90 dias
  • Ciclos menstruais > 60 dias após 2 anos da menarca
  • Ciclos menstruais > 45 dias após 3 anos da menarca
  • Ciclos menstruais > 40 dias após 6 anos da menarca
  • Ciclos menstruais < 21 dias
  • Sangramento intenso (> 7 dias, > 7 absorventes/dia ou troca de absorvente higiênico < 2 horas)

EXAMES INICIAIS DA AVALIAÇÃO:

  • Se amenorréia primária: TSH, PRL, FSH, ecografia pélvica
  • Se amenorreia secundária: BHCG, TSH, PRL, FSH, teste da progesterona (medroxiprogesterona 10 mg via oral por 10 dias)
  • Se sangramento intenso: hemograma, plaquetas, ferritina, TSH, ecografia pélvica
  • Se hiperandrogenismo e sangramento irregular: Testosterona total, androstenediona, 17-OHP, SDHEA, PRL, TSH, ecografia pélvica.

BIBLIOGRAFIA:

1                WITCHEL, S. F.  et al. The Diagnosis of Polycystic Ovary Syndrome during Adolescence. Hormone Research in Paediatrics, v. 83, n. 6, p. 376-389,  2015. ISSN 1663-2818. Disponível em: < <Go to ISI>://WOS:000357834800002 >.

2                TRELOAR, A. E.  et al. VARIATION OF HUMAN MENSTRUAL CYCLE THROUGH REPRODUCTIVE LIFE. International Journal of Fertility, v. 12, n. 1P2, p. 77-&,  1967. ISSN 0020-725X. Disponível em: < <Go to ISI>://WOS:A19679520400002 >.

3                APTER, D. Endocrine and metabolic abnormalities in adolescents with a PCOS-like condition: Consequences for adult reproduction. Trends in Endocrinology and Metabolism, v. 9, n. 2, p. 58-61, Mar 1998. ISSN 1043-2760. Disponível em: < <Go to ISI>://WOS:000073063700005 >.

4                ACOG. Practice bulletin nº 136 manegement of ing associated with ovulatory dysfunction. Obstet Gynecol, v. 122, n. 1, p. 176-179,  2013.  

5                REINDOLLAR, R. H.; BYRD, J. R.; MCDONOUGH, P. G. DELAYED SEXUAL DEVELOPMENT – A STUDY OF 252 PATIENTS. American Journal of Obstetrics and Gynecology, v. 140, n. 4, p. 371-380,  1981. ISSN 0002-9378. Disponível em: < <Go to ISI>://WOS:A1981LU79800002 >.

6                MUNRO, M. G.  et al. The FIGO classification of causes of abnormal uterine bleeding in the reproductive years. Fertil Steril, v. 95, n. 7, p. 2204-8, 2208.e1-3, Jun 2011. ISSN 1556-5653. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21496802 >.

7                ROSENFIELD, R. L. Adolescent Anovulation: Maturational Mechanisms and Implications. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism,

v. 98, n. 9, p. 3572-3583, Sep 2013. ISSN 0021-972X. Disponível em: < <Go to ISI>://WOS:000324175200025 >.

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