Pouco investimento em pesquisa interfere no tratamento da adenomiose, analisa especialista da FEBRASGO

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Pouco investimento em pesquisa interfere no tratamento da adenomiose, analisa especialista da FEBRASGO

03 abr. de 2023

Pouco investimento em pesquisa interfere no tratamento da adenomiose, analisa especialista da FEBRASGO

 

A doença, que é benigna e se apresenta como a presença de tecido menstrual na camada muscular do útero, afeta principalmente mulheres de 40 a 50 anos

 

A adenomiose é uma doença que atinge principalmente mulheres entre as idades de 40 a 50 anos. É benigna e sua caraterística principal é a presença do tecido menstrual (endométrio) na camada muscular do útero (miométrio). Ela pode ser assintomática ou causar sangramento menstrual excessivo, dor pélvica e cólicas menstruais.

 

“A causa da adenomiose ainda não está estabelecida, acredita-se que a exposição ao estrogênio contribua para o desenvolvimento da doença”, explica a Dra. Márcia Mendonça Carneiro, da Comissão Nacional Especializada em Endometriose da FEBRASGO. A ginecologista, que também é Professora Titular do Departamento de Ginecologia da UFMG, elucida que entre os fatores de risco, além da idade, estão menarca precoce, antes dos 10 anos de idade; ciclos menstruais curso, menos de 24 dias de intervalo; uso prévio de contraceptivos hormonais e tamoxifeno; IMC elevado; multiparidade, mais de duas gestações; histórico de abortamento; e cirurgias uterinas prévias.

 

Em 2021, segundo o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 11.463 procedimentos ambulatoriais e 3.791 procedimentos hospitalares relacionados ao diagnóstico da adenomiose. Existem evidências de que a doença é causa de infertilidade desse grupo entre 40 e 50 anos, mas também tem afetado mulheres mais novas.

 

Segundo a Dra. Márcia, com o avanço do diagnóstico por imagem através da ultrassonografia e da ressonância magnética, é possível ter como opção um tratamento conservador para quem desenvolve a adenomiose sintomática. “O tratamento engloba tanto o uso de medicação quanto o emprego de técnicas cirúrgicas conservadoras, que mantêm o útero e as chances de gravidez”, diz.

 

O tratamento medicamentoso se baseia no uso de hormônios que bloqueiam a menstruação. “Ainda não foi estabelecida a melhor forma de tratamento para a adenomiose, e as dificuldades estão relacionadas à presença de sintomas variados e à associação com outras condições ginecológicas, como miomas, pólipos e endometriose”, esclarece.

 

Quanto ao papel do ginecologista, a Dra. Márcia diz que cabe ao profissional fazer uma avaliação completa e tranquilizar a mulher sobre o diagnóstico e tratamento. “Infelizmente não há como prevenir a doença”, complementa. “Os cuidados com a saúde reprodutiva são vários e incluem dieta saudável, manutenção do peso, atividade física regular, uso de preservativo para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, e sobretudo, planejar a maternidade caso a mulher tenha planos de engravidar”, constata ao orientar esses esclarecimentos pelos médicos.

 

A integrante da Comissão de Endometriose da FEBRASGO ainda diz que, apesar dos avanços nas pesquisas nos últimos 20 anos, a adenomiose permanece com vários pontos que precisam ser esclarecidos, desde sua gênese até sua possível influência sobre a fertilidade e até perdas gestacionais. “Investir em pesquisas para encontrar formas adequadas de tratamento é fundamental. Infelizmente, as doenças benignas femininas como a adenomiose e a endometriose recebem poucos investimentos e, por isso, as pesquisas avançam em passos lentos”, conclui.

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