CBGO 2026: O que rola nas redes — quando o obstetra vira notícia

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CBGO 2026: O que rola nas redes — quando o obstetra vira notícia

29 maio. de 2026

As atividades do CBGO 2026 contemplam as sessões “O que rola nas redes”, criadas para discutir, com base em evidências científicas, o que é fato e o que é fake em temas que circulam nas redes sociais. A proposta também é orientar ginecologistas e obstetras sobre comportamentos adequados diante de cenários adversos, especialmente em situações sensíveis como o óbito fetal.

Nesse contexto, a Dra. Inessa Beraldo de Andrade Bonomi, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco da FEBRASGO, apresentou uma fala breve, mas de grande relevância, sobre o tema “Gravidez de Alto Risco nas Redes: Óbito Fetal — como o obstetra deve se comportar quando vira notícia”.

Segundo a especialista, quando um caso chega às redes sociais, ele deixa de ser apenas um caso clínico e passa a ser uma narrativa pública, que traz desafios de aspectos afetivos, assistenciais, institucionais e reputacionais.

“A manchete simplifica o prontuário complexo. A rede social exige culpados. A Medicina exige análise”, enfatiza Dra. Inessa.

Quando o Ginecologista ou obstetra vira notícia: regras importantes

A primeira orientação é clara: não postar, não rebater, não expor e não divulgar dados do prontuário. Em situações de grande repercussão, o foco deve estar nas providências imediatas, especialmente nas primeiras 24 horas.

Entre as principais condutas recomendadas estão:

  1. Acolher a família em ambiente reservado – A comunicação deve ser feita com linguagem clara, respeitando o tempo da família para silêncio, perguntas e elaboração da notícia.
  2. Confirmar tecnicamente o diagnóstico – Quando necessário, a avaliação deve ser repetida. É fundamental documentar a ausência de batimentos cardiofetais, o método utilizado, as condições da avaliação e o profissional responsável.
  3. Preservar e qualificar o prontuário – O registro deve incluir horários, queixas, exames, condutas, orientações, pessoas presentes, eventuais recusas e limitações identificadas.
  4. Acionar a instituição – A coordenação, a diretoria técnica, a segurança do paciente, o jurídico e a comunicação institucional devem ser acionados de forma organizada.
  5. Cumprir fluxos legais e epidemiológicos – Devem ser observados os procedimentos relacionados à declaração de óbito, investigação e notificações, conforme as normas locais.

E se o obstetra já virou notícia? O que fazer?

Quando a repercussão já está em curso, o profissional deve sair da ‘arena pública’ e seguir o fluxo institucional. A orientação é não responder individualmente nas redes sociais e não discutir informações do caso em grupos de WhatsApp ou outros ambientes informais.

Também é fundamental não apagar ou modificar registros. Caso haja necessidade de correção no prontuário, ela deve ser feita apenas por meio de adendo datado, identificável e justificado.

Entre as condutas recomendadas estão:

  • comunicar a chefia, a diretoria técnica, o jurídico e a comunicação institucional;
  • separar fatos de interpretações;
  • solicitar apoio emocional e jurídico precocemente;
  • manter postura ética, técnica e institucional;
  • preservar o sigilo e a dignidade da paciente e da família.

O que dizer à paciente e à família na comunicação do óbito fetal

A comunicação do óbito fetal exige cuidado, empatia e responsabilidade. A fala médica deve reconhecer a dor da família, explicar os próximos passos e evitar frases que possam minimizar o sofrimento.

Frases recomendadas

“Eu sinto muito. Sei que esta é uma notícia devastadora.”

“Nossa prioridade agora é cuidar de você, confirmar todas as informações necessárias e explicar cada passo.”

“Nem sempre conseguimos saber a causa imediatamente. Vamos investigar de forma responsável.”

“Vocês terão tempo para perguntar, decidir e serem acompanhados.”

Frases que devem ser evitadas

“Isso acontece.”

“Não tinha o que fazer.”

“Agora precisamos resolver.”

“A culpa não foi nossa.”

Principais mensagens para a prática médica

Ao final da apresentação, Dra. Inessa destacou pontos centrais para a atuação do obstetra diante de situações de óbito fetal.

  1. Óbito fetal é luto, não apenas evento adverso – A assistência deve considerar o sofrimento da família e a necessidade de acolhimento adequado.
  2. A primeira resposta deve ser acolhimento, confirmação e registro – Antes de qualquer posicionamento externo, é preciso cuidar da paciente, confirmar tecnicamente o diagnóstico e documentar corretamente as informações.
  3. Nas redes, o médico não debate caso identificável – A exposição pública pode violar sigilo, ampliar danos e prejudicar a análise técnica do caso.
  4. A prevenção começa antes – Protocolos, rede assistencial, documentação adequada e comunicação efetiva são fundamentais para uma prática segura.
  5. O prontuário conta os fatos; a comunicação define como eles serão vividos – A qualidade do registro e da comunicação impacta diretamente a compreensão do caso pela paciente, pela família e pela instituição.

A sessão reforçou que, diante de eventos obstétricos sensíveis, a atuação do ginecologista e obstetra deve estar baseada em ciência, ética, acolhimento e responsabilidade institucional.

 

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