CBGO 2026: Médica brasileira traz experiência internacional sobre rastreamento do câncer do colo do útero
29 maio. de 2026
Com sessão coordenada pela Dra. Adriana Bittencourt Campaner, presidente da CNE em Trato Genital Inferior, a médica brasileira Dra. Mila de Moura Behar Pontremoli Salcedo, membro da CNE em Trato Genital Inferior, ressaltou os avanços e desafios da nova era do rastreamento do câncer do colo do útero, especialmente diante da implementação do autoteste de DNA do HPV (autocoleta) como estratégia prioritária no Brasil.
Atualmente atuando no MD Anderson Cancer Center, em Houston (Texas, EUA), após anos de docência na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, a especialista destacou que o país vive uma importante mudança de paradigma no rastreamento da doença, com a transição da citologia convencional para o teste de HPV.
Segundo ela, essa transformação acompanha uma tendência global. “Diversos países e organizações internacionais vêm atualizando suas diretrizes. A Organização Mundial da Saúde lançou recentemente novas recomendações, e o Brasil também está avançando na atualização de suas diretrizes nacionais”, explicou.
A autocoleta para o teste de HPV — método em que a própria paciente realiza a coleta da amostra -tem sido uma estratégia apontada como ferramenta promissora para ampliar o acesso ao rastreamento, especialmente em regiões com maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde.
A especialista compartilhou em sua aula experiências internacionais de implementação do teste de HPV e da autocoleta em diferentes países, como Texas, Moçambique, Sudeste Asiático, America Latina e outras regiões de poucos recursos. Em um estudo realizado em Moçambique, com mais de 9 mil mulheres, mais de 97% das participantes optaram pela autocoleta. Entre aquelas que preferiram a coleta realizada por profissionais de saúde, o principal motivo relatado foi a insegurança quanto à realização correta do exame. “A grande maioria das mulheres consegue fazer uma coleta adequada. Mas é fundamental oferecer informação e orientação para aumentar a confiança das pacientes”, destacou.
Apesar dos avanços, a pesquisadora alertou que o sucesso do rastreamento depende não apenas da ampliação do acesso aos testes, mas também da garantia de acompanhamento e tratamento das pacientes com resultados positivos.
“Não basta rastrear milhares de mulheres se não conseguirmos garantir o tratamento daquelas que apresentarem lesões precursoras ou câncer. O cuidado precisa ser completo”, enfatizou.
A discussão reforça a importância de estratégias integradas e adaptadas às diferentes realidades regionais, considerando as desigualdades no acesso ao diagnóstico e tratamento do câncer do colo do útero no Brasil e no mundo.