CBGO 2026: Sessão FEBRASGO | SBRA | SBRH
29 maio. de 2026
Intitulada “Integração de condutas entre as sociedades de Reprodução Assistida — Planejamento Reprodutivo: contracepção segura e concepção saudável. A formação do ginecologista para um atendimento de excelência”, a sessão abordou muitos pontos além dos aspectos técnicos. Entre os destaques, estão:
A Dra. Maria do Carmo Borges de Souza, membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e membro da CNE em Reprodução Assistida da FEBRASGO, ministrou a aula “SBRA: Formação atualizada em planejamento reprodutivo: da contracepção à concepção, como evoluir?”. Entre os principais pontos abordados no tema estão:
Educação sexual: A informação clara e acessível sobre saúde reprodutiva, anatomia e prevenção é a base de qualquer estratégia relacionada à contracepção ou à concepção.
Acesso a métodos contraceptivos: É fundamental assegurar diferentes opções, como pílula, preservativo, DIU e implantes, além de garantir distribuição equitativa, especialmente em comunidades mais vulneráveis.
Planejamento familiar: As políticas públicas evoluíram para permitir que as pessoas possam decidir se desejam ter filhos, quando e em que número.
Tecnologias médicas: Avanços como criopreservação, fertilização in vitro, inseminação artificial e testes genéticos ampliaram as possibilidades de concepção.
Aspectos culturais e sociais: Transformações nos valores e nas normas sociais influenciam tanto a aceitação dos métodos contraceptivos quanto a busca por alternativas de concepção.
A Dra. Ines Katerina Damasceno Cavallo Cruzeiro, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, trouxe o tema “A consulta reprodutiva: como abordar a diversidade cultural, condições socioeconômicas e diferenças de gênero”.
- O tema é importante, pois a infertilidade é uma crise de saúde global. Uma em cada seis pessoas é afetada pela infertilidade, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde. Apenas 24% das necessidades relacionadas à infertilidade são efetivamente atendidas nos Estados Unidos. Em todo o mundo, cerca de 180 milhões de pessoas são afetadas pela infertilidade.
- O sucesso reprodutivo obviamente depende da biologia, mas a pessoa está inserida em um contexto social, cultural e econômico que não deve ser menosprezado, assim como seus valores, vulnerabilidades, diversidade sexual e de gênero.
- O médico precisa se despir de seus preconceitos para oferecer um atendimento adequado e individualizado em planejamento familiar.
- A escuta cultural não é gentileza, e sim ferramenta clínica.
- Prescrever sem considerar o acesso é planejar um tratamento que talvez nunca aconteça.
- É preciso lembrar que o médico em reprodução atende pessoas, não úteros e ovários.
“A melhor conduta clínica é a melhor conduta possível para aquele paciente”, declara a Dra. Ines.
- A Dra. Rívia Mara Lamata, presidente da CNE em Reprodução Assistida da FEBRASGO, falou sobre “FEBRASGO: como as sociedades podem contribuir para uma formação médica segura e ética em medicina reprodutiva”. Para ela, “A fertilidade está em declínio em todo o mundo, e isso tem impacto direto na população que envelhece, inclusive do ponto de vista previdenciário”. Confira alguns pontos de destque abaixo:
- O ginecologista é peça-chave na jornada reprodutiva.
- A infertilidade é um dos desafios de saúde pública e equidade negligenciados dos nossos tempos.
- A Medicina Reprodutiva está em constante revolução, mas isso gera pressão mercadológica, além de um desafio educacional.
- O compromisso da FEBRASGO e de sua Comissão Nacional Especializada em Reprodução Humana é atuar como braço técnico para o ginecologista, fornecendo as ferramentas necessárias para um diagnóstico seguro e um encaminhamento ético.
- A segurança do paciente e a ética médica não nascem de manuais estáticos; elas são construídas na prática, sob a chancela de quem tem a autoridade de ditar os rumos da especialidade: a FEBRASGO.
- A FEBRASGO age como uma bússola, criando comitês de resposta rápida que emitam pareceres, notas técnicas e consensos éticos em tempo real, servindo de escudo protetor para o médico que quer trabalhar de forma correta.
Por fim, a Dra. Hilka Flavia Barra do Espírito Santo Alves Pereira, vice-presidente da Região Norte da FEBRASGO, trouxe insights sobre “A justiça reprodutiva e a contribuição do ginecologista”. Em sua fala, ela abordou a história da justiça reprodutiva, além de alguns pontos como:
- O cenário brasileiro apresenta acesso desigual ao pré-natal, o que impacta a razão de mortalidade materna, além de gravidez na adolescência em contexto vulnerável e barreiras ao planejamento familiar.
- A orientação integral do ginecologista deve envolver atendimento ético e combate à violência contra a mulher.
- É preciso defender a autonomia da mulher para reduzir desigualdades.
- O ginecologista é um agente de justiça social para o cuidado clínico, a equidade, a defesa de direitos e a mobilização social.
- A reprodução assistida deve contemplar a inclusão social, sem preconceito no atendimento.
- “A escuta ativa não deve julgar, mas sim acolher.”
- O direito à justiça reprodutiva passa pela educação sexual abrangente, pelo treinamento profissional, pela diminuição das disparidades regionais e pela expansão do acesso aos métodos contraceptivos e à saúde.
“Somos agentes de transformação, sim. Temos que vestir essa camisa”, reforça Dra. Hilka.