Câmara aprova inclusão da ultrassonografia morfológica no pré-natal do SUS

Compartilhe a publicação
Câmara aprova inclusão da ultrassonografia morfológica no pré-natal do SUS

01 out. de 2025

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados deu aval a um Projeto de Lei que prevê a realização obrigatória de ultrassonografias morfológicas durante o pré-natal no Sistema Único de Saúde (SUS).

Pelo texto, a rede pública deverá oferecer pelo menos dois exames desse tipo às gestantes, medida que tem como objetivo acompanhar o desenvolvimento do feto, identificar malformações e avaliar possíveis riscos à saúde da mãe e do bebê. O não cumprimento da norma, salvo em casos devidamente justificados, poderá ser enquadrado como negligência médica.

“Ainda há um caminho para o Projeto de Lei percorrer e ser aprovado. A FEBRASGO entende a importância dessa análise para assegurar uma melhor avaliação da gestação”, pontua a Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da FEBRASGO.

A relatora do projeto, deputada Ana Paula Leão (PP-MG), apresentou substitutivo ao Projeto de Lei 4674/24, do deputado Beto Preto (PSD-PR). Em seu parecer, ela propôs que a nova regra seja incorporada à legislação já existente — a Lei 14.598/23, que assegura a realização do ecocardiograma fetal e da ultrassonografia transvaginal no SUS.

“Recebo com grande entusiasmo a tramitação do Projeto de Lei que propõe a inclusão da ultrassonografia morfológica no pré-natal do SUS. Essa medida está em plena consonância com os princípios que norteiam a Comissão Nacional de Ultrassonografia da FEBRASGO, que sempre pauta sua atuação pelo primor científico, pela busca de uma assistência equitativa e pela promoção de cuidados inclusivos em todo o território nacional”, declara a Dra. Lara Rodrigues Felix, obstetra desta CNE.

Intervenções precoces

A Dra. Lara explica que a realização das ultrassonografias morfológicas no pré-natal representa um marco na qualidade da assistência em saúde materno-fetal, pois amplia as informações sobre a morfologia e o desenvolvimento fetal, permitindo melhor direcionamento de recursos, o encaminhamento oportuno a centros terciários quando necessário e a otimização do planejamento assistencial. “Diagnósticos precoces oferecem às famílias envolvidas a possibilidade de receber orientações adequadas, preparar-se para o acolhimento de crianças com necessidades especiais, contar com atuação multiprofissional e, em casos selecionados, até mesmo acessar terapias de alta complexidade, como as cirurgias intrauterinas”, conta.

A especialista da FEBRASGO destaca ainda a tranquilização que o exame proporciona nos casos normais, que são a grande maioria, além de reforçar ainda mais o vínculo afetivo entre as famílias e o bebê que está para chegar. Quando realizados nos períodos adequados, esses exames contribuem para a prevenção de condições de grande impacto em saúde pública.

“O exame morfológico do primeiro trimestre, por exemplo, ao incorporar o Doppler de artérias uterinas, possibilita identificar gestantes em maior risco para pré-eclâmpsia, permitindo a introdução precoce de medidas preventivas de alta eficácia. Já no exame morfológico do segundo trimestre, a avaliação do colo uterino por via transvaginal possibilita selecionar as gestantes com risco aumentado de parto prematuro, garantindo a prescrição de medicações e intervenções capazes de reduzir esse desfecho”, explica a Dra. Lara.

O impacto da adoção desses exames em larga escala é expressivo: redução de internações, melhor alocação de recursos, economia de gastos em saúde pública e, sobretudo, a diminuição da morbimortalidade materna e perinatal.

Status do Projeto de Lei

A proposta tramita em caráter conclusivo e ainda passará pelas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; Saúde; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania. Para entrar em vigor, precisará ser aprovada pelo plenário da Câmara e, em seguida, pelo Senado.

 

Fonte: Agência Câmara de Notícias

 

Veja mais conteúdos

Mulheres são mais vulneráveis às infecções sexualmente transmissíveis por fatores biológicos, revela especialista

12 jun. de 2026

Doação de sangue salva vidas na Ginecologia e Obstetrícia, alerta FEBRASGO

12 jun. de 2026

Nota técnica sobre a suspensão da vacina contra dengue do Butantan

09 jun. de 2026

FEBRASGO alerta: Mulheres acima dos 40 anos não devem deixar vacinação fora da rotina de cuidado

09 jun. de 2026

Gestrinona: o anabolizante vendido com falsas promessas

03 jun. de 2026

Nota de Falecimento – Professor Hans Wolfgang Halbe

01 jun. de 2026

CBGO 2026: especialistas de países de língua portuguesa discutem desafios para reduzir o câncer do colo do útero e a mortalidade materna.

01 jun. de 2026

CBGO 2026: Fórum de Defesa Profissional debate uso da inteligência artificial na Ginecologia e Obstetrícia

01 jun. de 2026

CBGO2026: palestra do Dr. Frank Louwen reforça importância da capacitação em parto pélvico

01 jun. de 2026

CBGO 2026 encerra edição marcada por ciência, pactos pela saúde da mulher e integração entre sociedades

01 jun. de 2026

CBGO 2026 chega ao último dia com final do Febraquiz e programação científica intensa

01 jun. de 2026

Informação, movimento e inovação marcam a experiência dos congressistas no CBGO 2026

01 jun. de 2026