Junho Laranja alerta para a prevenção da anemia e o diagnóstico precoce da leucemia durante a gestação
18 jun. de 2026
- Acompanhamento pré-natal é fundamental para identificar alterações sanguíneas que podem comprometer a saúde da mãe e do bebê
O Junho Laranja é uma campanha de conscientização voltada à prevenção da anemia e ao diagnóstico precoce da leucemia, duas condições que afetam o sangue e que merecem atenção especial durante a gestação. Embora a anemia seja relativamente comum entre as gestantes, a identificação precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar complicações maternas e fetais. Já a leucemia, apesar de rara nesse período, pode apresentar sinais que se confundem com sintomas próprios da gravidez, tornando o acompanhamento médico ainda mais importante.
Segundo a Dra. Venina Isabel Poco Viana Lemes de Barros, ginecologista e presidente da Comissão Nacional Especializada em Tromboembolismo Venoso e Hemorragia da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a anemia está presente em cerca de 30% das gestantes e das mulheres em idade reprodutiva. A principal causa é a deficiência de ferro, conhecida como anemia ferropriva, condição que pode trazer consequências significativas para a saúde da mãe e do bebê.
“A anemia eleva os riscos maternos e fetais: aumento da incidência de hemorragia no parto, aumento do risco de abortamento, restrição de crescimento fetal e até mesmo óbito fetal. Alguns estudos sugerem que a anemia e a deficiência de ferro na gravidez e pós-parto podem contribuir para os casos de depressão nas duas situações, devido ao mal-estar gerado pela anemia”, explica a especialista.
Durante o pré-natal, exames simples permitem identificar precocemente a deficiência de ferro. Entre eles estão o hemograma e a dosagem de ferritina, que devem ser realizados preferencialmente já no primeiro trimestre da gestação. Quando a anemia é diagnosticada, o tratamento geralmente é feito com suplementação oral de ferro, acompanhada por monitoramento laboratorial para avaliar a resposta da paciente.
“Ao longo do pré-natal, toda gestante deve receber suplementação de ferro via oral para a prevenção da anemia. Em casos de intolerância ao tratamento ou quando a deficiência é mais grave, pode ser necessária a reposição intravenosa, garantindo uma recuperação mais rápida e eficaz”, destaca a médica.
Além da anemia, outras doenças hematológicas também merecem atenção no período da gestação, a exemplo da leucemia. Embora rara durante a gravidez, a doença pode causar sintomas como cansaço intenso e persistente, palidez, falta de ar, infecções frequentes, febre sem causa aparente, sangramentos incomuns, hematomas espontâneos, dores ósseas, suor noturno excessivo e aumento dos gânglios linfáticos. Alterações importantes nos exames de sangue, especialmente anemia que não melhora com o tratamento habitual, redução das plaquetas ou alterações nos glóbulos brancos, também podem levantar suspeitas e exigir investigação especializada.
De acordo com a Dra. Venina, o pré-natal desempenha papel essencial na detecção precoce dessas alterações. “Muitas doenças do sangue não apresentam sintomas nas fases iniciais. Por isso, as consultas regulares e os exames laboratoriais são indispensáveis para identificar alterações antes que elas provoquem complicações mais graves para a mãe e para o bebê”, afirma.
A especialista reforça que a realização de todas as consultas e exames recomendados pelo obstetra é uma das principais formas de proteger a saúde materna e fetal. Além de permitir o diagnóstico precoce da anemia, o acompanhamento adequado contribui para a identificação de infecções, distúrbios da coagulação e, em situações mais raras, doenças hematológicas graves, possibilitando tratamento oportuno e melhores desfechos para a gestação.