FEBRASGO alerta: Mulheres acima dos 40 anos não devem deixar vacinação fora da rotina de cuidado

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FEBRASGO alerta: Mulheres acima dos 40 anos não devem deixar vacinação fora da rotina de cuidado

09 jun. de 2026

Baixa percepção de risco, falta de registro vacinal, consultas rápidas e custo de algumas vacinas ainda dificultam a imunização de mulheres adultas

 

A vacinação não deve ser lembrada apenas na infância. Para mulheres acima dos 40 anos, manter o calendário vacinal atualizado é uma medida importante de prevenção, especialmente diante do envelhecimento populacional e do aumento do risco de doenças infecciosas e complicações associadas. O alerta é da Dra. Cecilia Maria Roteli Martins, ginecologista e membro da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

A médica conta que a mulher adulta precisa incluir a revisão vacinal como parte do cuidado regular com a saúde. Entre as principais vacinas estão o reforço contra tétano, que deve ser feito a cada 10 anos; hepatite B, quando o esquema não foi completado ou quando a mulher não sabe se foi vacinada; tríplice viral, de acordo com o histórico vacinal e a indicação médica; influenza, que deve ser anual; e dengue, indicada até os 59 anos (obs: a vacina da dengue inativada produzida pelo Butantã, que estava sendo administrada para profissionais de saúde, foi descontinuada temporariamente de acordo com anúncio do Ministério da Saúde em 08/06/2026, veja aqui).

A partir dos 60 anos, a atenção deve ser ampliada. Além da influenza anual e dos reforços contra tétano e difteria, entram no calendário vacinas como as pneumocócicas, voltadas à prevenção de pneumonia, e a vacina contra o herpes-zóster. “Na mulher 40 mais, incluindo a idosa, temos todas essas vacinas como parte de uma estratégia importante de prevenção”, reforça a especialista.

No caso de gestantes com 40 anos ou mais, o calendário vacinal é o mesmo indicado para gestantes de outras idades. A vacina contra coqueluche deve ser aplicada em cada gestação, a partir de 20 semanas. A vacina contra influenza deve ser feita durante a gestação, independentemente da idade gestacional. A vacina contra covid-19 deve ser aplicada em pelo menos uma dose a cada seis meses, já que a gestante é considerada grupo de risco.

A hepatite B também deve ser completada ou iniciada quando a gestante não sabe se foi vacinada. Outra vacina importante é a contra o vírus sincicial respiratório, o VSR, indicada para prevenir bronquiolite no bebê. “Essas vacinas da gestante, seja ela antes ou depois dos 40 anos, visam proteger a mãe e favorecer a transferência de anticorpos para o bebê”, explica Dra. Cecilia.

Uma das principais barreiras na vacinação de mulheres adultas é a baixa percepção de risco. “A mulher adulta não tem a mesma noção de risco que costuma ter em relação a uma criança. Ela leva os filhos para vacinar, mas nem sempre percebe que também precisa ser vacinada”, afirma a ginecologista.

Outros obstáculos também interferem na adesão: dificuldade de acesso a serviços preparados para vacinação de adultos, ausência de registros vacinais, consultas médicas cada vez mais rápidas, pouco tempo para o profissional revisar o calendário e, em alguns casos, o custo das vacinas. Na população adulta e idosa, algumas vacinas, como zóster e vírus sincicial respiratório para adultos, ainda não estão disponíveis no serviço público. Esse custo pode contribuir para a hesitação vacinal.

Para a FEBRASGO, o ginecologista ocupa posição estratégica na atualização vacinal das mulheres, pois muitas vezes é o médico que acompanha a paciente de forma mais regular ao longo da vida. “O ginecologista é o clínico da mulher. Por isso, temos a obrigação de reservar um tempo no início da consulta para atualizar o calendário vacinal dessa paciente”, orienta Dra. Cecilia.

A especialista lembra que a vacinação de adultos não protege apenas contra infecções agudas. Doenças como influenza, herpes-zóster, covid-19 e infecção pelo vírus sincicial respiratório também podem estar associadas a riscos aumentados de eventos cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral.

Por isso, a orientação é que a mulher acima dos 40 anos converse com seu ginecologista sobre seu histórico vacinal e leve, sempre que possível, a carteira de vacinação para a consulta. Quando o registro não existe ou está incompleto, o médico pode avaliar a necessidade de atualização.

A FEBRASGO reforça que vacinação é parte do cuidado integral da mulher. A consulta ginecológica deve ser uma oportunidade não apenas para rastrear doenças, mas também para prevenir infecções, reduzir riscos e promover envelhecimento mais saudável.

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