Estudo revela que uma em cada dez mulheres enfrentam dificuldades para criar laços emocionais com seus bebês

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Estudo revela que uma em cada dez mulheres enfrentam dificuldades para criar laços emocionais com seus bebês

04 set. de 2023

Um estudo recente conduzido pela fundação britânica Parent-Infant revelou que uma em cada dez mulheres enfrenta dificuldades para criar laços emocionais com seus bebês. Surpreendentemente, cerca de 73% dessas mulheres não recebem orientações sobre como fortalecer o vínculo afetivo com seus filhos, muitas vezes recebendo apenas direcionamentos simplistas para estabelecer uma conexão emocional como parte essencial do desenvolvimento saudável do bebê. Esses dados refletem uma realidade alarmante no Brasil, onde a depressão pós-parto afeta cerca de 25% das mães no período de seis a 18 meses após o parto, evidenciando a necessidade urgente de abordar essa questão de saúde mental materna.

 

O Dr. Ricardo Porto Tedesco, membro da Comissão Nacional Especializada em Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério da Febrasgo, Dr. Ricardo Porto Tedesco, explica que o obstetra é o primeiro profissional a ter contato com os sintomas depressivos de pacientes e portanto devem ter atenção e sensibilidade a lidar com esses casos. “O grande problema é você não diagnosticar oportunamente e a situação tomar uma proporção maior, o que fica mais difícil de tratar e deixa sequelas que se estabelecem na relação da mãe com o bebê”, diz o especialista.

 

A depressão pós-parto pode estar relacionada a diversos fatores como físicos, hormonais, emocionais, estilo de vida da mãe ou pode estar ligado a transtornos psiquiátricos anteriores, como depressão e ansiedade previamente diagnosticados. “A depressão é uma situação crônica, que tem altos e baixos, então na primeira consulta que o médico faz com a gestante é preciso ser feito esse questionamento se já houve um quadro depressivo anterior. Esse é um grande fator de risco para o desenvolvimento da doença durante a gravidez e principalmente no pós-parto. A falta de um grupo de apoio, seja familiar, do parceiro ou de amigos durante a gestação e após o parto pode colaborar para o desenvolvimento de um quadro depressivo”, alerta o ginecologista.

 

Prevenção

 

O médico ressalta que dependendo do quadro a prevenção é feita com terapia, ou até mesmo com antidepressivos, e que algumas dessas medicações podem ser usadas com segurança durante a gestação. Ele também menciona a importância do obstetra acolher a gestante, que pode muitas vezes chegar às consultas de maneira fechada e receosa. “Se o médico der espaço, a paciente vai falar sobre seus medos e anseios”, afirma Tedesco.

 

Sintomas

Sinais depressivos podem se apresentar com manifestações de cansaço, moleza e sonolência excessivos, vontade de se isolar, ou a queixa de que não está tão vibrante com a gestação como deveria, estes são indicativos de que a mulher não está bem no ponto de vista emocional e o papel do obstetra é identificar esses casos.

 

O pós-parto é quando a situação se acentua, pois entra a privação do sono que afeta e agrava o quadro depressivo. “O obstetra precisa saber que existe um período entre duas ou três semanas após o parto em que sintomas depressivos são comuns e 80% das mulheres têm, que é o chamado blues puerperal”, explica Dr. Ricardo. O blues puerperal não quer dizer que a mulher tem uma depressão pós-parto, mas caso se estenda por mais do que o período de três semanas ou dependendo da intensidade dos sintomas, se a mulher está muito chorosa ou apresentando uma rejeição ao bebê, também deve ser um alerta para o obstetra.

 

“Apesar de ser uma complicação da gestação, o tratamento não é da ossada do obstetra, é um distúrbio psiquiátrico e tem que ser tratado por um psiquiatra. O obstetra tem que ter a sensibilidade para fazer o reconhecimento para depois encaminhar adequadamente”, conclui o médico.

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