Osteoporose antes da menopausa pode sinalizar outras doenças
02 out. de 2026
Em 50% a 90% dos casos, perda óssea importante nessa fase está associada a doenças, medicamentos ou fatores de risco identificáveis
A osteoporose costuma ser associada à pós-menopausa, mas também pode ocorrer em mulheres mais jovens. Nessa faixa etária, porém, o quadro é incomum e exige atenção: em 50% a 90% dos casos, a osteoporose ou a ocorrência de fraturas por fragilidade está relacionada a uma causa secundária, como alterações hormonais, doenças crônicas, uso de determinados medicamentos, baixo peso ou fatores nutricionais.
Segundo a Dra. Adriana Orcesi Pedro, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Osteoporose da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – FEBRASGO, a investigação deve ir além da densidade mineral óssea. “Na mulher na pré-menopausa, encontrar massa óssea reduzida não significa, necessariamente, que estamos diante de uma osteoporose primária. É fundamental procurar causas que possam estar contribuindo para essa perda”, explica.
Entre os principais fatores de risco estão a insuficiência ovariana prematura, amenorreia hipotalâmica funcional, anorexia nervosa, menarca tardia, baixo índice de massa corporal, baixa massa muscular e perda de peso. Também merecem atenção doença celíaca, doença inflamatória intestinal, artrite reumatoide e doenças crônicas dos rins e do fígado.
Alguns medicamentos também podem comprometer a saúde óssea. É o caso dos glicocorticoides, dos inibidores da aromatase, como anastrozol e letrozol, e de medicamentos que interferem no eixo hormonal, como os análogos de GnRH.
Outro ponto importante: cerca de 90% da massa óssea é adquirida até os 18 anos de idade, e o chamado pico de massa óssea ocorre, principalmente, até o final da terceira década de vida. Embora a genética tenha grande influência, fatores como ingestão inadequada de cálcio, vitamina D e proteínas, baixa atividade física, tabagismo e consumo excessivo de álcool podem impedir que a mulher atinja todo o potencial de massa óssea.
“Quanto melhor o pico de massa óssea construído na juventude, maior a reserva para as décadas seguintes. Por isso, a prevenção começa muito antes da menopausa”, destaca a especialista, que dará aula sobre este tema durante o 20º Congresso Internacional de Menopausa.
A FEBRASGO reforça que não há indicação de densitometria óssea de rotina para todas as mulheres na pré-menopausa. O exame deve ser solicitado de forma individualizada, principalmente diante de fraturas por fragilidade, fatores de risco importantes ou causas secundárias confirmadas.
Na maioria dos casos, o primeiro passo é tratar a condição de base e corrigir fatores modificáveis. Medidas como alimentação adequada, consumo suficiente de cálcio, vitamina D e proteínas, atividade física regular com exercícios que envolvam sustentação de peso, não fumar e limitar o álcool são fundamentais.
O tratamento medicamentoso para osteoporose antes da menopausa é reservado para situações específicas, principalmente quando há alto risco de fratura ou perda óssea persistente, mesmo após a correção das causas secundárias.
“A mensagem principal é que osteoporose em mulheres jovens não deve ser banalizada. É preciso entender por que essa perda óssea está acontecendo e agir sobre a causa, porque isso influencia diretamente a resposta ao tratamento e a saúde do esqueleto no longo prazo”, conclui a Dra. Adriana Orcesi.