Especialista da FEBRASGO alerta: Fitoterápicos para fogachos têm evidências limitadas e não devem substituir tratamentos comprovados

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Especialista da FEBRASGO alerta: Fitoterápicos para fogachos têm evidências limitadas e não devem substituir tratamentos comprovados

30 set. de 2026

  • Isoflavonas, cimicífuga, maca peruana e outros produtos naturais apresentam resultados inconsistentes para sintomas vasomotores da menopausa
  • A pauta faz parte da grade científica do 20º Congresso Mundial de Menopausa que começa hoje

 

Fogachos e suores noturnos estão entre os sintomas que mais afetam a qualidade de vida durante o climatério e a menopausa. Diante deles, muitas mulheres recorrem a fitoterápicos e produtos naturais em busca de alternativas à terapia hormonal. O problema é que, embora alguns desses produtos sejam amplamente divulgados como opções para aliviar os sintomas, as evidências científicas ainda são limitadas e inconsistentes para a maioria deles.

Segundo a Dra. Lucia Helena Simoes da Costa Paiva, ginecologista que lidera a Comissão Nacional Especializada em Climatério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia- FEBRASGO, a terapia hormonal da menopausa (TH) continua sendo o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores. Para mulheres que apresentam contraindicações ou preferem não fazer a TH, existem opções não hormonais, mas a escolha deve priorizar tratamentos com eficácia demonstrada.

Entre os fitoterápicos mais conhecidos estão as isoflavonas da soja, compostos classificados como fitoestrogênios. Elas conseguem interagir com receptores de estrogênio e podem exercer efeitos diferentes conforme o tecido. “Alguns estudos mostram uma redução modesta na frequência ou intensidade dos fogachos, mas os resultados são bastante heterogêneos. Quando analisamos revisões sistemáticas mais rigorosas, não há demonstração consistente de benefício clínico em relação ao placebo”, explica a especialista.

Para a cimicífuga (Actaea racemosa L.) conhecida como black cohosh ou cimicífuga, alguns estudos mais recentes de maior porte sugerem melhora dos sintomas, enquanto outros não encontram benefício relevante. Além disso, existem relatos de eventos adversos hepáticos, o que exige cautela com dados mostrando segurança no uso por três a seis meses. A maca peruana também não apresenta, até o momento, evidências suficientes para recomendar seu uso no tratamento dos sintomas vasomotores

Outros produtos frequentemente associados ao alívio dos sintomas da menopausa — como extratos de pólen, succinato de amônio, ruibarbo siberiano, ginseng, erva-de-são-joão, ginkgo biloba e ômega-3 — igualmente não contam com evidências consistentes que sustentem sua indicação para fogachos e suores noturnos.

“É importante desfazer a ideia de que, por ser natural, um produto necessariamente funciona ou é totalmente seguro. Além de a eficácia não estar bem estabelecida para muitos desses compostos, eles também podem causar efeitos adversos ou interagir com medicamentos”, ressalta a Dra. Lucia, que dará aula sobre o tema durante o 20º Congresso Mundial de Menopausa.

Quando a terapia hormonal não é indicada ou não é desejada, a FEBRASGO orienta que sejam consideradas alternativas não hormonais com melhor respaldo científico. Entre elas estão alguns antidepressivos, gabapentinoides e antagonistas dos receptores de neurocinina, mas sempre com acompanhamento médico.

A escolha do tratamento deve ser sempre individualizada, considerando a intensidade dos sintomas, presença de outras doenças, risco de efeitos adversos e as preferências da mulher. “Não existe uma solução única para todas. O mais importante é que a decisão seja baseada em evidências científicas e feita em conjunto com o médico, para que a mulher tenha alívio dos sintomas com segurança”, conclui a Dra. Lucia Helena.

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