Amamentação sem mitos: especialista da FEBRASGO esclarece seis dúvidas comuns
03 ago. de 2026
- No Agosto Dourado, médica explica o que realmente interfere na produção de leite, quando a dor merece atenção e por que apoio adequado faz diferença desde a maternidade
O tamanho das mamas interfere na produção de leite? A cesariana impede o aleitamento? Sentir dor intensa nos primeiros dias é normal? Essas são dúvidas frequentes entre gestantes e puérperas e, muitas vezes, informações incorretas aumentam a insegurança, justamente, quando a mulher precisa de acolhimento e orientação.
Em referência ao Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre o aleitamento materno, a Dra. Silvia Regina Piza, presidente da Comissão Nacional Especializada em Aleitamento Materno da FEBRASGO – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, esclarece seis mitos e verdades sobre o tema.
- Mulheres que tiveram pouco aumento das mamas na gravidez produzem menos leite.
Mito. Durante a gestação, as mamas passam por alterações na circulação, nos ductos e nos tecidos, preparando-se para o aleitamento. No entanto, o volume mamário não determina a capacidade de produção de leite. “A produção está diretamente relacionada ao estímulo provocado pela sucção do recém-nascido. Quanto maior e mais adequado esse estímulo, maior tende a ser a produção”, explica a médica.
- A cesariana pode atrasar a descida do leite, mas não impede o sucesso da amamentação.
Verdade. O parto cesáreo pode atrasar a apojadura — nome dado ao aumento da produção e à descida do leite nos primeiros dias —, mas isso não significa que a amamentação será prejudicada. Segundo a especialista, algumas medidas ajudam a favorecer o processo, como evitar sedação excessiva na assistência ao parto, realizar o contato pele a pele e o aleitamento ainda na sala de parto, preferencialmente antes da primeira hora de nascimento.
“O contato imediato e a busca espontânea do bebê pela mama já contribuem para os estímulos hormonais envolvidos na produção de leite”, afirma.
- Dor intensa nos primeiros dias deve ser considerada normal.
Mito. Algum desconforto inicial pode ocorrer por causa da descida do leite, do ingurgitamento das mamas ou da adaptação da mãe e do bebê. Dor forte, porém, não deve ser ignorada. “A dor intensa precisa ser avaliada, pois pode indicar pega inadequada, favorecendo a ocorrência de fissuras, inflamação ou outras dificuldades que exigem correção e acompanhamento”, orienta Dra. Silvia.
- Obesidade, diabetes e síndrome dos ovários policísticos podem dificultar o início da amamentação.
Verdade. Alterações hormonais e metabólicas associadas à obesidade, ao diabetes e à síndrome dos ovários policísticos podem interferir no início da produção de leite. Porém isso não significa que essas mulheres não possam amamentar. “Com acompanhamento, orientação e medidas adequadas, essas dificuldades podem ser superadas”, ressalta a especialista.
- Oferecer fórmula na maternidade pode interferir na amamentação exclusiva.
Verdade. Em partos de risco habitual, quando mãe e bebê apresentam boas condições clínicas, a recomendação é manter o recém-nascido em alojamento conjunto e oferecer o peito sempre que houver sinais de fome. A introdução de fórmula sem indicação clínica pode reduzir a frequência das mamadas e, consequentemente, o estímulo necessário para a produção de leite.
“O bebê deve permanecer próximo da mãe e ser amamentado em livre demanda, desde o nascimento até a alta hospitalar. A fórmula só deve ser utilizada quando houver necessidade devidamente avaliada”, explica Dra. Silvia.
- A pega correta é mais importante do que o formato do mamilo.
Verdade. O formato do mamilo pode gerar preocupação, especialmente nos casos de mamilos planos ou invertidos, mas não é, por si só, um impedimento para amamentar. O bebê precisa abocanhar não apenas o mamilo, mas boa parte da aréola. Uma pega adequada favorece a retirada do leite, evita dor e lesões e aumenta as chances de continuidade do aleitamento.
“Com orientação correta, é possível ajustar a posição e a pega, inclusive quando existem características anatômicas que inicialmente parecem dificultar a amamentação”, conclui.