U.onSex – Proposta de um teste rápido de screening para medir (dis)função sexual feminina

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U.onSex – Proposta de um teste rápido de screening  para medir (dis)função sexual feminina

23 maio. de 2018

Introdução

          A disfunção sexual feminina (DSF) consiste na incapacidade de participar do relacionamento sexual com satisfação, caracterizada por dificuldades no ciclo da resposta sexual, com duração de mais de seis meses, causando angústia pessoal ou inadequação entre o casal. (American Psychiatric Association, 2014; SHIFREN JL et al, 2008; CLAYTON AH et al, 2013),). Associada a fatores biológicos, psicológicos e sociais, afetada pelo estado intrapsíquico e relacional da mulher (CAVALCANTI,2012), a DSF é multifacetada e necessita de abordagem multidimensional (BITZER J et al, 2013). A saúde sexual é considerada um direito humano e ,portanto, tem impacto na qualidade da vida e nas relações interpessoais. (KINGSBERG SA et al 2013; BUSTER JE et al, 2013). É fator chave na direção de maior equidade de gênero (World Association for Sexual Health, 2014).

          É difícil precisar a prevalência das disfunções sexuais nas diferentes sociedades; porém, um consenso internacional estabelecido pelas associações de urologia e medicina sexual, reuniu 200 especialistas multidisciplinares de 60 países e reconheceu a prevalência de DSFs, em torno de 40-45%. (LEWIS RW et al, 2004). No Brasil, amostra de 2.835 indivíduos (53% mulheres) maiores de 18 anos, a prevalência encontrada foi: 34,6% de falta de desejo (FDS),  29,3%, disfunção orgásmica (DO) e 21,1% dor na relação (DRS) (ABDO C. H. N., 2002).

         Em função de suas características, a DSF não pode ser medida diretamente, mas através de seus sintomas ou características observáveis associadas. Por esta razão a DSF pode ser classificada como uma variável (ou traço) latente.

        Existem diferentes instrumentos para avaliar a disfunção sexual feminina (DSF), mas costumam ser longos, demandar tempo, e, em geral, formulados para profissionais com especialidade em sexualidade, para pesquisas ou situações específicas. Poucos são os instrumentos que propõem uma versão simplificada e de fácil aplicação. (GIRALDI et al, 2011)

         As DSFs são frequentemente negligenciadas na prática clínica, por carência na formação, dificuldade de diagnóstico e complexidade dos instrumentos. Além disso, ocorre inibição da paciente (com rara queixa espontânea) ou do médico (constrangimento em investigar). (ABDOLRASULNIA, 2010).

           Frente a este cenário, apresento um teste rápido de screening, denominado “U. ON SEX”,  ou Você no sexo”.  Este nome sugere a questão principal a ser abordada, de rotina, em uma anamnese, para facilitar a visibilidade da saúde sexual feminina: – “Afinal, como você está no sexo?”. O teste está em processo de validação (fase II), já foi submetido a metodologia TRI e a validação interna, para tornar possível medir o nível de DSF. O teste é de fácil aplicabilidade na prática clínica diária, especialmente para ginecologistas/obstetras não especialistas em sexualidade.

 

O  TESTE RÁPIDO – “U. ON SEX” 

 

Instruções: a paciente deve ter vida sexual ativa, nos últimos 6 meses. As respostas são baseadas em como tem sido habitualmente a sua vida sexual.

 

F – I – Com que frequência (quantas vezes) você costuma ter relações sexuais por mês?

 

1- (   ) De  0-1 por mês.

2- (   ) De 2-11 por mês.

3- (   ) 12 ou mais vezes por mês.(3 ou mais por semana).

 

O – II –De cada 10 relações sexuais que você tem, em quantas você costuma ter orgasmo? (independente de como você consegue ter ou do tempo que leve para ter 10 relações…)

 

1- (   ) De 0-1/ em cada10 relações sexuais.

2- (   ) De 2-6/em cada10 relações sexuais.

3- (   ) 7 ou mais/em cada10 relações sexuais.

 

I III – De cada 10 relações sexuais que você tem, em quantas você toma a iniciativa/ interesse em começar a relação sexual?

 

1- (   ) 0-1/ de cada 10 relações sexuais.

2- (   ) 2-6/de cada 10 relações sexuais.

3- (   ) 7 ou mais/ de cada 10 relações sexuais

 

Questões Complementares:

 

DOR – A – De cada 10 relações sexuais que você tem,  você chega a ter dor ou desconforto? Em quantas? ( Independente do tempo que leve para ter 10 relações…)

 

1 – (   ) 7 ou mais em 10.

2 – (   ) 2-6/10.

3 – (   ) 0-1/10.

 

B – As suas relações sexuais são preferencialmente:

 

1 – (   ) com homens.

2 – (   ) com mulheres.

3 – (   ) com homens e /ou mulheres.

 

C – De 0 – 10, que nota você daria para o grau de satisfação em relação a sua vida sexual?(sendo 0 ruim e 10 excelente ) _______________.

 

D – Você diria que tem problemas na sua vida sexual?

 (   ) sim. (   ) não.

 De 0-10, O quanto que esses problemas na sua vida sexual causam angústia ou stress?  (sendo 0 – nenhum stress/ 10 – muito stress)_________________.

 

Nota: 1   Este é apenas um teste rápido de screening, um instrumento para facilitar. a abordagem sobre saúde sexual feminina. Acima estão relacionadas as questões estudadas para compor o teste rápido, e como realizá-las. Há questões sugeridas que são apenas complementares, para ampliar a abordagem em sexualidade. 2Objetivo: O teste se pretende muito rápido. As quatro questões principais são: frequência, orgasmo, dor e interesse/iniciativa (sinalizadas em vermelho), com as quais podemos montar um escore. 3 Escore: cada uma das 4 questões principais tem três respostas que valem de 1-3; observe que o item DOR é invertido. Quanto maior a pontuação, menor a probabilidade de DSF. A pontuação pode variar de 4-12. O ponto de corte nos testes realizados (Curva ROC) foi 7,5. De forma simplificada, podemos dizer que, abaixo de 7, recomenda-se a necessidade de intervenção ou encaminhamento. 4 Aplicabilidade prática: além disso, com essas quatro questões já podemos ter uma idéia de qual dimensão da saúde sexual está mais afetada, entre as queixas mais prevalentes. Ainda, é possível mensurar após um manejo o grau de melhora/piora, bem como questionar como era habitualmente quando ela tinha melhor qualidade de vida sexual (em sua melhor fase) para servir de parâmetro atual.

Autora:
Sandra Cristina Poerner Scalco, Ginecologista e Obstetra, título em área de atuação em Sexologia pela FEBRASGO

 

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