Gestrinona: o anabolizante vendido com falsas promessas

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Gestrinona: o anabolizante vendido com falsas promessas

03 jun. de 2026

A FEBRASGO alerta para o uso indiscriminado da gestrinona e de outros hormônios manipulados oferecidos com promessas de ganho de massa magra, redução de gordura corporal, melhora da performance física, aumento da libido e até tratamento de endometriose, sem respaldo científico adequado para essas finalidades. A gestrionan é um anabolizante, e, portanto, tem efeitos perigosos para a saúde.

O tema voltou ao debate após reportagem publicada pelo Estadão, intitulada “Bomba’ disfarçada de tratamento: mulheres usam anabolizante sem saber — e médicos lucram com isso” (para ler, clique aqui). A matéria conta com depoimentos da Dra. Maria Celeste Osório Wender, presidente da FEBRASGO; do Dr. Sergio Podgaec, vice-presidente da Região Sudeste da FEBRASGO e membro da CNE em Endometriose; e do Dr. Clayton Macedo, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

A gestrinona tem sido indicada em vias de administração manipuladas, como implantes subcutâneos, cremes e géis, muitas vezes associada a discursos de “modulação hormonal” e supostos benefícios estéticos ou de desempenho. No entanto, a FEBRASGO reforça que não há evidência científica suficiente que comprove segurança e eficácia para esses usos.

“Implantes subcutâneos manipulados contêm gestrinona e outras substâncias para as quais não há estudos suficientes que demonstrem como elas são absorvidas pelo organismo, qual a dose liberada diariamente, quais níveis atingem no sangue, por quanto tempo permanecem estáveis e quais riscos podem oferecer no curto, médio e longo prazo. Reforço: não há estudos mostrando eficácia clínica, ou seja, que esses produtos, de fato, tragam benefício comprovado”, alerta Dra. Maria Celeste.

No presente momento, não há disponível no mercado brasileiro implante hormonal aprovado pela Anvisa, exceto o implante anticoncepcional composto por etonogestrel (Implanon®).

Riscos dos hormônios manipulados

O uso de hormônios manipulados traz preocupações importantes do ponto de vista da segurança. Entre os problemas estão regulamentação e monitoramento governamentais mínimos, risco de superdosagem ou subdosagem, presença de impurezas ou falta de esterilidade, ausência de comprovação científica de eficácia e segurança, além da falta de rótulo adequado descrevendo os riscos.

Esses fatores dificultam o controle sobre o que está sendo administrado, em qual dose, com qual frequência e com quais possíveis efeitos para a saúde da paciente.

“A farmácia de manipulação virou uma indústria farmacêutica: produz milhões de implantes iguais, prescritos para todo mundo”, afirmou o Dr. Sergio Podgaec ao Estadão.

Falsas promessas disfarçadas de ciência

Um dos pontos que merece atenção é o uso do termo “hormonologia” para dar aparência científica a indicações sem respaldo adequado. A FEBRASGO orienta que pacientes fiquem atentos a conteúdos e profissionais que utilizam essa nomenclatura como se ela representasse uma especialidade médica reconhecida, o que não representa.

É importante observar alguns sinais de alerta:

  1. Conteúdos que mencionam “hormonologia” como área médica reconhecida. A nomenclatura é incorreta e não constitui uma especialidade médica.
  2. Profissionais que afirmam ter feito cursos rápidos sobre a área. Em geral, trata-se de formações sem fundamento científico adequado e sem aprovação pelas agências regulatórias e conselhos de medicina.
  3. Promessas de benefícios amplos, como emagrecimento, aumento de libido, ganho de massa muscular, melhora de performance e rejuvenescimento, sem discussão clara sobre riscos e ausência de evidência.
  4. Ofertas de implantes hormonais manipulados como se fossem tratamentos padronizados, seguros e indicados para todas as mulheres.

Para se tornar especialista e obter habilitação reconhecida, é necessário realizar formações de longa duração, com carga horária obrigatória definida pela Associação Médica Brasileira (AMB). Esse processo é diferente de cursos pontuais, de curta duração, que não conferem titulação reconhecida de especialista.

Para o Estadão, o diretor da SBEM, Dr. Clayton Macedo, contou que as formas de apresentação do hormônio estão as cápsulas (via oral); os óvulos e strips vaginais; os cremes ou géis transdérmicos (aplicação na pele) e os implantes, opção com maior espaço entre os adeptos. Esses pellets ou chips custam cerca de R$ 300 a R$ 400, mas médicos têm cobrado cerca de R$ 5 mil para colocá-los. “A margem de lucro é gigantesca”.

Cuidado com promessas absolutas

Tratamentos hormonais devem ser indicados com critério, base científica e avaliação individualizada. Promessas como “só traz benefícios”, “não tem riscos”, “melhora tudo” ou “vai mudar sua vida” devem ser vistas com cautela, especialmente quando associadas a produtos manipulados e sem aprovação regulatória.

Entre os riscos do uso de anabolizantes para a saúde estão: AVC (derrame), parada cardíaca, câncer no fígado, aneurisma, acne, alopecia, impotência sexual e outros.

A FEBRASGO reforça que qualquer intervenção em saúde da mulher precisa considerar segurança, eficácia, indicação adequada, acompanhamento médico responsável e informação clara para a paciente.

“A FEBRASGO permanece atenta no monitoramento de efeitos adversos relatados pelos seus associados, inclusive alteração secundárias ao hiperandrogenismo mais silenciosas, como alterações do colesterol. Todos os médicos devem conhecer e alimentar o Vigimed e o Vigicom, em prol do melhor conhecimento e da proteção das nossas pacientes”, reforça a Dra. Lia Cruz Vaz da Costa Damásio, diretora de Defesa e Valorização Profissional da FEBRASGO.

A entidade desaconselha o uso de quaisquer tratamentos, hormonais ou não, que não possuam aprovação pela Anvisa.

Para saber mais, acesse outros artigos sobre o tema aqui no site da FEBRASGO:

https://www.febrasgo.org.br/noticia/febrasgo-alerta-implantes-hormonais-manipulados-nao-tem-comprovacao-de-seguranca-e-eficacia/

https://www.febrasgo.org.br/noticia/comissao-nacional-especializada-de-climaterio-da-febrasgo-se-posiciona-sobre-implante-de-gestrinona/

 

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