Futuro reprodutivo das pacientes com DTG

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Futuro reprodutivo das pacientes com DTG

15 mar. de 2018

        As pacientes com Doença Trofoblástica Gestacional (DTG) são habitualmente jovens e desejam engravidar, independente da evolução da doença. É muito citado na literatura que a frequência de bom desempenho reprodutivo (DR) dessas pacientes costuma ser elevada, ultrapassando índices de 85%, independente da evolução da DTG prévia para remissão espontânea ou para evolução para Neoplasia Trofoblástica Gestacional (NTG) 1,2.

        Levando em conta este desejo de gestação após uma DTG, os dados relacionados com a gestação seguinte são muito importantes para o aconselhamento destes casais com respeito a uma gestação normal no futuro, mas é importante lembrar que ainda não existe prevenção primária para evitar que ocorram os raros acidentes genéticos da fecundação que resultam em uma gestação molar.

        Segundo os resultados de alguns estudos, tanto as pacientes com Mola Hidatiforme (MH) completa como parcial podem apresentar um futuro reprodutivo normal, desde que aguardem o tempo mínimo de 6 meses após a remissão da doença para gestarem novamente 3. Os dados encontrados referem que mais de 98% das mulheres que engravidaram após uma gestação molar não apresentarão outra MH 4. A maioria das gestações que segue uma gestação molar terá como desfecho um recém-nascido vivo a termo; entretanto, em frequência semelhante à população geral, as pacientes que engravidam após uma DTG apresentam os mesmos riscos de terem fetos natimortos, nascimentos prematuros, abortamentos espontâneos, gestações gemelares e anomalias congênitas. 

        O risco de repetição da gestação molar é de 1 a 2% 3. Em relação à população em geral, todavia, a probabilidade de repetir uma DTG é aumentada em 5 vezes 3. O tipo de MH encontrado na recorrência tem maior probabilidade de ser similar ao tipo da gestação molar prévia4 pelo qual continua sendo importante tanto o diagnostico histopatológico acurado na gravidez inicial quanto o mesmo empenho diagnóstico na gestação subsequente 1.   

        A recorrência de uma gestação molar após uma MH completa ou parcial na gravidez subsequente é um evento desfavorável, agravando muito as repercussões emocionais encontradas nas pacientes que vivenciam tal intercorrência, em especial nas pacientes ainda sem filhos.

        Dados estatísticos alertam que após 2 gestações molares o risco de uma terceira DTG aumenta muito, atingindo índices de recorrência de 25% 5. Ainda assim, a maior probabilidade é de ocorrer uma gravidez normal na terceira gestação, com exceção da presença, muito rara, de anomalia genética encontrada na MH completa biparental, situação em que, por defeito no óvulo, todas as gestações subsequentes serão molares. Nessa específica situação, somente através da fertilização com óvulo doado e posterior inseminação poderá ocorrer o desenvolvimento de uma gravidez com feto normal.

        Toda paciente que teve uma gravidez molar precisa ainda ser alertada que, mesmo que a gestação subsequente seja normal e evolua para parto de RN saudável, será necessária a realização de exame anátomo-patológico da placenta, bem como a realização de dosagem de hCG no período de 6 a 8 semanas após o parto, para que seja excluída qualquer possibilidade da rara ocorrência de outro tipo de DTG, representado pelo coriocarcinoma após uma gestação normal 6,7. A precocidade de tal diagnóstico está relacionada a uma menor morbidade no tratamento desse tipo grave de NTG, já que tal possibilidade de ocorrência é muitas vezes desconhecida da maioria dos obstetras.

Leitura suplementar

  1. Matsui H. et al. Subsequent pregnancy outcome in patients with spontaneous resolution of HCG after evacuation of hydatidiform mole: comparison between complete and partial mole. Human reproduction, v. 16, n. 6, p. 1274–1277, 2001.
  2. Sebire N. et al. Risk of recurrent hydatidiform mole and subsequent pregnancy outcome following complete or partial hydatidiform molar pregnancy. BJOG: an International Journal of Obstetrics and Gynaecology, v. 110, n. January, p. 22–26, 2003.
  3. Goldstein DP; Horowitz NS. Hydatidiform mole: Epidemiology, clinical features, and diagnosis. UpToDate, p. 1–21, 2016.
  4. Garner E. et al. Psychosocial and reproductive outcomes of gestational trophoblastic diseases. Bailliere’s Best Practice and Research in Clinical Obstetrics and Gynaecology, v. 17, n. 6, p. 959–968, 2003.
  5. Di Mattei V.E. et al. An investigative study into psychological and fertility sequelae of gestational trophoblastic disease: The impact on patients’ perceived fertility, anxiety and depression. PLoS ONE, v. 10, n. 6, p. 1–13, 2015.
  6. Uberti EMH, Fajardo MC: Doença Trofoblástica Gestacional. In: Silveira, GPG, Pessini, SA, Silveira, GG. Ginecologia Baseada em Evidências. São Paulo. Editora Atheneu, 2012. Capítulo 43:463-482.
  7. Braga A. et al. Maternal and perinatal outcomes of first pregnancy after chemotherapy for Gestational Trophoblastic Neoplasia in Brazilian women. Gynecol Oncol. 2009;112:568-571

Comissão Nacional Especializada em Doença Trofoblástica Gestacional

FEBRASGO

Gestão 2016-2018

 

Elza Uberti, Rodrigo Bernardes Cardoso, Antonio Braga,

Bruno Grillo, Maurício Viggiano, Izildinha Maestá, José Mauro Madi,

Jurandyr Moreira de Andrade, Sue Sun, Rita de Cássia Ferreira

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