Assistência ao nascimento baseado em evidências e no respeito

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Assistência ao nascimento baseado em evidências e no respeito

04 set. de 2018

Qual é o posicionamento da Febrasgo em relação ao parto humanizado? (Considerando que ele é aquele que respeita os desejos da mulher)

 

Nos últimos séculos, houve uma evolução do parto domiciliar primitivo para a assistência hospitalar moderna, que juntamente com o acompanhamento pré-natal, foram responsáveis por uma grande redução da mortalidade e sequelas, tanto para a mães, quanto para seus filhos (a verdadeira humanização do nascimento). Passamos agora por uma fase em que a medicina procura melhorar a qualidade. Gradativamente as pesquisas médicas vem demonstrando que podemos fornecer uma assistência menos intervencionista, mais respeitosa e individual, mantendo a segurança para a gestante e seu filho. Esse modelo atual, que alguns chamam erroneamente de humanização do parto, na realidade é denominado “assistência ao nascimento baseado em evidências e no respeito”.

 

Existe algum caso em que este tipo de parto não seja recomendado? Qual?

 

A assistência obstétrica baseada em evidências e no respeito deve ser universal. Isso não inclui alguns “modismos” e práticas experimentais. Nas gestações de alto risco, que envolvem problemas maternos ou fetais, necessitamos de um cuidado e monitorização maior, o que pode restringir algumas práticas.

 

Quais os riscos de ter o parto em casa?

 

Muitos. Boa parte das complicações no parto ocorrem em gestantes sem fatores de risco importantes e com pré-natal normal (são imprevisíveis). Na Inglaterra, que seleciona bem as gestantes para parto domiciliar, chega a 45% os casos que a gestante ou o recém-nato tem que ser transferidos para um Hospital. O parto domiciliar aumenta em 3,6 vezes na Holanda e em até 10,5 vezes nos Estados Unidos o risco de morte do recém nato. O risco de sequela neurológica é o quatro vezes maior nos partos domiciliares. Isso em países com uma assistência muito superior à nossa. Em todo o mundo as taxas de parto domiciliar estão reduzindo.

 

Quais são os cuidados ao fazer um parto em casa? Qual é a infraestrutura mínima que se deve ter?

 

Reforço que o modelo de parto domiciliar é desaconselhado pela FEBRASGO. Para reduzir os riscos, o parto domiciliar deve ter uma boa maternidade de retaguarda próximo ao local com uma equipe preparada para um atendimento de urgência, ciente que o parto esteja ocorrendo e um meio de transporte adequado (ambulância) na porta da casa. Deve ser realizado, ou ter a presença no local, de um médico obstetra experiente e de um médico pediatra para a recepção do recém nato.

 

Partos em banheiras são uma opção segura? O que garante a segurança da mãe e do bebê?

 

Banheiras podem ser utilizadas para diminuir a dor apenas durante o trabalho de parto. No Brasil a experiência maior é com o uso da água em forma de ducha morna ou quente. A parturiente fica sentada em um banquinho ou na bola de Bobath, sob um bom chuveiro.

Já o nascimento dentro de banheiras é atualmente desaconselhável. Estudos publicados até agora não mostraram benefício materno ou fetal e existem relatos de graves complicações. Outras evidências alertam para um maior risco de lesões perineais, possivelmente pela dificuldade de o profissional assistente auxiliar na proteção do perineo ou diagnosticar algum problema. Deve ser restrita para situações de pesquisa científica.

 

Muitas pessoas relatam que os médicos dão preferência à cesárea. Isso acontece? Por quê?

 

A cesariana é um procedimento extremamente importante e que reduziu muito as complicações com as gestantes e seus filhos. Por algum tempo, principalmente no Brasil, foi indicada em excesso. Atualmente (e gradativamente) suas indicações estão ficando mais claras e sua incidência vem reduzindo.

 

 Por Alberto Trapani Jr. MD,PhD

Presidente da Comissão Nacional Especializada de Assistência ao Parto, Puerpério e Abortamento da FEBRASGO

 

 

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