FEBRASGO participa de audiência pública sobre enfrentamento de doenças infectocontagiosas em mulheres vulnerabilizadas
07 jul. de 2026
Renato Araújo / Câmara dos Deputados
Fonte: Agência Câmara de Notícias
A FEBRASGO participou em 30/06 de audiência pública promovida pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados para debater a criação de um observatório voltado ao acompanhamento da Agenda Prioritária para o Enfrentamento do HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais, HTLV, Sífilis e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) em Mulheres Vulnerabilizadas no Brasil.
A entidade foi representada pelo Dr. Regis Kreitchmann, presidente da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da FEBRASGO. Durante o encontro, o especialista reforçou o compromisso institucional da Federação com a agenda e apresentou iniciativas já desenvolvidas em defesa da saúde das mulheres.
“Foi muito proveitoso participar deste debate, mostrar que defendemos esta agenda e compartilhar os pactos das federadas da FEBRASGO para a redução da mortalidade materna, a eliminação do câncer do colo do útero e da transmissão vertical dessas doenças”, afirma Dr. Regis.
Observatório deve apoiar monitoramento e definição de estratégias
A proposta discutida na audiência prevê a criação de um observatório que, com apoio de emenda parlamentar, permita acompanhar a implementação da agenda por meio de indicadores. A iniciativa também deverá contribuir para orientar ações de acordo com as necessidades e particularidades de cada território.
Entre as metas apresentadas está a de triplicar, até 2027, o número de mulheres que utilizam tratamentos preventivos contra essas infecções.
Para a coordenadora do tema no Ministério da Saúde, Pâmela Gaspar, o principal desafio é garantir que a agenda seja efetivamente implementada, com priorização dos recursos disponíveis e busca de novos investimentos direcionados à saúde das mulheres.
Desigualdades ampliam o impacto das infecções
Os dados apresentados durante a audiência mostram que as mulheres são fortemente afetadas por infecções como HIV/Aids, tuberculose, hepatites virais, HTLV e sífilis. O impacto, no entanto, não ocorre de maneira uniforme e é mais expressivo entre mulheres pretas, pardas e residentes nas regiões Norte e Nordeste.
No caso da sífilis, por exemplo, foi destacado que 61% dos casos entre mulheres pretas poderiam ter sido evitados caso elas tivessem tido acesso aos mesmos programas oferecidos às mulheres brancas.
O debate reforçou a necessidade de políticas públicas que considerem as desigualdades sociais, raciais e regionais, além de estratégias de prevenção, diagnóstico precoce, tratamento e acompanhamento contínuo.
A participação da FEBRASGO na audiência reafirma seu compromisso com a defesa da saúde integral das mulheres e com o fortalecimento de ações capazes de reduzir a transmissão de infecções, prevenir complicações e ampliar o acesso ao cuidado, especialmente entre as populações em situação de maior vulnerabilidade.