Sexo na gravidez prejudica o bebê?

Compartilhe a publicação
Sexo na gravidez prejudica o bebê?

15 ago. de 2022

Boa comunicação entre o casal e o obstetra durante o pré-natal pode trazer informações importantes para a desmitificação do sexo na gravidez

Nesse mês das gestantes, é válido falar sobre um assunto que gera muita insegurança por parte dos casais, a atividade sexual. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), a sexualidade é um aspecto fundamental na qualidade de vida de qualquer ser humano, sendo importante até no período da gravidez.

As mulheres, em especial, preocupam-se com a possibilidade do sexo afetar o bebê. No entanto, uma boa comunicação entre o casal e o obstetra durante o pré-natal pode trazer orientação de qualidade com informações importantes para a desmitificação do sexo na gravidez.

A psiquiatra, Carmita Abdo, membro da Comissão de Sexologia da Federação Brasileira de Ginecologia Obstetrícia (Febrasgo) e Coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) da Faculdade de Medicina da USP, pontua que “durante a gestação o sexo pode e deve ser praticado, caso o casal sinta desejo e a gestação esteja evoluindo bem. É óbvio que a gestante passará por mudanças físicas, as quais podem ocasionar o desinteresse de um dos parceiros ou do casal pela relação sexual. Nesse caso, o diálogo é a melhor conduta, para se chegar a um consenso a respeito do que fazer”.

A médica destaca que vale ressaltar a adoção de alguns cuidados extras. O obstetra deverá orientar a gestante de que posições sexuais mais ousadas ou “acrobáticas” não são recomendadas. Não é a relação em si, mas são os movimentos bruscos, exagerados ou traumáticos que podem causar risco à gestação e ao feto. Como por exemplo um tombo da cama, um trauma violento na barriga. Portanto, a penetração em si não oferece perigo (se a gravidez correu bem). São os exageros nos movimentos que devem ser evitados. Por isso, a gestante deve se nortear, durante o sexo, por movimentos como os praticados numa dança ou caminhada.

“O casal deve optar por posições e práticas que sejam agradáveis para ambos. A orientação é fazer sexo dentro de um padrão mais tradicional, na posição clássica (homem por cima da mulher), enquanto o volume abdominal permitir. O obstetra pode sugerir as posições laterais, a invertida (mulher por cima do homem) e jogos eróticos ou alternativas sexuais, como fazer sexo sem penetração, sexo oral, masturbação mútua ou outras práticas nas quais a mulher se sinta mais confortável e protegida” enfatiza Carmita.

O sexo na gravidez prejudica o bebê em algum momento?

A especialista explica que a atividade sexual na gestação ainda é um assunto tabu para muitos casais, suas famílias e a sociedade. Além das alterações hormonais, os mitos e as convenções de ordem cultural, social e religiosa podem influenciar o exercício da sexualidade neste período.

Por mais que a mulher seja esclarecida, ela pode cultivar essa ideia errônea ou, pelo menos, a alimenta com dúvidas do tipo: pode ou não o pênis chegar até próximo do útero? O sêmen atravessa a barreira placentária? O pênis pode tocar no feto? Na dúvida, ela prefere abdicar da atividade sexual, mesmo se estiver interessada.

“Bem orientada, ela permite a atividade sexual que não prejudica, mas beneficia pelo prazer que proporciona”, salienta Dra. Carmita.

Quando grávidas não podem fazer sexo?

A médica esclarece que até o nono mês, se o obstetra atestar que a gestação é saudável, não há contraindicação para o sexo. “A restrição à atividade sexual , a critério médico, decorre de patologias como placenta prévia, alto risco de prematuridade, trabalho de parto prematuro, necessidade de ficar internada para segurar a gestação, rompimento da bolsa antes da hora ou, ainda, colo do útero curto, evidencia a Carmita.

Veja mais conteúdos

FEBRASGO amplia internacionalização com parceria científica na área de câncer ginecológico

11 ago. de 2026

Primeiros 1.000 dias: FEBRASGO alerta que o cuidado com o bebê começa antes do nascimento

10 ago. de 2026

Especialista da FEBRASGO comenta causas de perda gestacional no primeiro trimestre

07 ago. de 2026

Dor, desejo e prazer: FEBRASGO reforça que saúde sexual também é saúde

05 ago. de 2026

Amamentação sem mitos: especialista da FEBRASGO esclarece seis dúvidas comuns

03 ago. de 2026

Hepatites virais na gestação exigem diagnóstico precoce para proteger mãe e bebê

27 jul. de 2026

Mulheres negras ainda enfrentam barreiras para iniciar e manter o pré-natal, alerta especialista da FEBRASGO

24 jul. de 2026

FEBRASGO alerta para impactos de projetos de lei na assistência obstétrica e na segurança de gestantes e recém-nascidos

23 jul. de 2026

Consulta jurídica realizada pela FEBRASGO recebe parecer técnico favorável do CFM

13 jul. de 2026

Consulta ginecológica na adolescência exige acolhimento, sigilo e atenção aos limites éticos

13 jul. de 2026

FEBRASGO participa de audiência pública sobre enfrentamento de doenças infectocontagiosas em mulheres vulnerabilizadas

07 jul. de 2026

FEBRASGO defende medicina baseada em evidências em audiência pública no Senado Federal Defesa e Valorização Ver notícia
FEBRASGO defende medicina baseada em evidências em audiência pública no Senado Federal

01 jul. de 2026