SUMMIT FEBRASGO Inovação em GO debate: precisão para quem?

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SUMMIT FEBRASGO Inovação em GO debate: precisão para quem?

16 out. de 2026

O primeiro debate deste encontro – que é uma verdadeira jornada que conecta conhecimento, inovação e aplicação prática para preparar ginecologistas e obstetras para as transformações da especialidade- abordou a intersecção entre inovação tecnológica, genética, equidade no SUS e assistência à saúde da mulher no Brasil. Alguns pontos de destaque da conversa:

  1. Cirurgia Ginecológica e Acesso à Tecnologia
  • Realidade nacional: Atualmente, apenas entre 2% e 4% das cirurgias ginecológicas no Brasil são realizadas por via minimamente invasiva, enquanto a grande maioria das histerectomias ainda ocorre por via laparotômica.
  • Capacitação e gestão: Os especialistas ressaltam que a ampliação de tecnologias (como a cirurgia robótica) exige investimento contínuo em educação médica, padronização de cirurgias seguras e modelos de gestão hospitalar eficientes — incluindo parcerias onde a renda de cursos de especialização é revertida para insumos no atendimento público.
  • Atenção especializada: Destacou-se a urgência de criar mais centros de referência integrados para condições frequentes e complexas, como a endometriose.
  1. Transformação Digital e Rastreamento no SUS
  • Equidade no ecossistema público: Diante das dimensões continentais do país, soluções digitais como a telepatologia e o rastreamento do câncer de colo do útero por PCR-HPV são apontadas como estratégicas para otimizar o diagnóstico e priorizar pacientes de alto risco no SUS.
  • Integração de dados: Discutiu-se o avanço da integração entre a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), o SUS e a saúde suplementar (ANS), buscando consolidar históricos médicos garantindo a conformidade com a LGPD.
  1. Oncogenética, Testagem em Cascata e Biópsia Líquida
  • Baixa adesão familiar: Apenas cerca de 23% a 25% dos familiares de pacientes com mutações patogênicas identificadas realizam a testagem em cascata recomendada. O baixo engajamento é atribuído a barreiras psicológicas e receio do acompanhamento contínuo, e não ao custo, já que os testes costumam ser oferecidos gratuitamente para parentes diretos.
  • Avanços no rastreio multicâncer: A utilização de biópsia líquida em populações de alto risco (como portadores de mutação em BRCA1/BRCA2) tem demonstrado cerca de 5% de detecção de eventos moleculares antes do surgimento de alterações radiológicas ou sintomas, apontando para o futuro do rastreamento oncogênico.
  1. Mortalidade materna, medicamentos e direitos reprodutivos
  • Enfrentamento da mortalidade materna: O debate enfatizou o aumento recente da mortalidade materna no Brasil e a criação de um grupo de trabalho liderado pela FEBRASGO com representantes em cada estado para implementar ações de combate.
  • Gargalos assistenciais: Apontou-se a demora na liberação regulatória do Misoprostol sublingual no Brasil por barreiras não médicas, apesar de ser a via recomendada pela OMS para conter a hemorragia pós-parto em regiões remotas desprovidas de oxitocina.
  • Defesa de direitos: Defendeu-se a garantia de cuidados de saúde reprodutiva pautados estritamente pela ciência e pelas necessidades da mulher, sem interferências ideológicas ou políticas.

 

  1. Rastreamento do Câncer de Pulmão
  • Tomografia de baixa dosagem e poluição: Reforçou-se a indicação da tomografia de tórax de baixa emissão para populações tabagistas de alto risco e alertou-se para o aumento de casos de câncer de pulmão em pacientes jovens não tabagistas, decorrente da poluição atmosférica e de fatores genéticos.

 

O debate teve a moderação do Dr. Agnaldo Lopes da Silva Filho, Diretor Científico da FEBRASGO com participação do Dr. Renato Moretti Marques – cirurgião cinecológico e coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Antonio Rodrigues Braga Neto, ginecologista e obstetra e atual presidente do CREMERJ (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro), Dr. Fernando Moura, oncologista clínico e gerente médico do Programa de Medicina de Precisão do Hospital Israelita Albert Einstein e a Dra.Marianne Pinotti, Ginecologista, obstetra e mastologista consultora do Ministério da Saúde.

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