Vacinação da mulher ainda esbarra em desinformação e baixa percepção de risco, alerta FEBRASGO

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Vacinação da mulher ainda esbarra em desinformação e baixa percepção de risco, alerta FEBRASGO

16 out. de 2026

  • Ginecologista é o médico da mulher e pode orientá-la sobre a importância das vacinas
  • Dia 17 de outubro: Dia Nacional da Vacinação

 

Vacinação não é assunto apenas da infância. Da adolescência à gestação, passando pela vida adulta e pelo envelhecimento, manter a imunização em dia faz parte do cuidado com a saúde da mulher. Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, desinformação, baixa percepção sobre o risco das doenças e barreiras de acesso ainda dificultam a ampliação das coberturas vacinais no país. “Entre os principais desafios estão a desinformação e a circulação de informações falsas sobre vacinas, a baixa percepção do risco das doenças preveníveis, a pouca recomendação por parte dos profissionais de saúde e as diferenças de acesso e disponibilidade entre as regiões”, explica a Dra. Cecilia Maria Roteli Martins, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

Segundo a especialista, o problema acompanha as diferentes faixas etárias e as coberturas vacinais ainda estão abaixo do ideal para diferentes imunizantes, especialmente entre adolescentes e gestantes.

A vacinação contra o HPV é uma das frentes que precisam continuar avançando, pois há lacunas, especialmente entre adolescentes. Na gestação, outro obstáculo frequente é o receio de que as vacinas possam provocar efeitos adversos no feto. “Essa preocupação ainda pesa muito na decisão das gestantes. Por isso, a orientação clara do profissional de saúde é fundamental para explicar quais vacinas são recomendadas e qual é o benefício da imunização para a mulher e para o bebê”, destaca Dra. Cecilia.

Ela lembra que a cobertura da dTpa (vacinação contra difteria, tétano e coqueluche) entre gestantes e a vacinação contra o HPV entre adolescentes vêm aumentando, mas precisam manter essa trajetória.

Para a FEBRASGO, a consulta ginecológica é também uma oportunidade para revisar a situação vacinal da paciente. “O ginecologista e obstetra é um médico de referência para muitas mulheres. Por isso, é de suma importância que esse profissional tenha acesso às informações e atualizações sobre as vacinas recomendadas para cada fase da vida”, afirma.

A médica alerta que o cuidado com as vacinas não deve terminar após a idade reprodutiva. Mulheres mais velhas também precisam continuar acompanhando sua carteira vacinal. Entre as imunizações que podem ser esquecidas nessa faixa etária estão as vacinas pneumocócicas, importantes especialmente na população idosa.

Menor percepção de risco pode reduzir procura por vacinas

A especialista lembra que o Brasil registrou grandes avanços nas coberturas vacinais a partir da década de 1980, período em que doenças infecciosas ainda eram mais visíveis para a população. Os índices chegaram a patamares elevados nos anos 2000, mas começaram a cair a partir de 2015 e 2016, cenário posteriormente agravado pela pandemia de Covid-19. Uma das explicações é justamente a menor percepção de risco.

“Há uma geração que não conviveu de perto com muitas das doenças preveníveis por vacinação. Quando as pessoas deixam de enxergar essas doenças, também podem passar a considerar a vacinação menos necessária”, explica. A situação da febre amarela ilustra o movimento contrário: após a epidemia de 2017, houve aumento importante na procura pela vacina, reforçando o peso da percepção de risco sobre a adesão.

Para ampliar a vacinação, Dra. Cecilia aponta a necessidade de aprimorar os registros das coberturas vacinais, facilitar o acesso aos imunizantes, ampliar horários e locais de vacinação e investir em comunicação clara sobre benefícios e possíveis eventos adversos. Também são necessárias estratégias adaptadas às diferentes realidades regionais, com ajustes nos sistemas de informação, simplificação dos calendários e planejamento local.

“Vacinação deve ser lembrada ao longo de toda a vida. Cada consulta é uma oportunidade para verificar o que está pendente e orientar a mulher de acordo com sua idade, condições de saúde e fatores de risco”, finaliza a especialista da FEBRASGO.

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