CBGO 2026: Fórum debate estratégias para reduzir mortalidade materna no Brasil
01 jun. de 2026
Na continuidade da programação do CBGO 2026, foi realizada, nesta sexta-feira, (29), o fórum promovido em parceria entre a FEBRASGO e o Ministério da Saúde, com o tema “Juntos pela Redução da Mortalidade Materna”. Coordenado pela Dra. Rossana Pulcinelli Vieira Francisco, presidente da CNE de Mortalidade Materna da FEBRASGO, o encontro reuniu especialistas para discutir os principais desafios relacionados à prevenção e ao enfrentamento das mortes maternas no Brasil. Entre os temas abordados estiveram a prevenção da pré-eclâmpsia, hemorragias pós-parto, rapidez e eficiência no tratamento das emergências obstétricas, além dos “10 passos para a redução da mortalidade materna.
Durante o fórum, a Dra. Rossana apresentou um panorama atualizado da mortalidade materna no país e ressaltou a importância da atuação conjunta entre entidades médicas e o poder público. “Esse é um fórum que já acontece há alguns anos nos congressos da FEBRASGO e conta com a participação do Ministério da Saúde. Nossa Comissão tem exatamente essa função de levar o tema da mortalidade materna para todos os espaços e dialogar com aqueles que podem transformar esse cenário”, afirmou. Segundo a especialista, o debate também integra o Pacto FEBRASGO pela Redução da Mortalidade Materna e inclui discussões sobre a implantação da Rede Alyne, iniciativa do Ministério da Saúde voltada ao fortalecimento da assistência materno-infantil no Brasil.
A médica alertou ainda para o fato de que mais de 70% das mortes maternas registradas no país continuam sendo decorrentes de causas obstétricas diretas e evitáveis. “Se conseguirmos combater as causas diretas de morte materna, que são evitáveis, a razão de mortalidade materna no Brasil cairá drasticamente”, destacou. De acordo com a especialista, embora a pandemia tenha aumentado as mortes por causas indiretas em razão da Covid-19, o cenário atual demonstra que o país ainda falha no enfrentamento das causas evitáveis, como hemorragias, hipertensão gestacional.
Outro ponto destacado pela Dra. Rossana foi a desigualdade observada em grupos mais vulneráveis, como mulheres indígenas, adolescentes e gestantes em extremos de idade. Segundo dados apresentados no fórum, a razão de mortalidade materna nessa faixa etária é 38% maior quando comparada à de mulheres entre 20 e 24 anos. A especialista também chamou atenção para o aumento de gestações em mulheres acima de 40 anos e para os desafios relacionados ao correto registro e codificação das mortes maternas indiretas, o que pode impactar diretamente as estatísticas oficiais e as estratégias de enfrentamento.
O fórum também destacou a divulgação dos “10 passos do cuidado obstétrico para redução da mortalidade materna”, estratégia oficial do Ministério da Saúde desenvolvida pelo Instituto Fernandes Figueira/Fiocruz. A enfermeira obstetra Monica Iassanã dos Reis, especialista em Gestão Pública e Planejamento em Saúde pelo Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, explicou que o documento é direcionado a gestores e profissionais da saúde da mulher e reúne orientações voltadas ao pré-natal, assistência ao parto, puerpério, contracepção e qualificação das equipes de saúde.