CBGO 2026: especialistas de países de língua portuguesa discutem desafios para reduzir o câncer do colo do útero e a mortalidade materna.
01 jun. de 2026
A saúde da mulher nos países de língua portuguesa também esteve no centro dos debates da sessão LusoConecta, durante o CBGO 2026, no Minascentro, em Belo Horizonte. O encontro reuniu especialistas de diferentes nações lusófonas para discutir dois dos principais desafios globais da saúde feminina: o câncer do colo do útero e a mortalidade materna.
Coordenada pela Dra. Roseli Nomura, diretora administrativa da FEBRASGO, a sessão apresentou estudos inéditos que analisam a realidade dos países integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), incluindo Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
“Os estudos apresentados compilam dados de diferentes nações e reforçam que, apesar dos avanços na prevenção e na assistência, esses problemas ainda persistem em muitos países. Compartilhamos a mesma língua e também desafios semelhantes, o que torna fundamental a troca de experiências e a construção conjunta de estratégias para melhorar a saúde das mulheres”, destacou a Dra. Roseli.
Um dos trabalhos apresentados foi o estudo “Câncer de colo do útero nos países lusófonos – carga da doença e prontidão para as metas de eliminação da OMS”, apresentado pelo ginecologista de BH, Dr. Matheus Eduardo Soares Pinhati. A pesquisa mostrou que a cobertura vacinal contra o HPV tem avançado de forma mais consistente do que as estratégias de rastreamento do câncer do colo do útero.
Os dados indicam que países como Portugal, Cabo Verde, Timor-Leste e Brasil já apresentam coberturas vacinais próximas ou superiores a 70%, enquanto o rastreamento permanece desigual e, em alguns locais, bastante limitado. Segundo o pesquisador, a realidade entre os países é bastante heterogênea, refletindo diferentes níveis de desenvolvimento dos sistemas de saúde.
“Quando olhamos para o câncer do colo do útero, observamos realidades muito distintas. Há países que ainda não dispõem de recursos especializados em ginecologia oncológica, enquanto outros já caminham para atingir as metas propostas pela Organização Mundial da Saúde para a eliminação da doença. O estudo também aponta oportunidades de cooperação entre os países, especialmente na capacitação profissional e no compartilhamento de conhecimento”, afirmou o Dr. Matheus.
Outro destaque da programação foi a apresentação da ginecologista e obstetra Dra. Luisa de Luca Felicissimo, que analisou as tendências da mortalidade materna nos países lusófonos entre 2001 e 2023. O estudo avaliou a evolução dos indicadores ao longo do período, as principais causas de morte materna, os perfis etários mais vulneráveis e os determinantes sociais associados ao problema.”
A pesquisa revelou que, embora a maioria dos países tenha registrado redução da mortalidade materna ao longo das últimas duas décadas, os avanços ocorreram de forma desigual. As projeções indicam que países como Guiné Equatorial, Timor-Leste e Guiné-Bissau deverão apresentar as maiores razões de mortalidade materna em 2030, enquanto Portugal mantém os menores índices.
No Brasil, a projeção para 2030 é de 63,9 mortes maternas por 100 mil nascidos vivos, número ainda distante da meta de 20,5 estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).
“A maioria dos países apresentou redução da mortalidade materna, mas de forma muito heterogênea. O Brasil, inclusive, teve um pequeno aumento no período analisado. Se mantivermos a trajetória atual, nenhum dos países alcançará as metas da ONU para 2030. Será necessário acelerar significativamente a redução das mortes maternas”, alertou a Dra. Luisa.