TSH acima de 2,5 na gravidez nem sempre significa doença da tireoide, alerta nova diretriz
05 out. de 2026
Atualização da American Thyroid Association reforça avaliação individualizada e busca evitar tanto o subdiagnóstico quanto tratamentos desnecessários
Uma nova diretriz da American Thyroid Association (ATA), publicada em 2026, atualizou as recomendações para doenças da tireoide no período pré-concepcional, durante a gestação e no pós-parto. Entre os principais pontos está uma interpretação mais cuidadosa do TSH e a manutenção de uma abordagem baseada em fatores de risco para decidir quais gestantes devem ser investigadas.
Segundo a Dra. Gabriela Pravatta Rezende, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – FEBRASGO, um TSH acima de 2,5 mUI/L, isoladamente, não significa que a gestante tenha doença da tireoide ou precise de tratamento.
“Durante muito tempo, falou-se que o TSH na gestação deveria estar abaixo de 2,5. Esse valor continua sendo importante principalmente para mulheres que já tinham hipotireoidismo e usavam levotiroxina, mas não deve ser utilizado como ponto de corte universal para diagnosticar doença em todas as gestantes”, explica.
A nova diretriz recomenda que sejam utilizados, sempre que possível, valores de referência específicos para cada trimestre da gestação e para o método do laboratório. Quando esses parâmetros não estiverem disponíveis, um limite superior próximo de 4,0 mUI/L no primeiro trimestre pode ser considerado como referência.
Na prática, alterações leves, como TSH entre 2,5 e 4,0 mUI/L, devem ser avaliadas dentro do contexto clínico da paciente. “A ideia é evitar os dois extremos: não deixar de diagnosticar um hipotireoidismo verdadeiro, mas também não tratar excessivamente mulheres que talvez não precisem de medicação”, afirma Dra. Gabriela.
Quem deve fazer o exame?
A ATA recomenda que todas as gestantes sejam avaliadas quanto a fatores de risco para doença tireoidiana. Para aquelas com maior risco, a dosagem de TSH deve ser considerada logo após a confirmação da gravidez. A entidade não recomenda, com base nas evidências atuais, o rastreamento universal de todas as gestantes.
Mulheres com histórico pessoal ou familiar de doença da tireoide, doença autoimune, tratamento prévio da glândula ou sinais clínicos sugestivos merecem atenção especial. Já para quem tinha hipotireoidismo antes da gestação, o acompanhamento deve começar cedo. “Nessas pacientes, manter o TSH abaixo de 2,5 mUI/L continua sendo um alvo razoável durante a gestação”, esclarece.
Para a especialista, a principal mudança é abandonar decisões baseadas em um número isolado. “A doença da tireoide continua sendo investigada na gravidez. O que muda é a forma de interpretar pequenas alterações, sempre considerando histórico, fatores de risco e os valores de referência adequados para a gestação”, finaliza.