Atuação do obstetra é decisiva para reduzir a mortalidade materna no Brasil, alerta especialista

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Atuação do obstetra é decisiva para reduzir a mortalidade materna no Brasil, alerta especialista

10 abr. de 2026

  • “Hoje, a estimativa é de que entre 20% e 30% das gestações já sejam consideradas de alto risco”, revela especialista

 

  • 12 de abril é o Dia do Obstetra

 

 

A mortalidade materna ainda é um desafio relevante de saúde pública no Brasil, mesmo diante dos avanços no acesso ao pré-natal. Nesse cenário, a atuação qualificada do obstetra ao longo de toda a jornada da gestação, do pré-natal ao pós-parto, torna-se determinante para prevenir complicações e salvar vidas.

De acordo com a Dra. Rossana Pulcineli Vieira Franciso, ginecologista e obstetra, Presidente da Comissão Nacional Especializada em Mortalidade Materna da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) o acompanhamento próximo e de qualidade faz toda a diferença nos desfechos maternos.

“O pré-natal é um momento de encontros estratégicos com a gestante e sua rede de apoio. É nesse período que conseguimos identificar precocemente doenças pré-existentes, avaliar o suporte social e monitorar condições como a hipertensão, que é a principal causa de morte materna no Brasil”, destaca.

Segundo a especialista, a assistência obstétrica adequada deve ir além do acesso: é preciso investir na qualidade do atendimento, com diagnóstico precoce, prevenção de complicações e acompanhamento contínuo.

Principais causas e prevenção de mortalidade materna

No Brasil, as principais causas de mortalidade materna são, em sua maioria, diretas – ou seja, relacionadas à própria gestação. Entre elas, destacam-se a pré-eclâmpsia, a hemorragia pós-parto, as infecções, especialmente no puerpério, e as complicações decorrentes de abortos.

Durante o parto, por exemplo, fatores como anemia e doenças não controladas aumentam significativamente o risco de complicações graves. “Se a mulher chega ao parto com anemia ou com uma condição clínica descompensada, ela tem mais chances de apresentar piores resultados ao enfrentar situações críticas, como hemorragias. Por isso, o cuidado ao longo da gestação é essencial”, explica a médica.

Já no pós-parto, a atenção deve ser redobrada. “A infecção é uma das principais causas de morte materna nesse período. Precisamos desmistificar a ideia de que febre é algo comum após o parto. Não é. Qualquer sinal deve ser investigado imediatamente para evitar agravamentos”, alerta.

Desafios

Embora mais de 90% das gestantes brasileiras tenham acesso ao pré-natal, o grande desafio atual está na qualificação desse atendimento. Isso inclui tanto a atenção básica (pré-natal habitual) quanto o acompanhamento especializado para gestantes de alto risco.

“O diagnóstico precoce e o acesso ao pré-natal especializado são fundamentais. Hoje, a estimativa é de que entre 20% e 30% das gestações já sejam consideradas de alto risco, o que exige uma estrutura mais robusta, com profissionais capacitados e acesso a exames adequados.”, afirma Dra. Rossana.

A especialista também chama atenção para desigualdades regionais e limitações estruturais, especialmente em áreas com menor acesso a serviços de saúde. Falta de equipes completas, dificuldade de acesso a exames, ausência de analgesia no parto e escassez de leitos de UTI são alguns dos entraves enfrentados.

“Mesmo com dedicação do profissional, a falta de infraestrutura adequada fragiliza a assistência. Precisamos garantir as condições mínimas para que o cuidado obstétrico seja seguro e eficiente”, pontua.

A discussão sobre a mortalidade materna estará em destaque no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece em maio, em Belo Horizonte (MG), e que incorporará em sua programação temas relacionados ao Dia Nacional pela Redução da Mortalidade Materna, celebrado em 28 de maio. A iniciativa reforça a importância do engajamento de toda a sociedade, especialmente dos profissionais de saúde,  em torno de um tema que exige atenção contínua, qualificação da assistência e atuação integrada em todo o país.

“Precisamos nos colocar como agentes de transformação. A redução da mortalidade materna deve ser um compromisso coletivo, desde os pequenos municípios até as grandes capitais, com profissionais atuando de forma vigilante e responsável em toda a linha de cuidado”, destaca a especialista. A expectativa é que, com investimentos em assistência qualificada, ampliação do acesso ao pré-natal especializado e fortalecimento da rede de atenção materno-infantil, o Brasil avance de forma consistente na redução desses índices.

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