Violência sexual: avanço em medicação profilática esbarra no acesso e na adesão, alerta ginecologista da FEBRASGO
15 maio. de 2026
18 de maio é o Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes
O atendimento a vítimas de violência sexual é uma emergência médica. Para que as profilaxias contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), incluindo HIV, sejam efetivas, o ideal é que o cuidado seja iniciado nas primeiras 24 horas após a exposição, podendo ocorrer, no máximo, até 72 horas. No caso do HIV o medicamento deve ser usado por 28 dias, e tem efeitos adversos importantes.
“No entanto, para crianças e adolescentes terem acesso ao serviço de saúde dentro desse prazo ainda é um grande desafio. Até porque muitas vezes elas são expostas cronicamente à violência, dentro de casa”, alerta Dra. Aline Veras Morais Brilhante, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Violência Sexual e Interrupção Gestacional Prevista Em Lei da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.
A dificuldade também chega às pessoas com deficiência, que são mais vítimas de violência sexual do que os seus pares sem deficiência, e são muito frequentemente expostas a uma violência sexual crônica, do mesmo modo que as crianças. “A gente tem barreiras físicas, geográficas, de comunicação e que dificultam a assistência”, relata a Dra. Aline, que será palestrante sobre “Avanços nas profilaxias de IST em populações vulneráveis vítimas de violência sexual” no 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece de 27 a 30 de maio, no Minascentro, em Belo Horizonte (MG).
Outro grupo vulnerável é o de pessoas trans, pois os serviços de assistência à pessoa em situação de violência geralmente estão vinculados à maternidade, e acabam recebendo mais mulheres cis.
Avanço com a Doxy-PEP
Entre os avanços recentes na prevenção de ISTs bacterianas está a incorporação da doxiciclina como profilaxia pós-exposição, conhecida como Doxy-PEP. O público-alvo principal inclui homens que fazem sexo com homens, mulheres trans e travestis que fazem sexo com homens, pessoas vivendo com HIV ou em uso de PrEP que tenham apresentado IST bacteriana, como sífilis, clamídia ou gonorreia, nos últimos 12 meses. “Entretanto, estudos indicam que o medicamento não é efetivo para mulheres cis que foram violentadas sexualmente por homens”, explica a médica.
De acordo com a Dra. Aline, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) já haviam incorporado esse esquema. No Brasil, a Portaria SCTIE/MS nº 16, publicada em 10 de março, incorporou a Doxy-PEP ao SUS. “É uma estratégia que reduz em mais de 70% os casos de sífilis e clamídia em algumas populações de alto risco. Isso colocou o Brasil entre os primeiros países da América Latina a institucionalizar essa modalidade. A implementação efetiva no SUS deve acontecer até setembro de 2026”, informa.
Acesso e adesão ainda preocupam – Apesar dos avanços regulatórios e da incorporação de novas estratégias de prevenção, a efetividade da assistência depende de acesso rápido, acolhimento adequado, equipes capacitadas e acompanhamento das vítimas.
“O Brasil tem um marco regulatório robusto no papel, mas a implementação é muito desigual. O cuidado às vítimas de violência sexual deve envolver uma rede intersetorial, com atuação articulada entre saúde, segurança, justiça e proteção social. O atendimento deve ser humanizado, livre de estigmas e organizado para reduzir atrasos em todas as etapas”, finaliza Dra Aline.
63º CBGO
Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia
https://febrasgo.iweventos.com.br/cbgo2026
#CBGO2026
Data: 27 a 30 de maio de 2026
Local: Minascentro – Belo Horizonte – Minas Gerais
Credenciamento para imprensa: imprensa@gengibrecomunicacao.com.br