Dia das Mães: FEBRASGO destaca a importância do cuidado obstétrico seguro e contínuo

Compartilhe a publicação
Dia das Mães: FEBRASGO destaca a importância do cuidado obstétrico seguro e contínuo

08 maio. de 2026

  • Pré-natal de qualidade, acompanhamento contínuo e assistência adequada no parto e no puerpério são fundamentais para proteger a vida das mulheres
  • 7 em cada 10 mortes são evitáveis no Brasil

 

O Dia das Mães é uma data marcada por celebração, afeto e reconhecimento. Mas também deve ser um momento de reflexão sobre os desafios que ainda cercam a maternidade no Brasil. Entre eles, está a mortalidade materna, indicador que revela desigualdades no acesso, na qualidade da assistência e na continuidade do cuidado oferecido às mulheres durante a gestação, o parto e o puerpério.

“Mais de 70% das mortes maternas poderiam ser prevenidas com assistência oportuna e qualificada. A morte materna é aquela que ocorre durante a gestação, no parto ou até 42 dias após o término da gravidez, quando relacionada ou agravada pela gestação. Entre as principais causas estão hipertensão, hemorragia, infecção pós-parto e aborto inseguro”, explica a Dra. Rossana Pulcineli Vieira Francisco, presidente da Comissão Nacional Especializada em Mortalidade Materna da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

Para ela, reduzir esses índices exige mais do que ampliar o acesso aos serviços de saúde. É preciso garantir qualidade no cuidado, identificação precoce de riscos, acompanhamento próximo da gestante e integração entre os diferentes pontos da rede de assistência. O pré-natal, nesse contexto, tem papel estratégico, pois permite reconhecer doenças pré-existentes, avaliar vulnerabilidades, monitorar condições como a hipertensão e orientar a gestante e sua rede de apoio.

Dados que preocupam:

– A razão de morte materna no Brasil é de 57 (contra 8 na Finlândia e 4 na Austrália). Esse número mede óbitos por causas ligadas à gestação/parto por 100 mil nascidos vivos.

– 7 em cada 10 mortes são evitáveis no Brasil.

– Infecção purperal, hipertensão, hemorragias são as principais causa de morte materna.

– Entre 2016 e 2022, são mais de 20mil órfãos como consequência da mortalidade materna.

“O cuidado não termina no nascimento do bebê. O puerpério é um período sensível, que exige atenção aos sinais de alerta, escuta qualificada e acesso rápido aos serviços de saúde sempre que houver necessidade. Complicações podem surgir ou se agravar após o parto, o que torna indispensável a continuidade da assistência”, comenta a ginecologista, que dará aula intitulada “Benchmarking: ações eficazes para reduzir mortes maternas no Brasil e no Mundo” durante o 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026).

A mortalidade materna também está relacionada a desigualdades sociais, raciais e territoriais. Mulheres em situação de maior vulnerabilidade podem enfrentar mais barreiras para chegar ao serviço de saúde, receber diagnóstico oportuno e ter acesso a um atendimento resolutivo. Por isso, a redução das mortes maternas deve ser tratada como prioridade de saúde pública e compromisso coletivo.

“Celebrar as mães também significa defender políticas, práticas assistenciais e redes de cuidado capazes de proteger vidas antes, durante e depois do parto”, finaliza a médica.

Veja mais conteúdos

Dia do Ginecologista – Presidente da FEBRASGO faz um balanço do cenário da especialidade

30 out. de 2026

Implanon ampliado para cinco anos: FEBRASGO explica benefícios

29 out. de 2026

ACOG atualiza diretrizes para tratamento dos sintomas da menopausa

26 out. de 2026

CONITEC abre Consulta Pública sobre terapia hormonal na menopausa

23 out. de 2026

Dia Mundial da Osteoporose alerta para perda óssea silenciosa e riscos na menopausa

20 out. de 2026

Osteoporose: fraturas após pequenos traumas podem ser um sinal de fragilidade óssea da mulher

19 out. de 2026

Dia Mundial da Menopausa: terapia hormonal pode aliviar sintomas, mas exige avaliação individual

18 out. de 2026

SUMMIT FEBRASGO inovação em GO aborda wearables, modelos assistenciais e robótica

16 out. de 2026

SUMMIT FEBRASGO Inovação em GO traz, pela primeira vez, a sessão meio-ambiente e saúde feminina

16 out. de 2026

SUMMIT FEBRASGO Inovação em GO: Quando o algoritmo erra

16 out. de 2026

SUMMIT FEBRASGO Inovação em GO: Saúde da mulher e anemia

16 out. de 2026

SUMMIT FEBRASGO Inovação em GO debate: precisão para quem?

16 out. de 2026