Prevenção da Neoplasia de Ovário: Realidade?

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Prevenção da Neoplasia de Ovário: Realidade?

11 jul. de 2017

No câncer de ovário devemos avaliar as medidas preventivas no sentido de prevenção primária e secundária e enquadrar a paciente em grupo de risco populacional ou de alto risco. Os fatores de risco e incluem história familiar de câncer de ovário ou mama em parentes de 1 grau, nuliparidade, não uso de anticoncepcional hormonal oral (ACO), obesidade e uso de talco vaginal. Na prevenção primária, que consiste na tentativa de evitar o câncer de ovário, deve-se estimular as medidas preventivas (paridade, uso de ACO e outros) além de indicar salpingo-ooforectomia bilateral após os 35 – 40 anos com prole completa em pacientes de alto risco (história familiar, mutação de BRCA 1 ou 2 e Síndrome de Lynch).

Nas pacientes de risco populacional deve-se estimular medidas preventivas (ACO). Nessas pacientes, a salpingo-ooforectomia profilática realizada em conjunto com demais cirurgias pélvicas, mesmo em pacientes na menopausa, não se demonstra uma boa opção, já que os estudos mostram haver aumento do risco de morte por doenças cardio-vasculares e osseas nas mulheres que retiram os ovários antes dos 63 anos, tornando os efeitos colaterais superiores ao benefício da prevenção de câncer de ovário nessa população.  Já a prevenção secundária consiste no diagnóstico precoce da doença, e em pacientes de alto risco inclui a realização de exames como: CA 125 e Ecografia Transvaginal a cada 6 meses, ainda que não haja estudos mostrando diminuição da mortalidade por câncer de ovário com esta conduta.

Nas pacientes de risco populacional, não está indicado rastreamento do câncer de ovário com Eco TV e CA 125, pois segundo publicações recentes (PLCO Trial e ensaio clínico Japonês), o uso destes exames anuais não trouxe impacto em termos de diminuição da mortalidade, aumentou resultados falsos positivos que levaram a cirurgias desnecessárias com complicações (15%) e as pacientes foram diagnosticadas em estágios avançados (III ou IV) no grupo rastreado tanto quanto no grupo controle em 73% dos casos. O último ensaio clínico publicado, o ensaio clínico Europeu, UCKTOCS, demonstrou benefício do rastreamento apenas com a modalidade de rastreamento multimodal (CA 125 junto com um software que gera um escore de risco), na população rastreada após 7 anos, excluindo tumores de origem peritoneal.

Por esse motivo, não há indicação de rastreamento de câncer de ovário na população de risco habitual. Qualquer medida preventiva além do exame ginecológico anual pode trazer mais malefícios do que benefícios para a paciente.

 

 

Escrito por:  Prof. Dr. Ricardo dos Reis (Titular do Departamento de Ginecologia Oncológica – Hospital de Câncer de Barretos)

 

 

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