Nota de repúdio – FEBRASGO

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Nota de repúdio – FEBRASGO

14 jul. de 2017

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) vem a público repudiar declaração do ministro da Saúde, Ricardo Barros, de que o profissional médico, de forma geral, “tem de parar de fingir que trabalha”.

Em nome dos ginecologistas, obstetras e em solidariedade a todos os que exercem a medicina no Brasil, a FEBRASGO lamenta que o representante público do Ministério de Estado da Saúde não tenha visão dos problemas da pasta que conduz e a menor sensibilidade social, o que seria a única explicação para palavras tão desconectadas da realidade, desastrosas e inadequadas.

Diferentemente do próprio Estado, que faz vistas grossas às necessidades de saúde da população, investindo irrisoriamente, congelando recursos por vinte anos, administrando de forma caótica, remunerando pessimamente os recursos humanos e não oferecendo condições mínimas de assistência em grande parte das unidades do País, os médicos enfrentam todas essas adversidades diariamente, às vezes só com a cara e a coragem, para garantir atendimento digno e humano aos cidadãos.

Em relação especificamente aos médicos ginecologistas e obstetras, as condições de trabalho das maternidades são as piores possíveis, sem ambiência necessária para assistência ao parto vaginal, além das dificuldades encontradas nas unidades básicas de saúde para realização das consultas de pré-natal.

O trabalho dos médicos ginecologistas e obstetras, além de todos os profissionais envolvidos com a saúde da mulher, é responsável pelo bem-estar de duas vidas, e seu empenho e dedicação necessita suprir inúmeras dificuldades encontradas cotidianamente, a maior parte delas originárias da falta de políticas públicas consistentes do próprio Ministério da Saúde e do Estado.

A FEBRASGO entende que a falta de responsabilidade atribuída pelo ministro ao médico brasileiro é um insulto a um profissional que dedica boa parte de sua vida ao cuidado do próximo em condições absolutamente precárias e sem justa remuneração. Portanto, vem exigir uma retratação pública de Vossa Excelência.

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