Mulheres sobreviventes de câncer ginecológico maioria não tem contraindicação para reposição hormonal

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Mulheres sobreviventes de câncer ginecológico maioria não tem contraindicação para reposição hormonal

17 out. de 2025

  • Cerca de 40% dessas mulheres estão na pré-menopausa ou perimenopausa
  • 18 de outubro – Dia Mundial da Menopausa

 

Antes de falar de reposição hormonal sistêmica (via oral ou por adesivos), é importante reforçar que não há contraindicação para o uso de estrógeno em creme vaginal. Pela via vaginal, a absorção do hormônio é muito pequena e o benefício para a saúde geniturinária é significativo. A maioria dos médicos já prescreve de rotina”, informa a Dra. Sophie Françoise Mauricette Derchain, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Oncológica da FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). Ela comenta ainda que cerca de 40% das mulheres com câncer ginecológico estão na pré-menopausa ou perimenopausa.

Dra. Sophie explica também que em relação à reposição hormonal sistêmica, apesar do medo de pacientes e profissionais de saúde, a maioria das mulheres sobreviventes de câncer ginecológico não tem contraindicação. Segundo o Posicionamento da FEBRASGO – Menopausa em sobreviventes de câncer ginecológico: evidências para tomada de decisão (2025), desde que não haja contraindicações, a terapia hormonal sistêmica pode ser recomendada a mulheres com menos de 45 anos com menopausa induzida.

“O tratamento deve ser personalizado, considerando a idade, o tipo de câncer, o tempo de diagnóstico, a qualidade de vida, a presença de outras doenças, fatores de risco para doenças crônicas e sempre priorizando a preferência da paciente”, explica a médica.

Ainda de acordo com ela, a reposição com estrógeno pode ser indicada para a maior parte das mulheres com câncer de endométrio em estágios iniciais. Não há evidências de segurança em casos de câncer de endométrio avançado, de alto grau ou sarcomas.

No câncer de ovário, a terapia estrogênica é benéfica, exceto em casos raros como carcinoma seroso de baixo grau, carcinoma endometrioide e tumor de células da granulosa, onde as evidências ainda são insuficientes. Já para sobreviventes de carcinoma escamoso de colo do útero, não existe contraindicação para reposição hormonal. Quando o útero está presente, o estrógeno deve ser associado à progesterona, mesmo após quimiorradiação.

“De maneira muito pessoal, eu acredito que os sintomas e os efeitos deletérios da menopausa induzida ou normal, precoce ou não, sejam negligenciados em todas as mulheres sobreviventes de câncer. Tem-se uma impressão totalmente desatualizada de que os efeitos colaterais do tratamento devem ser aceitos como consequência inevitável. O câncer assusta e fragiliza, e muitas vezes estar viva e sem doença é considerado o máximo. Mas a sobrevida por câncer é bem maior do que se imagina, e essa sobrevida pode ser muito, muito longa. Sobreviver a um câncer é natural quando ele é diagnosticado precocemente e bem tratado. A vida após o câncer pode e deve ser aproveitada em todos os seus aspectos, desde uma boa saúde mental, óssea, cardiovascular e sexual. Por outro lado, o medo infundado do aumento de recidiva leva muitos médicos e muitas mulheres a não considerar a reposição hormonal. Esse paradigma pode ser revertido”, finaliza Dra. Sophie.

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