FEBRASGO alerta: mulheres vítimas de violência sexual ainda enfrentam barreiras para acessar atendimento integral previsto em lei

Compartilhe a publicação
FEBRASGO alerta: mulheres vítimas de violência sexual ainda enfrentam barreiras para acessar atendimento integral previsto em lei

09 out. de 2025

  • 10/10 – Dia Nacional de Luta contra violência à Mulher

Apesar de o Brasil contar com normas técnicas e legislação que garantem atendimento integral às mulheres vítimas de violência sexual, incluindo o direito à interrupção gestacional nos casos previstos em lei (consulte aqui a Lei nº 12.845/2013), na prática, o acesso a esse cuidado ainda é marcado por obstáculos graves e recorrentes. A avaliação é da Dra. Aline Veras Morais Brilhante, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Violência Sexual e Interrupção Gestacional Prevista em Lei da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), que reforça a urgência de ampliar e qualificar a rede de assistência.

Segundo ela, a primeira barreira enfrentada pelas mulheres é a falta de informação sobre onde buscar atendimento. “Essa paciente já está em sofrimento extremo, muitas vezes em estado de choque, com medo e vergonha, e não sabe a quais serviços recorrer. Em boa parte do país não há divulgação clara sobre os locais preparados para prestar assistência”, explica.

Além disso, a desinformação entre profissionais de saúde é outro entrave. Embora a legislação determine que hospitais e maternidades estejam aptos a acolher vítimas de violência sexual, nem sempre as equipes estão capacitadas para oferecer atendimento imediato e adequado. Isso leva à revitimização das mulheres, obrigadas a peregrinar por diferentes serviços em busca de ajuda.

Outro problema central é a baixa disponibilidade e má distribuição geográfica dos serviços de referência, concentrados nos grandes centros urbanos. Mulheres que vivem em áreas rurais ou regiões mais remotas ficam ainda mais vulneráveis. “É uma questão estrutural e de saúde pública. Precisamos ampliar a rede e garantir, pelo menos, um serviço capacitado em cada cidade de médio porte e assegurar um fluxo regionalizado e organizado, que não deixe mulheres residentes em cidades de pequeno porte desassistidas”, destaca a especialista.

O atendimento, conforme preconizado pela norma técnica, deve incluir profilaxias contra infecções sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada, que só podem ser realizadas dentro de até 72 horas após a violência. Já em casos em que a gestação ocorre, a mulher deve ter assegurado o direito de escolha sobre seguir ou interromper a gravidez, com suporte psicológico e social durante todo o processo.

A médica da FEBRASGO reforça que a capacitação contínua e abrangente das equipes multiprofissionais é essencial. “Os treinamentos ainda são pontuais, desiguais e excessivamente técnicos, deixando de lado aspectos fundamentais como escuta empática, acolhimento humanizado, perspectiva de gênero e fluxos de atendimento claros dentro dos serviços. Sem isso, perpetua-se o despreparo e a fragmentação da assistência”, avalia.

Para a FEBRASGO, superar essas barreiras exige investimento em políticas públicas, formação permanente de profissionais e expansão da rede de atendimento. Neste sentido, a entidade busca reforçar a campanha #EuVejoVocê – Pelo fim da violência contra a mulher com notícias, informativos, vídeos, lives e infográficos para ampliar as discussão e fornecer informações sobre o assunto.

“Estamos falando de mulheres em situação de extremo sofrimento. É nosso dever, como sociedade, oferecer acolhimento, segurança e respeito a quem mais precisa”, conclui Dra. Aline.

Veja mais conteúdos

TSH acima de 2,5 na gravidez nem sempre significa doença da tireoide, alerta nova diretriz

05 out. de 2026

Manifesto da AMB por uma Medicina de Qualidade e uma Saúde Melhor para o Brasil

02 out. de 2026

Osteoporose antes da menopausa pode sinalizar outras doenças

02 out. de 2026

IMSRIO2026: FEBRASGO promove Simpósio sobre terapia hormonal e saúde cardiovascular

02 out. de 2026

Carta do Rio de Janeiro: Posicionamento das sociedades médicas sobre implantes hormonais manipulados

01 out. de 2026

Outubro Rosa: o que muda na saúde sexual da mulher após o câncer de mama

01 out. de 2026

Especialista da FEBRASGO alerta: Fitoterápicos para fogachos têm evidências limitadas e não devem substituir tratamentos comprovados

30 set. de 2026

IMSRIO2026 – Presidente da FEBRASGO debate a saúde cardiovascular da mulher na menopausa e a THM

30 set. de 2026

Antes do primeiro choro: nascimento seguro começa muito antes da sala de parto

25 set. de 2026

Hormônio vilão? Por que tantas mulheres ainda têm medo dos contraceptivos hormonais?

25 set. de 2026

Menstruação, anticoncepcional e vida sexual: ginecologista esclarece seis dúvidas das adolescentes

21 set. de 2026

ANS amplia cobertura da mamografia digital nos planos de saúde; entenda o que muda para as mulheres

21 set. de 2026