Diretoria da Febrasgo foi convidada para participar da audiência pública realizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher

Compartilhe a publicação
Diretoria da Febrasgo foi convidada para participar da audiência pública realizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher

14 jun. de 2024

Na tarde da última quarta-feira, dia 12, as Comissões de Defesa dos Direitos da Mulher e de Saúde da Câmara dos Deputados organizaram uma audiência pública centrada na discussão da violência obstétrica e na questão da mortalidade materna.

O evento contou com a presença da parlamentar do PT Juliana Cardoso (SP). Além da parlamentar, estiveram presentes representantes da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, incluindo a Dra. Roseli Nomura, diretora administrativa, e a Dra. Lia Cruz, diretora de defesa profissional.

A FEBRASGO reiterou seu apoio a todas as iniciativas voltadas para a defesa dos direitos das mulheres, em consonância com as políticas de atenção à saúde feminina preconizadas pela Organização Mundial da Saúde. Apoia qualquer ação que demonstre, com preocupação e firmeza, propostas para erradicar toda forma de violência contra a mulher, durante o atendimento em saúde, principalmente nos momentos de gestação, abortamento, parto e puerpério.

No evento, a Dra. Roseli Nomura ressaltou que a FEBRASGO é favorável ao uso de um termo abrangente para descrever a violência que afeta as mulheres durante a gestação, abortamento, parto e puerpério. “É crucial estar consciente de que  ‘violência durante a gestação, abortamento e parto puerpério’ abrange diversas formas de violência, não apenas a violência física, mas também a violência estrutural ou institucional, que pode se manifestar através de discriminação baseada na raça/cor ou na idade da mulher. Além disso, abarca a violência durante o procedimento de abortamento, seja ela física ou emocional, e a violência profissional, que ocorre quando os profissionais de saúde não respeitam os direitos e a autonomia da mulher. Em suma, é importante reconhecer e combater todos os tipos de violência que as mulheres possam enfrentar durante esse momento especial de suas vidas”, frisou a Dra. Roseli.

 

Mortalidade Materna

Outro tema destacado pela FEBRASGO foi o reflexo da violência contra a mulher na mortalidade materna. A Dra. Roseli ressalta que o Brasil enfrenta uma alta taxa de mortalidade materna, que está abaixo dos objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos pela ONU, os quais preconizam uma razão de mortalidade materna de 30 mortes para cada 100 mil nascidos vivos. Atualmente, o país registra uma mortalidade materna de 57,7 mortes por 100 mil nascidos vivos. “Ao analisarmos algumas especificidades, notamos que em certos estados, como Roraima, os índices de mortalidade materna se assemelham aos observados na África. Por exemplo, lá existem maternidades improvisadas em tendas de lona, o que provavelmente está relacionado a essa alta taxa de mortalidade materna. Esse cenário reflete uma forma de violência estrutural ou institucional, onde as condições inadequadas de saúde para o atendimento à gestante contribuem para esse grave problema “, destacou.

Além disso, ressaltou-se que a razão de mortalidade materna é maior entre mulheres negras, sugerindo a presença de um fator racial que pode resultar em um atendimento deficiente para esse grupo, configurando uma outra forma de violência.

Embora a FEBRASGO conte com cerca de 15 mil associados, lamentavelmente, nem todos os ginecologistas e obstetras do país fazem parte da entidade. Há um contingente de aproximadamente 37 mil ginecologistas no Brasil, sendo que menos da metade está associada à FEBRASGO.

“Nossa associação tem se dedicado a fornecer educação continuada e atualização científica, por meio de publicações e da colaboração com o Ministério da Saúde na elaboração de manuais e diretrizes. A FEBRASGO está comprometida em apoiar todas as medidas e normas que visem aumentar a proteção e garantir os direitos das mulheres”, finalizou a Dra. Roseli.

 

Veja mais conteúdos

FEBRASGO destaca saúde da mulher ao longo da vida durante o 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral

15 jun. de 2026

Mulheres são mais vulneráveis às infecções sexualmente transmissíveis por fatores biológicos, revela especialista

12 jun. de 2026

Doação de sangue salva vidas na Ginecologia e Obstetrícia, alerta FEBRASGO

12 jun. de 2026

Nota técnica sobre a suspensão da vacina contra dengue do Butantan

09 jun. de 2026

FEBRASGO alerta: Mulheres acima dos 40 anos não devem deixar vacinação fora da rotina de cuidado

09 jun. de 2026

Gestrinona: o anabolizante vendido com falsas promessas

03 jun. de 2026

Nota de Falecimento – Professor Hans Wolfgang Halbe

01 jun. de 2026

CBGO 2026: especialistas de países de língua portuguesa discutem desafios para reduzir o câncer do colo do útero e a mortalidade materna.

01 jun. de 2026

CBGO 2026: Fórum de Defesa Profissional debate uso da inteligência artificial na Ginecologia e Obstetrícia

01 jun. de 2026

CBGO2026: palestra do Dr. Frank Louwen reforça importância da capacitação em parto pélvico

01 jun. de 2026

CBGO 2026 encerra edição marcada por ciência, pactos pela saúde da mulher e integração entre sociedades

01 jun. de 2026

CBGO 2026 chega ao último dia com final do Febraquiz e programação científica intensa

01 jun. de 2026