Dia Mundial da Saúde: da primeira menstruação à menopausa, cuidado ginecológico ao longo da vida é aliado da prevenção
06 abr. de 2026
Consulta anual com ginecologista ajuda a orientar meninas, rastrear doenças, acompanhar a gestação, cuidar da saúde na menopausa e até identificar situações de violência
No Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, especialistas reforçam que o cuidado com a saúde da mulher precisa ser contínuo e acompanhar cada fase da vida. Da adolescência ao climatério, a consulta ginecológica tem papel central na prevenção, no diagnóstico precoce e na orientação sobre mudanças do corpo, exames de rotina, gestação e até sinais silenciosos de violência.
Segundo a ginecologista Dra. Zsuzsanna Ilona Katalin De Jarmy Di Bella, assessora da diretoria científica da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – não existe uma idade exata para a menina começar a frequentar o ginecologista, mas a fase próxima da primeira menstruação costuma ser um bom momento para esse primeiro contato. Atualmente, a menarca pode acontecer já a partir dos 10 anos.
Cuidados com as meninas
A primeira consulta, explica a médica, costuma ser um encontro de orientação e acolhimento. É o momento de esclarecer dúvidas sobre o funcionamento do corpo, vacinas importantes (como a de prevenção contra o HPV), menstruação, cólicas, tensão pré-menstrual, corrimentos e até sobre os diferentes tipos de absorventes disponíveis, como as calcinhas absorventes. A ideia é que a menina conheça o ginecologista em um ambiente seguro, sem medo e com espaço para perguntas.
Com o passar do tempo e o estabelecimento do ciclo menstrual, a avaliação passa a observar o padrão da menstruação, a presença de queixas e se o funcionamento está dentro do esperado. A recomendação, de forma geral, é que a mulher mantenha uma consulta ginecológica anual. Quando essa etapa não acontece na adolescência, a proximidade do início da vida sexual — ou o seu início — já torna a ida ao ginecologista ainda mais importante.
Cuidados com a jovem adulta e a mulher que deseja engravidar
Ao longo da vida adulta, os exames preventivos mudam conforme a faixa etária. Em relação ao rastreamento do câncer do colo do útero, a orientação atual do Ministério da Saúde é a realização do teste para detecção do HPV a cada cinco anos (se o resultado for negativo), entre os 25 e os 65 anos, em substituição ao modelo anterior baseado no Papanicolau (veja aqui posicionamento da FEBRASGO: Infecção pelo HPV – Rastreamento, diagnóstico e conduta nas lesões HPV-induzidas).
A mamografia é recomendada de forma anual a partir dos 40 anos por entidades como a FEBRASGO e a Sociedade Brasileira de Mastologia, embora o Ministério da Saúde considere o exame anual a partir dos 50 anos e opcional entre 40 e 50 anos.
“Outros exames, como a ultrassonografia transvaginal, não são indicados como medida preventiva de rotina, embora possam ter papel relevante no acompanhamento ginecológico de muitas pacientes. Por isso, o principal cuidado preventivo segue sendo a consulta ginecológica anual, capaz de individualizar condutas, orientar hábitos e indicar exames conforme a necessidade de cada mulher”, explica a médica.
Na gestação, o pré-natal é indispensável e deve começar o quanto antes. As consultas costumam ser mensais e se tornam mais frequentes no último mês de gravidez, podendo ser quinzenais ou semanais. Nesse período, o uso de ácido fólico ou folato é essencial, idealmente já antes da gravidez ou assim que a gestação for descoberta.
“Entre os exames importantes no início do pré-natal estão a tipagem sanguínea, hemograma, avaliação da tireoide, investigação do metabolismo da glicose e sorologias para infecções como HIV, sífilis, hepatites B e C, toxoplasmose, rubéola, citomegalovirose e mononucleose. O exame de urina também faz parte da rotina, inclusive para detectar infecções urinárias ou bacteriúria assintomática”, pontua a Dra. Zsuzsanna. A ultrassonografia deve ser realizada pelo menos uma vez por trimestre, e os exames morfológicos do primeiro e do segundo trimestre são especialmente importantes para rastrear alterações genéticas e malformações fetais, segundo ela.
Cuidados com a mulher madura
No climatério e na menopausa, o acompanhamento também deve ser mantido, ao menos uma vez por ano. Nessa fase, além da mamografia, ganha importância a avaliação da saúde óssea, especialmente a partir dos 60 anos, com a realização da densitometria óssea. “O acompanhamento da mulher nesse período deve ser mais amplo, com atenção ao risco cardiovascular, às alterações cognitivas, à osteopenia e à osteoporose”, comenta a médica.
A terapia hormonal, quando não há contraindicações, pode ser considerada principalmente nos primeiros 10 anos após a menopausa, especialmente em mulheres com sintomas climatéricos. A decisão deve ser individualizada, mas pode trazer benefícios importantes, como redução do risco de osteoporose, melhora de sintomas e possível impacto positivo em desfechos cardiovasculares, cognitivos e intestinais.
A consulta ginecológica, porém, vai além dos exames e das orientações clínicas. Também pode ser um espaço importante para identificar situações de violência contra a mulher. Segundo a especialista, a violência pode se manifestar de várias formas — psicológica, física, sexual, no ambiente de trabalho ou estrutural — e muitas vezes só aparece quando há acolhimento e escuta qualificada.
Nesse contexto, o ginecologista também deve estar atento a questões emocionais, sinais físicos recentes e mudanças de comportamento que possam indicar sofrimento. “Mais do que reconhecer marcas no corpo, é fundamental criar um ambiente em que a mulher se sinta segura para falar sobre a violência, seja ela aguda ou crônica”, orienta a Dra. Zsuzsanna.
No Dia Mundial da Saúde, a mensagem é clara: o cuidado ginecológico não deve começar apenas diante de sintomas. Ao acompanhar a mulher em cada etapa da vida, a especialidade contribui para prevenir doenças, promover bem-estar e ampliar a proteção da saúde feminina de forma integral.