Como sei que estou curada da mola?

Compartilhe a publicação
Como sei que estou curada da mola?

13 set. de 2017

As pacientes portadoras de mola hidatiforme, quer pela inexperiência ou desconhecimento, tendem a procurar curas milagrosas, fantásticas e rápidas que na realidade não existem.

 Importante é que após o diagnóstico clínico ou ultrassonográfico, tratamento cirúrgico, quimioterápico ou simplesmente após o esvaziamento uterino, haverá necessidade de acompanhamento clinico e laboratorial em um Centro de Referência específico.

Para que o tratamento seja exitoso e a cura possa ser alcançada, há necessidade de muita paciência e tolerância por parte da mulher acometida e de seus familiares. A colaboração de todos os envolvidos é fundamental para que o desfecho seja o almejado.

Para que o médico assistente possa afirmar que a mulher apresenta sinais de cura clínica, deverá ser identificada, primeiramente, melhora do estado geral, ou seja, a prostração e o abatimento característicos dos primeiros dias após o diagnóstico, de nítida influência psicológica, deverão ir sendo substituídos gradativamente pelo retorno do ânimo e do desejo de assumir as lides cotidianas.

Ao mesmo tempo, o exame do aparelho genital realizado pelo médico assistente deverá reconhecer importante diminuição do volume uterino. O útero deverá voltar à sua posição intra-pélvica. Por consequência e paralelamente, a mulher deverá constatar o desaparecimento do sangramento vaginal. A hemorragia vai sendo substituída progressivamente por sangramentos esporádicos, de pequena monta, até a sua total cessação. O retorno do fluxo menstrual selará definitivamente o fim dos sintomas hemorrágicos.

O exame pélvico e as ultrassonografias realizadas nesta fase mostrarão a involução dos cistos localizados nos ovários, em um ou em ambos os lados. Este sinal estará vinculado ao declínio e ao consequente desaparecimento das taxas de gonadotrofina coriônica (hCG) do sangue e da urina materna. A detecção deste hormônio é compatível com a presença de células do tumor molar no útero ou em alguma parte do corpo da mulher acometida.

Portanto, é importante frisar que o hCG servirá para caracterizar a cura da doença, bem como para ajudar no tratamento proposto. Assim, três dosagens com intervalo semanal do hCG com resultado normal e assim mantidas por seis meses, para as pacientes que apresentaram involução espontânea da doença, e por 12 meses após o final do tratamento, nas pacientes tratadas por neoplasia trofoblástica gestacional, definitivamente selarão a cura.

Em suma, o desaparecimento do hCG do sangue materno, de acordo com os critérios citados, é compatível com a cura total.

O seguimento a ser realizado após a cura deverá ser pontual, sistemático e rigoroso. Só assim, e sob cuidados médicos criteriosos é que o seu médico assistente poderá liberá-la para nova gravidez. Entretanto, merece ser enfatizado que as raras recidivas do hCG ou dos sinais clínicos citados terão importância do ponto de vista do prognóstico da doença e deverão motivar a paciente a retornar ao centro de referência para acompanhamento.   

Referências

  1. Braga Neto AR, Grillo BM, Silveira E, Uberti EMH, Maestá I, Madi JM, Andrade JM, Viggiano MGC, Costa OLN, Sun SY. Doença Trofoblástica Gestacional. In: Ginecologia e Obstetrícia – Febrasgo para o médico residente. Urbanetz AA (Coordenador). São Paulo: Editora Manole, 2016. pp. 907-42.
  2. Braga A, Grillo B, Silveira E, et al. Mola – Manual de informações sobre doença trofoblástica gestacional. Sociedade Brasileira de Doença Trofoblástica

Gestacional. Rio de Janeiro. 1ª ed. 2014. p.1-12.   

  1. Belfort P, Madi JM, Grillo BM, Viggiano MGC. Neoplasia Trofoblástica Gestacional – controvérsias. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2007.

Veja mais conteúdos

Mulheres são mais vulneráveis às infecções sexualmente transmissíveis por fatores biológicos, revela especialista

12 jun. de 2026

Doação de sangue salva vidas na Ginecologia e Obstetrícia, alerta FEBRASGO

12 jun. de 2026

Nota técnica sobre a suspensão da vacina contra dengue do Butantan

09 jun. de 2026

FEBRASGO alerta: Mulheres acima dos 40 anos não devem deixar vacinação fora da rotina de cuidado

09 jun. de 2026

Gestrinona: o anabolizante vendido com falsas promessas

03 jun. de 2026

Nota de Falecimento – Professor Hans Wolfgang Halbe

01 jun. de 2026

CBGO 2026: especialistas de países de língua portuguesa discutem desafios para reduzir o câncer do colo do útero e a mortalidade materna.

01 jun. de 2026

CBGO 2026: Fórum de Defesa Profissional debate uso da inteligência artificial na Ginecologia e Obstetrícia

01 jun. de 2026

CBGO2026: palestra do Dr. Frank Louwen reforça importância da capacitação em parto pélvico

01 jun. de 2026

CBGO 2026 encerra edição marcada por ciência, pactos pela saúde da mulher e integração entre sociedades

01 jun. de 2026

CBGO 2026 chega ao último dia com final do Febraquiz e programação científica intensa

01 jun. de 2026

Informação, movimento e inovação marcam a experiência dos congressistas no CBGO 2026

01 jun. de 2026