Como e porque adotar uma contracepção efetiva no seguimento pós-molar

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Como e porque adotar uma contracepção efetiva no seguimento pós-molar

15 mar. de 2018

            Após o esvaziamento uterino para tratamento da gravidez molar, todas as mulheres devem ser acompanhadas com dosagem seriada de gonadotrofina coriônica humana (hCG) até sua normalização, em Centros de Referência. A condição clínica de uma nova gravidez durante este seguimento tornaria difícil ou impossível interpretar os resultados do hCG; por isso, é de extrema importância que as mulheres utilizem contraceptivos durante todo o período de seguimento pós-molar.(1)

            Historicamente, as pacientes eram orientadas a utilizar o método de barreira como contracepção no seguimento pós-molar. Contudo, o uso do método de barreira apresenta 2 vezes mais chance de mulheres engravidarem durante o seguimento pós-molar quando comparado aos contraceptivos hormonais 1.     

            A anticoncepção é fundamental no acompanhamento pós-molar pois quando ocorre ascensão ou platô do hCG há que se avaliar a progressão da gravidez molar para a neoplasia trofoblástica gestacional. Deve-se, contudo, excluir nova gravidez, ou mesmo a presença de restos molares intrauterinos. Daí a importância de garantir-se que a paciente não estará grávida, pois a gestação desqualificará o hCG como marcador tumoral da NTG.

            Para tal, os contraceptivos hormonais, orais, injetáveis ou transdérmicos, são preferíveis por suprimir o LH endógeno, minimizando os riscos de reação cruzada entre a subunidade alfa do LH com a do hCG.

            Deve-se garantir a contracepção ao menos por 6 meses após a remissão da doença para as pacientes que tiveram gravidez molar. Já aquelas tratadas com quimioterapia para NTG, a contracepção deve ser postergada para até 12 meses após a última sessão de quimioterapia, não apenas para permitir a detecção da recidiva da NTG (mais comum no primeiro ano da remissão), como também para eliminar os danos citotóxicos dos antineoplásicos nos folículos ovarianos, melhorando o prognóstico perinatal das gestações futuras dessas pacientes 1-3.

            Por fim, vale salientar que o uso do dispositivo intrauterino deve ser considerado apenas em pacientes já em remissão da DTG, uma vez que seu uso precocemente aumenta o  risco de perfuração uterina  por subinvolução uterina ou NTG 1.

Leitura suplementar

Dantas PRS, Maestá I, Filho JR, Junior JA, Elias KM, Horowitz N, Braga A, Berkowitz RS. Does hormonal contraception during molar pregnancy follow-up influence the risk and clinical aggressiveness of gestational trophoblastic neoplasia after controlling for risk factors? Gynecol Oncol. 2017;147(2):364-370.

Lurain JR. Gestational trophoblastic disease I: Epidemiology, pathology, clinical presentation and diagnosis of gestational trophoblastic disease, and management of hydatidiform mole. Am J Obstet Gynecol. 2010;203(6):531–9.

Maestá I, Braga A. Desafios do tratamento de pacientes com doença trofoblástica gestacional. Rev Bras Ginecol e Obs. 2012;34(4):143–6.

Comissão Nacional Especializada em Doença Trofoblástica Gestacional

Rita de Cássia Ferreira, Antonio Braga, Bruno Grillo, Maurício Viggiano,

Izildinha Maestá, José Mauro Madi, Jurandyr Moreira de Andrade,

Sue Sun, Elza Uberti

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