Cerca de 23% das brasileiras sentem dor durante a relação sexual

Compartilhe a publicação
Cerca de 23% das brasileiras sentem dor durante a relação sexual

12 jun. de 2025

“A dor genitopélvica à penetração é uma queixa comum entre mulheres, mas ainda cercada de silêncio, estigma e desinformação. Dados globais indicam que a dor durante as relações ocorre em cerca de 8% a 21% das mulheres. Essa condição pode afetar profundamente a qualidade de vida, a autoestima e os relacionamentos afetivo-sexuais delas”, declara Dra. Jussimara Souza Steglich, membro da Comissão Nacional Especializada em Sexologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

A dor genitopélvica à penetração é uma dor persistente ou recorrente que ocorre durante tentativas de penetração vaginal, seja no sexo, no uso de absorventes internos ou durante exames ginecológicos. Ela é uma das manifestações da disfunção sexual feminina e pode ocorrer em qualquer idade.

A dor genitopélvica pode ser classificada conforme sua origem, localização e características clínicas. Os principais tipos incluem:

  • Dispareunia: dor genital associada especificamente ao ato sexual com penetração, podendo ser superficial (na entrada da vagina) ou profunda (durante a penetração total ou em determinadas posições).
  • Vaginismo: contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico, que dificulta ou impossibilita a penetração.
  • Vulvodínia: dor crônica na região vulvar, sem causa identificável, frequentemente associada à hipersensibilidade ao toque ou pressão.

“A dor pode ter causas físicas como infecções, atrofia vaginal, endometriose, cicatrizes pós-parto ou alterações hormonais e/ou causas psicossociais, como ansiedade, histórico de abuso sexual, educação sexual repressora ou experiências sexuais negativas. Muitas vezes, é uma condição multifatorial e exige avaliação cuidadosa”, explica a ginecologista.

Ela reforça que o impacto da dor genitopélvica ultrapassa a esfera física, atingindo os aspectos afetivos (conflitos conjugais, afastamento emocional, medo da intimidade), psicológicos (vergonha, autoestima baixa, depressão, ansiedade) e a sexualidade (evitação da atividade sexual, queda do desejo, anorgasmia).

“O sofrimento não é apenas físico: muitas mulheres relatam sentir-se ‘quebradas’ ou ‘inadequadas’, o que pode comprometer gravemente sua saúde mental”, alerta Dra. Jussimara.

O tratamento passa por uma abordagem integrada e individualizada, incluindo: (1) a psicoeducação e o aconselhamento sexual (fundamentais para desfazer mitos e melhorar o autoconhecimento), (2) a fisioterapia do assoalho pélvico (para reeducação muscular e alívio da dor), (3) as terapias psicológicas (como a terapia cognitivo-comportamental ou terapia focada em sexualidade), (4) o tratamento médico (incluem lubrificantes, uso de estrogênios vaginais em casos de atrofia, anticonvulsivantes ou antidepressivos para dor crônica e, em alguns casos, bloqueios anestésicos), e a (5) dilatação vaginal graduada (no tratamento do vaginismo).

“A escolha do tratamento depende da causa e da intensidade dos sintomas, mas o pilar central é sempre o respeito à vivência e ao ritmo da mulher. Falar sobre dor à penetração é um passo essencial para combater o tabu e garantir que mais mulheres recebam diagnóstico e tratamento adequados. O reconhecimento dessa dor como legítima e tratável pode mudar vidas e relacionamentos”, conclui a ginecologista.

Veja mais conteúdos

Câncer ginecológico: conhecer os sinais de alerta e manter o acompanhamento médico são fundamentais para o diagnóstico precoce

03 set. de 2026

Setembro Amarelo reforça a importância do cuidado com a saúde mental após a perda gestacional

03 set. de 2026

Endometriose: alimentação e saúde intestinal podem atuar como aliadas no controle da inflamação e da dor

31 ago. de 2026

Congresso da SOGESP debate segurança obstétrica, autonomia profissional e enfrentamento da mortalidade materna

24 ago. de 2026

Contracepção na vida real é tema de destaque no segundo dia do SOGESP 2026

24 ago. de 2026

Terapia hormonal no centro das aulas do Congresso SOGESP 2026

21 ago. de 2026

31º Congresso SOGESP promete interatividade e vivência prática

20 ago. de 2026

Especialistas da FEBRASGO discutem terapia hormonal durante o congresso SOGESP

19 ago. de 2026

Agosto Lilás: como deve ser o atendimento à vítima de violência sexual

19 ago. de 2026

II Fórum FEBRASGO reforça importância da vacinação da mulher e amplia diálogo com Ministério da Saúde

18 ago. de 2026

FEBRASGO amplia internacionalização com parceria científica na área de câncer ginecológico

11 ago. de 2026

Primeiros 1.000 dias: FEBRASGO alerta que o cuidado com o bebê começa antes do nascimento

10 ago. de 2026