Até 2044, quase metade da população adulta brasileira será obesa

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Até 2044, quase metade da população adulta brasileira será obesa

28 fev. de 2025

Excesso de peso pode reduzir a fertilidade, aumentar a predisposição para a síndrome dos ovários policísticos (SOP) e causar irregularidades ou até mesmo a ausência de ovulação

 

De acordo com estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), até 2044, 48% da população adulta brasileira será obesa e 27% terão sobrepeso. Desde 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu o dia 4 de março como o Dia Mundial da Obesidade, com o objetivo de disseminar informações, aumentar a conscientização sobre os riscos associados à doença e combater o estigma social que ainda a envolve.

Para o Dr. José Maria Soares, presidente da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina da Federação das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), os principais fatores de risco para o desenvolvimento da obesidade nas mulheres incluem genética, estilo de vida sedentário, alimentação inadequada, distúrbios hormonais e alterações metabólicas, como resistência à insulina. Além disso, fatores como gravidez, menopausa e questões emocionais também desempenham um papel importante no aumento do peso, o que torna a prevenção e o tratamento da obesidade ainda mais desafiadores.

“A obesidade nas mulheres não apenas afeta a saúde geral, mas também tem impactos diretos no ciclo reprodutivo. O excesso de peso pode reduzir a fertilidade, aumentar a predisposição para a síndrome dos ovários policísticos (SOP) e causar irregularidades ou até mesmo a ausência de ovulação. Além disso, a obesidade está associada a distúrbios menstruais e ovarianos, elevando o risco de cânceres ginecológicos, como os de ovário, mama e endométrio”, ressalta o médico.

Do ponto de vista da saúde feminina, a obesidade possui uma forte conexão com a síndrome dos ovários policísticos, desempenhando um papel significativo no seu desencadeamento. “Compreender a fisiopatologia da obesidade e as opções de tratamento disponíveis é fundamental para que os ginecologistas possam oferecer um cuidado mais eficaz às mulheres que enfrentam essa importante questão de saúde”, explica

A obesidade também tem um impacto negativo na fertilidade feminina. Mulheres com sobrepeso apresentam mais irregularidades menstruais e uma chance reduzida de concepção natural em um ano, em comparação com aquelas com peso saudável.

“Este é um problema de saúde pública global que afeta mulheres em diferentes fases de suas vidas. Os ginecologistas obstetras desempenham um papel essencial na identificação de fatores de risco, diagnóstico e tratamento da obesidade, um desafio significativo para a saúde das mulheres”, enfatiza o Dr. José Maria.

Prevenção

O médico da FEBRASGO destaca que a prevenção da obesidade começa com a adoção de hábitos saudáveis que promovam o equilíbrio entre alimentação e atividade física. Manter uma dieta balanceada, rica em frutas, legumes, grãos integrais e proteínas magras, é essencial para evitar o acúmulo de peso excessivo. Além disso, é importante controlar as porções e evitar alimentos ultraprocessados e ricos em açúcares, que contribuem para o aumento do peso.

“A prática regular de exercícios físicos, como caminhadas, corridas, musculação ou atividades que promovam o bem-estar, deve ser incorporada à rotina diária, ajudando não só na queima de calorias, mas também no fortalecimento do corpo e na melhora do metabolismo. Evitar o sedentarismo, estabelecer uma boa qualidade de sono e gerenciar o estresse também são fundamentais para manter o peso saudável. Essas pequenas mudanças no estilo de vida podem fazer toda a diferença na prevenção da obesidade e na promoção de uma vida mais saudável e equilibrada”, diz.

Tratamento

O tratamento da obesidade geralmente começa com a mudança do estilo de vida, independentemente do IMC da pessoa. No entanto, o médico explica que para muitas pessoas, essa abordagem não traz os resultados esperados e nem sempre ela é suficiente para não apenas perder peso.

Quando a mudança de hábitos não é suficiente, o próximo passo é considerar o uso de medicamentos. Porém, para iniciar esse tratamento, não basta apenas o desejo do paciente; é necessário que ele atenda a critérios específicos. “O uso de medicamentos é indicado para pessoas com IMC superior a 30 que não apresentaram resultados com a mudança de estilo de vida, ou para aquelas com IMC de 27 ou mais, mas que também apresentam comorbidades associadas à obesidade”, afirma o médico. Entre as comorbidades incluem-se hipertensão arterial, diabetes, doenças cardíacas, câncer, entre outras. O tratamento medicamentoso é sempre individualizado, levando em conta as necessidades e condições de cada paciente.

Em casos em que a mudança de estilo de vida e o tratamento medicamentoso não surtiram efeito, a cirurgia bariátrica — ou redução de estômago — pode ser uma opção. Ela é indicada para pessoas com IMC superior a 40 ou para aquelas com IMC superior a 35, desde que apresentem comorbidades associadas à obesidade e não tenham respondido adequadamente a outras abordagens terapêuticas.

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