Asma e gravidez: Até 40% das gestantes com asma podem apresentar piora clínica

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Asma e gravidez: Até 40% das gestantes com asma podem apresentar piora clínica

30 abr. de 2025

Manter o tratamento iniciado 12 meses antes da concepção pode evitar crises graves

Crises de asma na gestante podem aumentar a incidência de malformações congênitas 

Cerca de 30 a 40 % das pacientes com asma podem apresentar piora clínica durante a gestação. Destas, 20% a 25 % terão exacerbação aguda. Os fatores de riscos, que podem contribuir para a piora clínica da gestante com asma, segundo Dra. Sara Toassa Gomes Solha, especialista em Obstetrícia e Gestação de Risco da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), são o tabagismo, a obesidade, a multiparidade e alterações emocionais (depressão∕ansiedade). Mulheres negras apresentam maior prevalência de asma.

“Outra situação importante é o descontinuamento das medicações outrora em uso, logo no início da gravidez. Tal comportamento pode ser motivado por receio da paciente de algum tipo de agravo ao bebê ou mesmo por orientação equivocada do médico assistente. Desta forma, observa-se que o segundo trimestre é o momento em que, em função da privação medicamentosa desde o início da gestação, a piora clínica se faz mais evidente”, explica a especialista. Para se ter um bom controle da asma durante a gestação é importante que a paciente tenha mantido o tratamento indicado pelo seu médico nos últimos 12 meses que antecedem a concepção.

Os sinais de alerta de uma crise de asma durante a gravidez

Durante a gestação há alterações fisiológicas. A progesterona estimula o centro respiratório promovendo aumento da frequência respiratória. “A gestante desenvolve um status de alcalose respiratória leve ao longo de toda a gestação, com níveis discretamente mais altos de PO2 (pressão parcial de oxigênio que indica o percentual de oxigênio que está livre no sangue) e discretamente mais baixos de PCO2. A progesterona promove ainda expiração mais prolongada dando, por vezes, a impressão subjetiva de dispneia ou esforço ventilatório”, conta Dra. Sara.

Segundo a médica da FEBRASGO, essas alterações adaptativas precisam ser consideradas e diferenciadas de possíveis momentos de broncoespasmos não exacerbados (manifestações mais leves da asma).

No entanto, os sinais de exacerbação aguda (sinais de alarme) são os mesmos da não gestante: sibilância expressiva (inspiratória e∕ ou expiratória), dispneia progressiva podendo se manifestar em pequenos esforços ou ao falar, aumento da frequência respiratória e da frequência cardíaca, desconforto ou mesmo agitação quando em posição deitada (uso de musculatura acessória).

“É extremamente importante o entendimento de que a maioria dos medicamentos de uso rotineiro para a asma são seguros para uso na gestação. O corticoide inalatório é a base da terapia atualmente mais indicada. O tratamento na gestante é semelhante ao realizado em não gestantes com mínimas particularidades. A recomendação mais importante é não interromper os medicamentos já em uso”, alerta Dra. Sara Toassa Gomes Solha, que será palestrante durante o 62º CBGO – Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece entre os dias 14 e 17 de maio, no Riocentro, RJ.

Dentre os imunobiológicos, o anticorpo monoclonal omalizumabe (anti IgE) tem indicação para uso na gestação. “No entanto, é reservado para casos classificados na etapa V, que são os com manifestações mais graves. Está indicado principalmente na asma eosinofílica grave. As pacientes que, previamente à concepção, já fazem uso do omalizumabe podem, após decisão compartilhada e individualizada, manter o uso durante a gestação. No entanto, não se recomenda o início da terapia durante a gravidez”, conta a palestrante do 62º CBGO.

Riscos para o bebê – O principal risco das crises recorrentes devido à doença mal controlada é o aumento da incidência de malformações congênitas musculoesqueléticas, gastrointestinais e cardíacas do feto. Outros resultados adversos deste descontrole são: abortamento, prematuridade e restrição de crescimento intrauterino.

“Ressalto que o controle prévio à concepção e a manutenção das medicações em uso são fatores determinantes na prevenção de crises durante a gestação. Por isso, é importante esclarecer à gestante todos os pontos a fim de promover maior adesão ao tratamento da asma”, comenta Dra. Sara.

A médica aponta ainda que a gestante deve ser orientada sobre o uso adequado dos dispositivos inalatórios e a não exposição a fatores desencadeantes (pólen, poeira, pelos de animais, mudanças climáticas etc.). “O tabagismo (passivo ou ativo) precisa ser evitado. Se presentes, a rinite alérgica e o refluxo gastroesofágico devem ser tratados e a vacinação contra Influenza deve ser recomendada”, orienta a palestrante do 62º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia.

 

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