Anticoncepcional hormonal e câncer de mama

Compartilhe a publicação
Anticoncepcional hormonal e câncer de mama

08 dez. de 2017

        A associação entre uso de anticoncepção hormonal e câncer de mama é conhecida há vários anos e diversos estudos de coorte e metaanalises têm demonstrado , em média, aumento de risco baixo, de cerca de 10% durante o uso.

        Um grande estudo publicado no periódico New England Journal of Medicine por Morch e colaboradores em 07/12/2017 avaliou 1,8 milhão de mulheres dinamarquesas usuárias de métodos contraceptivos hormonais, com idade entre 15 e 49 anos, sem antecedente pessoal para câncer de mama, tromboembolismo ou tratamento para infertilidade. Estas mulheres foram seguidas por um tempo médio de 10,9 anos e os autores demonstraram aumento de risco de cerca de 20%  para câncer de mama em comparação com as não usuárias. O aumento de risco chegou a 38% a partir do 10º. ano de uso.

        Todos os tipos de métodos de anticoncepção hormonal foram testados, com as formulações atuais (a partir de 1995) utilizadas naquele pais, inclusive DIU com levonogestrel e o aumento de risco foi observado em todos os grupos.   

        Outras informações que este estudo nos mostram: com o passar da idade, o risco aumenta, sendo 5 vezes mais alto naquelas mulheres com mais de 40 anos quando comparadas com aquelas em torno dos 30 anos;  após a descontinuação do uso o risco mantem-se alto pelo menos por mais 5 anos.  Na prática, o aumento de risco absoluto foi de 13 casos por 100.000 mulheres mas apenas 2 por 100.000 mulheres com menos de 35 anos.

        Este estudo não avaliou, pelo menos nesta publicação, mortalidade por câncer de mama entre usuárias pregressas de métodos contraceptivos hormonais. Estas mulheres geralmente mantem-se em maior vigilância e assim como acontece nas usuárias de TH, pode ser que a mortalidade especifica pela doença seja até menor, quando estratificada pelo estadiamento ao diagnóstico.  Como o câncer de mama é uma doença multifatorial, mais importante que o aumento de risco conferido por um único e isolado fator, é a somação destes riscos, por ex, obesidade, nuliparidade, sedentarismo, história de doença proliferativa prévia e história familiar. Por isso a particularização dos casos e discussão com cada paciente continua sendo fundamental antes da indicação, sempre considerando os enormes benefícios conhecidos até hoje pela anticoncepção hormonal. Além da drástica redução de gestações não desejadas, há a diminuição de risco de câncer de ovário, endometrio, colo retal e o tratamento de inúmeras disfunções hormonais e sangramentos anormais.

                  Renato Z Torresan

                  CNE – Mastologia

Veja mais conteúdos

FEBRASGO destaca saúde da mulher ao longo da vida durante o 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral

15 jun. de 2026

Mulheres são mais vulneráveis às infecções sexualmente transmissíveis por fatores biológicos, revela especialista

12 jun. de 2026

Doação de sangue salva vidas na Ginecologia e Obstetrícia, alerta FEBRASGO

12 jun. de 2026

Nota técnica sobre a suspensão da vacina contra dengue do Butantan

09 jun. de 2026

FEBRASGO alerta: Mulheres acima dos 40 anos não devem deixar vacinação fora da rotina de cuidado

09 jun. de 2026

Gestrinona: o anabolizante vendido com falsas promessas

03 jun. de 2026

Nota de Falecimento – Professor Hans Wolfgang Halbe

01 jun. de 2026

CBGO 2026: especialistas de países de língua portuguesa discutem desafios para reduzir o câncer do colo do útero e a mortalidade materna.

01 jun. de 2026

CBGO 2026: Fórum de Defesa Profissional debate uso da inteligência artificial na Ginecologia e Obstetrícia

01 jun. de 2026

CBGO2026: palestra do Dr. Frank Louwen reforça importância da capacitação em parto pélvico

01 jun. de 2026

CBGO 2026 encerra edição marcada por ciência, pactos pela saúde da mulher e integração entre sociedades

01 jun. de 2026

CBGO 2026 chega ao último dia com final do Febraquiz e programação científica intensa

01 jun. de 2026