Anticoncepção em Mulheres com HIV/AIDS

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Anticoncepção em Mulheres com HIV/AIDS

30 nov. de 2018

Atualmente, no mundo, estima-se 18 milhões de mulheres, com idade acima de 15 anos, infectadas pelo vírus da Imunodeficiência humana (HIV). Estes dados demonstram a importância sobre o conhecimento e aconselhamento dos métodos contraceptivos nesta população.

Em mulheres infectadas pelo HIV e sem o desejo de gestar, a anticoncepção de alta eficácia deve ser incentivada e sempre associada ao uso consistente e correto de um método de barreira eficaz, como o preservativo masculino ou feminino, em todas as relações sexuais. Neste grupo, a dupla proteção faz parte das estratégias globais de saúde pública para redução da transmissão vertical (materno fetal) e horizontal do vírus (parceiros sexuais não infectados).

Na categoria de métodos anticoncepcionais de alta eficácia incluímos: os contraceptivos orais combinados (COCs), os injetáveis mensais, os adesivos, os anéis vaginais, as pílulas só com progestagênios (POP), os injetáveis de progestagênios (AMPd- acetato de medroxiprogesterona e NET-EN- enantato de noretisterona), os implantes (LNG-levonorgestrel e ETG-etonogestrel), os dispositivos intrauterinos com levonorgestrel (DIU-LNG) e dispositivos intrauterinos com cobre (DIU_Cu). Em pacientes com prole completa, sem desejo de novos filhos, ainda dispomos dos métodos definitivos, como a vasectomia e laqueadura tubária.

Métodos de barreira como, capuz cervical e diafragma, não são recomendados para estas mulheres (CME categoria 3) pela falta de proteção na transmissão do vírus HIV aos seus parceiros. Os espermicidas, inclusive, são até contraindicados por aumentar a chance desta transmissão (CME categoria 4).

Mulheres infectadas pelo HIV assintomáticas, com manifestações clínicas leves (Estágios 1 e 2 da OMS) ou manifestação de doença grave ou avançada (Estágios 3 e 4 da OMS) podem usar sem restrição todos os métodos contraceptivos hormonais (CME categoria 1). De um modo geral, podem usar os DIUs de LNG e Cu (CME categoria 2) quando assintomáticas ou com manifestações clínicas leve da doença (Estágios 1 e 2 da OMS). Entretanto, quando estão com quadro clínico de doença grave ou avançada (Estágios 3 e 4 da OMS) não devem iniciar o uso do DIU-LNG e DIU-Cu (CME categoria 3 para início) até que o quadro clínico da doença regrida para estágios clínicos iniciais ou se torne assintomática. Por outro lado, se, estas mulheres infectadas com sintomas leves, apresentarem evolução da doença clínica para estágios mais elevados (Estagios 3 e 4 OMS) usando o DIU, eles não precisam ser removidos (CME categoria 2 para continuação) enquanto se aguarda a melhora do quadro clínico.

As mulheres infectadas com o vírus e que fazem uso de terapia antirretroviral combinada (TARV) de uma maneira geral podem utilizar todos os métodos contraceptivos hormonais (CME categoria 1 e 2). Da mesma forma, os DIUs de LNG e CU também podem ser utilizados (CME categoria 2), desde que estas mulheres em uso de TARV estejam assintomáticas ou com sintomas leves da doença.

As mulheres que fazem uso de Inibidores nucleosídeos da transcriptase reversa (NRTIs), Inibidores não nucleosídeos da trascripitase reversa (NNRTIs) mais novos contendo etravirina e rilpivirina e Inibidores da Integrase (II) podem usar sem restrições todos os métodos contraceptivos hormonais (CME Categoria 1).

As que utilizam NNRTIs contendo efavirenz ou nevirapina ou Inibidores da protease (IP) contendo ritonavir, podem usar sem restrição o AMPd (CME Categoria 1) e, geralmente, podem usar COCs, CICs, adesivos e anéis contraceptivos combinados, POPs, NET-EN e implantes de LNG e ETG (categoria 2 do CME),

As mulheres infectadas pelo HIV em uso de qualquer associação antirretroviral (NRTI, NNRTI, IP ou II), de modo geral podem usar o DIU-LNG ou DIU-Cu (CME Categoria 2), desde que a paciente esteja assintomática ou com manifestação clínica da doença inicial (Estágio 1 ou 2 OMS).

 Mulheres em uso de TARV com doença clínica grave ou avançada (Estágio 3 ou 4 da OMS) não devem iniciar uso do DIU-LNG ou DIU-Cu (CME Categoria 3 para iniciação) até que sua doença tenha regressão para estágios clínicos iniciais ou se torne ou assintomática.  Caso a paciente portadora do HIV, usuária de DIU e TARV desenvolva manifestações clínicas que evoluam para a forma grave ou avançada da doença (Estágio 3 ou 4 da OMS) o DIU não precisa ser removido (CME Categoria 2 para continuação).

 

CRITÉRIOS MÉDICOS DE ELEGIBILIDADE CONTRACEPTIVA (CME) DA OMS

CATEGORIA

CONDIÇÃO

COM AVALIAÇÃO

CLÍNICA COMPLETA

COM AVALIAÇÃO

CLÍNICA LIMITADA

1

Condição para a qual não existe restrição ao uso do método anticoncepcional

Usar o método em quaisquer circunstâncias

SIM

(Sim usar o método)

2

Condição onde as vantagens do uso do método geralmente

se sobrepõem aos riscos teóricos ou comprovados

Geralmente usar o método

3

Condição onde os riscos teóricos ou comprovados geralmente

se sobrepõem às vantagens do uso do método

Uso do método geralmente não recomendado a menos que outros métodos mais adequados não estejam disponíveis ou não sejam aceitáveis

NÃO

(Não usar o método)

4

Condição que representa um risco inaceitável para a saúde

caso o método anticoncepcional seja utilizado

O método não deve ser utilizado

 OMS – Organização Mundial da Saúde

 

ESTÁGIOS

MANIFSTAÇÃO CLÍNICA DAS PACIENTES INFECTADAS PELO HIV PELA OMS

1

infecção pelo HIV é assintomática e não classificada como AIDS

2

inclui pequenas manifestações mucocutâneas e recorrentes infecções do trato respiratório superior

3

inclui diarreia crônica inexplicada por mais de um mês, as infecções bacterianas e a tuberculose pulmonar

4

a toxoplasmose cerebral, candidíase do esôfago, traqueia, brônquios e pulmões e o sarcoma de Kaposi; essas doenças são indicadores da AIDS

HIV – vírus da imunodeficiência humana adquirida

OMS – Organização Mundial da Saúde

 

CATEGORIAS ARV

DROGA

Inibidores Nucleosídeos da Transcriptase Reversa (NRTIs)

Abacavir (ABC)

Tenofovir (TDF)

Zidovudina (AZT)

Lamivudina (3TC)

Didanosina (ddI)

Emtricitabina (FTC)

Stavudina (D4T)

Inibidores Não Nucleosídeos da Trascripitase Reversa (NNRTIs)

Efavirenz (EFV)

Etravirina (ETR)

Nevirapina (NVP)

Rilpivirina (RPV)

Inibidores da Protease

(IP)

Ritonavir-boosted atazanavir

(ATV/r)

Ritonavir-boosted lopinavir (LPV/r)

Ritonavir-boosted darunavir (DRV/r)

Ritonavir (RTV)

Inibidores da Integrase

(II)

Raltegravir (RAL)

ARV – antirretrovirais

 

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