28 de junho – Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+: Saúde óssea da população transgênero exige atenção multidisciplinar e acompanhamento individualizado, alerta especialista

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28 de junho – Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+: Saúde óssea da população transgênero exige atenção multidisciplinar e acompanhamento individualizado, alerta especialista

27 jun. de 2025

A saúde óssea da população transgênero ainda é um tema pouco debatido, mas de extrema importância quando se trata dos impactos da terapia hormonal de afirmação de gênero. De acordo com a ginecologista Dra. Celia Regina da Silva, membro da Comissão Nacional de Especialização em Osteoporose da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), o equilíbrio hormonal — sobretudo envolvendo estrogênio e testosterona — exerce papel fundamental na preservação e desenvolvimento da massa óssea.

“A ação do estrogênio e androgênio é fundamental para esta fase. A terapia hormonal tem o potencial de preservar ou melhorar a densidade mineral óssea, mas quando feita de forma intermitente ou sem acompanhamento adequado, pode levar à perda óssea significativa”, afirma a médica.

Segundo a especialista, uma nova resolução no Brasil prevê que a hormonização para pessoas transgêneros seja iniciada a partir dos 18 anos e a cirurgia de redesignação de gênero a partir dos 21. Esse intervalo, quando mal assistido, pode comprometer o desenvolvimento ósseo adequado, sobretudo em adolescentes submetidos precocemente ao uso de bloqueadores da puberdade, sem a introdução, em tempo hábil, da terapia de reposição hormonal.

Ainda segundo a Dra. Celia, há fatores importantes que devem ser considerados em relação à saúde óssea da população transgênero: “Pacientes que apresentam baixa ingestão de cálcio e vitamina D, sedentarismo, histórico de cirurgia bariátrica, por exemplo, exigem ainda mais atenção no tratamento. Não vejo um acompanhamento de consultório só, mas sim uma abordagem multidisciplinar, com psicólogo, nutricionista, ortopedista, entre outros profissionais.”

Diagnóstico e monitoramento da saúde óssea

A densitometria óssea segue como o principal exame utilizado para diagnóstico e acompanhamento da saúde óssea nessa população. A Dra. Celia destaca que os fatores de risco devem nortear a periodicidade do rastreio. “Tabagismo, consumo elevado de álcool, uso de corticoides, cirurgia de afirmação de gênero, baixa massa corporal e idade acima de 50 anos são pontos críticos que indicam necessidade de avaliação com maior frequência”, diz.

Metanálises recentes apontam ganhos na densidade óssea de mulheres trans após 12 a 24 meses de terapia hormonal, especialmente na coluna lombar. Já entre homens trans, estudos indicam aumento de até 7,8% da densidade mineral óssea no colo do fêmur após dois anos de tratamento. No entanto, a especialista alerta: “Os dados sobre taxas de fratura em transgêneros ainda são escassos, e isso limita a precisão das diretrizes clínicas.”

Acompanhamento

A Dra. Celia ressalta a importância do tratamento individualizado. “Cada caso deve ser cuidadosamente analisado. Podemos ter um paciente trans que é atleta, outro com histórico de cirurgia bariátrica, outro com alimentação restritiva. Não podemos adotar protocolo único.”

Por fim, a médica destaca a necessidade de um cuidado abrangente e multidisciplinar voltado à saúde óssea da população transgênero.: “Mais do que iniciar a terapia hormonal, é preciso garantir adesão contínua, monitoramento por densitometria e implementação de estratégias de estilo de vida saudáveis. Só assim conseguiremos prevenir perdas ósseas e garantir qualidade de vida a longo prazo”, finaliza.

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