Efeito da Suplementação Isolada de Vitamina D Sobre a Remodelação Óssea em Mulheres na Pós-Menopausa

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Efeito da Suplementação Isolada de Vitamina D Sobre a Remodelação Óssea em Mulheres na Pós-Menopausa

22 jun. de 2017

Com a crescente elevação da sobrevida, observa-se aumento de doenças relacionadas ao envelhecimento da mulher. Entre essas doenças se destaca a osteoporose. A principal conseqüência clínica da osteoporose é a fratura, que ocorre principalmente em colo de fêmur, vértebras e punho1 . A maioria dos casos de osteoporose ocorre em mulheres na pósmenopausa, e a prevalência da doença aumenta com a idade, de 4% em mulheres entre 50 a 59 anos para 52% em mulheres com idade superior a 80 anos2 . O osso constitui um tecido metabolicamente ativo que sofre processo contínuo de renovação e reabsorção óssea. Esse processo dinâmico é chamado de remodelação óssea. Nas mulheres, com o início da menopausa, a taxa de reabsorção aumenta, elevando o impacto do desequilíbrio da remodelação óssea3 . A perda de massa óssea inicia-se cerca de 2 a 3 anos antes da última menstruação, e mantém-se por 3 a 4 anos após a menopausa. Nesse período, as mulheres perdem 2% de osso ao ano2 . A evidência crescente sugere que a rápida remodelação óssea (medida por marcadores bioquímicos de reabsorção óssea ou formação) aumenta a fragilidade óssea e risco de fratura osteoporótica4 .

Os marcadores de formação e reabsorção ósseas derivados do colágeno podem ser úteis no diagnóstico e acompanhamento de uma série de doenças caracterizadas por alterações do metabolismo ósseo5,6 . Os marcadores da formação óssea são enzimas ou produtos diretos ou indiretos (pro-colágeno) de osteoblastos ativos, e geralmente são caracterizados por moderada variabilidade biológica. Entre os marcadores de formação óssea destacam-se a osteocalcina (OC), a fosfatase alcalina óssea (FAO), fragmentos carboxiterminais (P1CP) e mais recentemente o fragmentos amino-terminais (P1NP) do pró-colágeno tipo I. As moléculas interligadoras do colágeno tipo I são atualmente os melhores marcadores bioquímicos da reabsorção óssea sendo representadas pelos telopeptídeos carboxiterminal (CTX) e aminoterminal (NTX). 7-9

A vitamina D (VD) é essencial para a manutenção do esqueleto e para a absorção de cálcio. A VD tem papel importante na mineralização óssea, na concentração de cálcio/fósforo e na regulação da paratireóide10 . Atualmente, a dosagem de 25OH Vitamina D é a mais adequada para se avaliar e monitorizar o status nutricional de VD no organismo humano, pois os valores plasmáticos são os principais indicadores das reservas corporais19,20 . Estudos que analisam a relação entre saúde óssea e VD estimam que a concentração desejável de 25OH Vitamina D é no mínimo de 30 a 40 ng/ml, sendo que valores inferiores podem ocasionar um hiperparatiroidismo secundário com consequente prejuízo a densidade mineral óssea23,24 . Na maioria dos estudos randomizados e controlados sobre o efeito da suplementação VD sobre a massa óssea utilizaram a VD associada ao cálcio, o que torna difícil separar os efeitos atribuíveis especificamente à VD.

Nahas e col, em ensaio clínico inédito, randomizado, duplo-cego e placebo controlado, envolvendo mulheres de 50-65 anos, com deficiência de vitamina D, com data da última menstruação de pelo menos um ano, com densitometria óssea evidenciando T-score maior ou igual – 1,5 DP (no máximo osteopenia leve), selecionando 70 mulheres do grupo de vitamina D e 69 pertencentes ao grupo placebo. Na comparação das características clínicas, antropométricas e laboratoriais iniciais os grupos foram homogênios. Após 10 meses de intervenção, foi observado que a concentração de vitamina D foi maior no grupo tratado do que no grupo placebo, demonstrando aderência a suplementação de 1000 UI de vitamina D diariamente (p<0,0001). Os marcadores de remodelação óssea (CTX e P1NP) diminuíram significativamente (p <0,001 e p=0,003, respectivamente). Concluímos que, em mulheres na pós-menopausa, com deficiência de vitamina D, a suplementação diária e isolada de 1000 UI de vitamina D por 10 meses, repercutiu com redução no processo de remodelação óssea.15

Referências
1- Cummings SR, Melton LJ. Epidemiology and outcomes of osteoporotics fractures. Lancet 2002;359:1761-7;
2- NAMS- Management of osteoporosis in postmenopausal women: 2010 position statement of The North American Menopause Society. Menopause 2010; 17:25-54;
3-Riis BJ. The role of bone turnover in the pathophysiology of osteoporosis.Br J Obstet Gynaecol 1996;103:9-15;
4- NOF- Clinician’s Guide to Prevention and Treatment of Osteoporosis Developed by the National Osteoporosis Foundation. 2010;
5- Saraiva GL, Larazetti-Castro M. Marcadores Bioquímicos da remodelação óssea na prática clínica. Arq Bras Endocrinol Metab 2002; 46(1):72-8.
6- Vasikaran SD, Glendenning P, Morris HA. The role of biochemical markers of bone turnover in osteoporosis management in clinical practice. Clin Biochem Rev 2006; 27(3):119-21;
7- Garnero P, Vergnaud P, Hoyle N. Evaluation of a fully automated serum assay for total N-terminal propeptide of type I collagen in postmenopausal osteoporosis. Clin Chem 2008;54:188–96;
8-Funck-Brentano T, Biver E, et al. Clinical utility of serum bone turnover markers in postmenopausal osteoporosis therapy monitoring: a systematic review. Semin Arthritis Rheum 2011;41(2):157-69;
9- Koivula MK, Risteli L, Risteli J. Measurement of aminoterminal propeptide of type I procollagen (PINP) in serum. Clinical Biochemistry 2012;45:920–927;
10- Rosen CJ. Vitamin D Insufficiency.N Engl J Med 2011;364:248-54;
11- Dawson-Hughes B, Heaney RP, Holick MF, Vieth R, Dawson-Hughes B, Heaney RP.. Estimated of optimal vitamin D status. Osteoporos Int 2005;16(7):713-6;
12- Holick MF . The D-lemma: To Screen or Not to Screen for 25- Hydroxyvitamin D Concentrations. Clin Chemistry 2010;56:729–731;
13- Holick MF. Vitamin D deficiency. N Engl J Med 2007;357(3):266-81;
14- Lips P. Vitamin D deficiency and secondary hyperparathyroidism in the elderly: consequences for bone loss and fractures and therapeutic implications. Endocr Rev 2001;22(4):477-50;
15 – Nahás JN et al. Effect of Isolated Vitamina D Supplemetation on the Bone Turnover Markers in Postmenopausal Women: randomized, doubleblind, placebo controlled trial. 20th Annual Meeting, Orlando, 2016, P-6.

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